Piscina das Marés-Leça da Palmeira

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

YO NO CREO, PERO....


Como há muito tempo não vos presenteio com um dos contos de Miguel Torga, lembrei-me deste, a propósito de uns boatos sobre bruxaria ligados ao desporto - rei.
 Ele há coisas...


 
O Bruxedo

 

Apesar de a Gomes ter as farroncas que toda a gente sabia, a Melra foi-lhe àquele corpo que lho derreteu. A maior coça de que há memória em Feitais! A velha parecia o diabo, não parecia mulher! Que perdoava tudo, menos que lhe mordessem na reputação das filhas. Estavam casadas, e muito bem casadas! Quem quisesse falar de marafonas, falasse das da Vila Velha. E desancava a outra, com estas razões.

Feitais, embora não pusesse as mãos no fogo pela honra de ninguém, gostou do correctivo. A Gomes a dar lições de moral!

Por que boca nos mandava Deus a verdade!

Os sessenta e cinco anos da Melra é que não eram para semelhantes avarias. Quinze dias depois do barulho, de tão magra e desfigurada, metia pena.

- Você que tem, ti Joana? Anda tão desolhada!...

- Nem sei. Dores no corpo, sem nenhuma vontade de comer, quebrada...

A Melra fora sempre como aço. A ter os filhos, era um ai que lhe dava; ao mato, punha cada carrego à cabeça, que até as mais se envergonhavam; a segar, enquanto as outras faziam cinco, fazia ela dez. Forte! Também lhe comia e bebia como uma valente. O homem, o Inácio, quando iam às feiras, já sabia: onde ele virasse um copo, ela virava outro. Uma mulher de armas! Mas, desde a tosa na Gomes, nem uma candeia, sem azeite, a apagar-se.

- Lá o que tenho, Deus é que sabe. Agora que não é coisa boa, não. Dói-me tudo, repugna-me a comida, sinto palpitações...

O Inácio, que também estava na casa dos setenta, e se sentia cada vez mais duro, no cerne - garantia ele -, não entendia aqueles flatos. Porque eram flatos, sem dúvida nenhuma.

- Eu não sou mulher de flatos! - protestava a Melra. - Quem pariu doze filhos como eu pari, sem um desejo, sem uma palavra que se ouvisse na rua, não é de flatos!

- Pois olha que ou eu me engano muito... - insistia o Inácio. - Que há-de ser?

Na cabeça da Melra andava um diagnóstico à espera de se escapulir. E numa hora de maior fraqueza abriu-lhe a portinhola:

- Até já me lembrou... Cala-te, boca...

- O quê?

- Que me fizessem qualquer bruxaria... 

- Deixa-te de maluquices e vê se tens propósito! Só cá faltava mais essa!... Valha-te Deus!

- Eu sei lá! Sinto-me tão cansada, tão moída...

- São flatos. Não é mais nada.

- E tu a dar-lhe!

As noites eram grandes e o Inácio tinha tempo de aturar a mulher. Encheu-se de paciência e pôs-se a meter um pouco de rigor masculino naquele juízo avariado. Não havia feitiços. O povo, ignorante, é que acreditava nesse e noutros disparates. Pusesse os olhos nas pessoas de certa categoria... 

- Nunca se ouvira dizer que a senhora Fulana ou o senhor Sicrano andassem com o diabo no corpo. Só a gente baixa, coitada, por falta de instrução... Palavra de honra! Estava absolutamente convencido...

A Melra borrou-lhe o discurso:

- Diz-lhe que não.

A Deolinda começou também assim, que eram maleitas, que eram febres intestinais, que eram sífilis, e vai-se a ver, tudo mandingas da Leopoldina.

O Inácio riu-se. Coitada da Leopoldina!

O poder dela era tanto como o dele. E que motivos dera ela à Leopoldina para lhe fazer mal?

- A ela nenhuns.

- Então, já vês... 

- Pois olha que não se me tira do pensamento...

- És teimosa!

- Serei. O pior é o resto... Seco-me de dia para dia...

Diante daquele argumento, o Inácio coçou a cabeça. Lá que a mulher se sumia, sumia. A Leopoldina é que não era para ali chamada.

A que título ?

A Melra concretizou então numa clara luz as penumbras da sua intuição.

- Por incumbência da Gomes. Tão certo como Deus estar no céu! Não se largam. Umas amizades, uns namoros...

- Lá vens tu com enredos, mulher! Trata de dormir e amanhã vai ao Paliteiro que te venda sal amargo e toma-o. Isso ou são flatos ou é estômago sujo.

A Melra, apesar do purgante, não melhorou. E como tivera aquele grande barulho com a Gomes, e agora a Gomes não saía de casa da Leopoldina, aqui-del-rei que andava enfeitiçada.

- Tenho a certeza! Até dou conta quando me estão a coser a andilha! Acordo de noite com os alfinetes cravados no corpo!

- Valha-te um burro, mulher! Reloucaste. Depois de velha, reloucaste!

- Eu sinto! Eu sinto elas picarem o mono.

- Que mono?! Só ao cabo de grandes explicações é que o

Inácio veio a saber do que se tratava. Era pelos modos uma figura de pano, que representava a pessoa a desgraçar, onde a bruxa fazia os malefícios. Judiaria feita no boneco, era tal e qual como se fosse em nós.

- Estás num lindo estado, sim senhor! E tão sã que tu eras do miolo!

A Melra, obcecada por aquela ideia, nem ouvia as ironias do homem.

- E é que dão cabo de mim, as coiras! Uma agonia, não se me abre a boca para nada, uns apertos no coração...

O curandeiro da Azoia, chamado e posto ao corrente do que se passava, auscultou, apalpou, virou, receitou uma garrafada e prometeu a cura. Qual o quê! A Melra sentia-se cada vez pior.

- Bota-te à serra a casa da santa, se me queres viva! Leva-lhe uma camisa minha e conta-lhe tudo.

O Inácio, então, resolveu cortar o mal pela raiz. Iam mas é no dia seguinte à Vila, consultar o Dr. Amaral. Santa! Santa estava a mulher da caixa dos pirolitos.

Deitou-se nessa firme resolução, e acabara apenas de adormecer, quando, repentinamente, a Melra piorou. Foi-lhe fazer chá de cidreira e deu-lho. A doente pareceu melhorar. Mas passadas algumas horas, já de madrugada, estava ele a pegar no sono outra vez, a Melra deu um grande grito.

- Ai, que aquelas grandes putas atravessaram-me a alma! Ai! que eu sinto-me estrafegada! Ai Jesus, que eu morro! Ai...

O Inácio ergueu-se dum salto.

- Sossega, mulher, sossega! Valha-me nossa Senhora!

Palavras. A infeliz ficara-se-lhe já. Doido, sem um gemido que lhe abrandasse o desespero, tal e qual como saíra da cama, em ceroulas, correu para a rua, desvairado, à procura de um socorro impossível. Num relâmpago, desandou a chave e levantou o gravelho. E, mal puxou a porta, caiu-lhe aos pés um manipanso de farrapos todo cravado de alfinetes e com um grande prego de caibro espetado no sítio do coração.
 
Imagem recolhida na Net.
 
...que las hay...las hay!!
 

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

O Tempo Passa...a Sua Memória Fica.

 
Estas estrelas brilharão eternamente no firmamento da nossa memória porque são intemporais.
Também houve outras que usaram pó- de -arroz, mas dessas, quem soube falar delas e desejá-las foi
 
 VINICIUS DE MORAES. 
 
A mulher que passa
 
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontravas se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que boia leve como cortiça
E tem raízes como a fumaça.
 
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Sábado, 18 de Maio de 2013

Chegou o Tempo...De Dizer: ADEUS...!

                                                                               

                                                                             


Este post é dedicado a  um Amigo, cuja  identidade não conheci mas em quem sempre acreditei.
Uma VOZ com muita força e empenho - nem sempre compreendido - em alertar-nos para as atrocidades que se cometem  neste mundo,  mas  que se cansou de navegar neste mar tempestuoso e incerto. 
 
 
 
 
Beijinhos, VOZ!  Até sempre.
 
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Medalha D'ouro... O Perigo Mora Ao Lado..

 
A imagem não faz publicidade às máquinas de costura da marca Singer nem Oliva, mas à New Home, como já deu para perceber, e que ganhou em 1889 o Prémio de Ouro em Paris. Esta sádica avozinha, de sorriso assustador e desdentado, agarra o neto pela perna e sem mais delongas, cose-lhe o rasgão das calças enquanto ele dá ao pedal.:(
Como podem ver, a perigosa proximidade da agulha com a  virilha e zonas limítrofes sugere-nos que um pequeno descuido pode significar a morte do artista. Mas, nessa época, quem se preocupava com a violência e/ou a  exploração infantil? Ainda nós nos queixamos, agora, da austeridade  a que crise económica nos  obriga, da troika e de outros enfeites que tanto queríamos ter em solo luso e deixámos ingloriamente por terras britânicas. Somos uns piegas mimalhos  mal habituados,  por vermos satisfeitos os mais elementares direitos do ser humano. Somos uns sortudos e não sabemos, isso sim!...
 
:(  :(  :(  :(  :(  :(  :(  :(  :(  :(  :(  :(  :(
 
 
 

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Saudades de Mim.




                         EU QUERIA !

    queria voltar ao passado

   queria voltar a ser criança

   queria voltar a ter todos os meus amigos de infância
 

Ficou lindo demais! - Recados e Imagens para
orkut, facebook, tumblr e hi5
                       

    queria voltar para a escola primária

   queria voltar a acreditar nas pessoas

    queria voltar a passar o dia sempre com um sorriso no rosto

   queria voltar a sonhar

  queria voltar a acreditar que os sonhos são possíveis de concretizar

 

                                 queria .... não ter saudades de mim…
 

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Domingo, 12 de Maio de 2013

Loucuras de Amantes.


Amando sobre os jornais

Amando noite afora
Fazendo a cama sobre os jornais
Um pouco jogados fora
Um pouco sábios demais
Esparramados no mundo
Molhamos o mundo com delícias
As nossas peles retintas
De notícias



Amando noites a fio
Tramando coisas sobre os jornais
Fazendo entornar um rio
E arder os canaviais
Das páginas flageladas
Sorrimos mãos dadas e, inocentes
Lavamos os nossos sexos
Nas enchentes



Amando noites a fundo
Tendo jornais como cobertor
Podendo abalar
o mundo
No embalo do nosso amor
No ardor de tantos abraços
Caíram palácios
Ruiu um império
Os nossos olhos vidrados
De mistério                                                             



                                                                           

Desejo-vos, meus amigos/as, uma excelente semana, em que  a amizade, a sinceridade e a compreensão sejam os sentimentos privilegiados.


 

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Pornografia Alimentar...? Nem Posso Acreditar!

 
 
Sabiam que as pessoas que têm por hábito fotografar os alimentos que ingerem ou gostariam de o poder fazer, podem sofrer de graves problemas psicológicos?  E esta, hein??
 
Imaginem que até o famoso "Dr.Oz" (?)  já abordou o tema da "food porn"  que, na sua opinião, andava a engordar a sociedade.
Estou pasma! E eu que pensava que a gordura se tinha acumulado noutros locais mais anafados, elevados e poderosos.
 Estamos sempre a aprender!
 
Desejo-vos um bom fim de semana. Fotografem tudo o que lhes apetecer, mas tenham cuidado! Fotografar comida pode ser um problema.