Fotos minhas

Fotos minhas
Patagónia - Argentina

sábado, 3 de dezembro de 2016

POESIA :- A FALHA PERFEITA.

 

La Lluvia

( Soneto de Jorge Luis Borges )




Bruscamente la tarde se ha aclarado 
Porque ya cae la lluvia minuciosa. 
Cae o cayó. La lluvia es una cosa 
Que sin duda sucede en el pasado. 



Quien la oye caer ha recobrado 
El tiempo en que la suerte venturosa 
Le reveló una flor llamada rosa 
Y el curioso color del colorado.

 

Esta lluvia que ciega los cristales 
Alegrará en perdidos arrabales 
Las negras uvas de una parra en cierto 



Patio que ya no existe. La mojada 
Tarde me trae la voz, la voz deseada, 
De mi padre que vuelve y  no ha muerto.





A CHUVA


                                             Bruscamente a tarde clareou
Porque já cai a chuva minuciosa.
Cai ou caiu. A chuva é uma coisa
Que sem dúvida sucede no que passou.

Quem a ouve cair sente recuperada
A vida em que a sorte venturosa
Lhe revelou uma flor chamada rosa
E a deliciosa cor avermelhada.

Esta chuva que cega os cristais
Alegrará algures nos arrabaldes
As negras uvas de uma videira; direi eu.

Pátio que já não existe. A tarde
Molhada;  traz-me a voz, a voz desejada,
De meu pai que está voltando e não morreu.


Nota: A tradução, para português, deste poema de Borges, foi uma ousadia da minha parte, pela qual assumo total responsabilidade relativamente aos desajustes que possam ser notados. Os meus escassos conhecimentos de castelhano, a mais, e melhor, não me permitiram...




quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FANTASIANDO ILUSÕES.


IMAGEM  ENCONTRADA NA  NET



             
Fantasiei demais

              Encantei-me com sonhos inexistentes

         a descoberto pus o desencanto


     Numa árvore
                    nua

         olho e vejo o teu rosto.

               Já havias partido e eu

         louca

Ainda sonhei perfumar-te com meu pranto.





terça-feira, 29 de novembro de 2016

HÁ DIAS ASSIM...


...HOJE, É UM DELES!!





''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''
'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''

domingo, 27 de novembro de 2016

"DEUS LHE PAGUE".

PRIMEIRO  ACTO  (parte)
CENÁRIO
Porta principal de uma velha igreja. A acção começa um pouco antes de ser iluminada a cidade, mas no interior da igreja há a luz morta dos templos.
Sentado nas escadas um mendigo aparentando cerca de 50 anos, barbas e cabelos compridos, olhar sereno, expressões messiânicas, em suma, uma cabeça que despertaria a atenção de pintores retratistas.

Ao avistar um rapaz que entra em sentido contrário, simula, instantaneamente e com muita prática, um grande abatimento, uma expressão de angustioso sofrimento. Ao passar por ele o rapaz atira, maquinalmente, sem olhar, uma moeda que o mendigo apanha com o chapéu, tão habilmente como um pelotário apanharia uma bola na cesta…O rapaz entra na igreja enquanto o mendigo diz, sem dar grande importância ao esmoler:


MENDIGO

         Deus lhe pague… (Em seguida entra OUTRO mendigo; mesma idade, mas de aparência pior. É mesmo esquálido e faminto. O MENDIGO, distraidamente à passagem do OUTRO, estende-lhe o chapéu. )  Ah!  (Risonho.)
Desculpe…Não tinha reparado que o senhor é colega…


OUTRO
           Ainda não fiz nada hoje, velhinho.  Tenho cigarros. Aceita um?

MENDIGO
            São bons?

OUTRO
          Hoje, até as pontas que consegui apanhar são de cigarros ordinários!
( Tira do bolso uma latinha cheia de pontas de cigarros, abre-a e oferece. )

MENDIGO
           Muito obrigado.  Não fumo cigarros ordinários. Quer um charuto? ( Tira-o do bolso )

OUTRO
         ( Aceitando espantado. )  Olá!

MENDIGO
           É havana!  Tenho muitos! Custam 10$000 cada um.

OUTRO
          Aceito, porque nunca tive jeito para roubar…

MENDIGO
           Nem eu.

OUTRO
          Não foram roubados?

MENDIGO
           Foram comprados.  Ainda não sou ladrão.

OUTRO
          Desculpe.  É que…

MENDIGO
           Não é preciso pedir desculpas.  Não sou ladrão, mas podia sê-lo.  É um direito que me assiste.

OUTRO
          ( Sentando-se na escada. )  Acha?

MENDIGO
           Acho, mas sempre preferi trabalhar.  Como trabalhar nem sempre é possível, resolvi pedir esmola, antes que fosse obrigado a roubar.  Pedir dá menos trabalho.

OUTRO
          ( Alarmado )  E é por isso que o senhor pede?

MENDIGO
           Só. O senhor conhece a história do Mundo?

OUTRO
          Não.

MENDIGO
           Antigamente, tudo era de todos. Ninguém era dono da terra e a água não pertencia a ninguém. Hoje, cada pedaço de terra tem um dono e cada nascente de água tem um dono. Quem foi que deu?

OUTRO
          Eu não fui…

MENDIGO
           Não foi ninguém. Os espertalhões, no princípio do Mundo, apropriaram-se das coisas e inventaram a Justiça e a Polícia…

OUTRO
          Para quê?

MENDIGO
           Para prender e processar os que vieram depois. Hoje, quem se apropriar das coisas, é processado pelo crime de apropriação indébita. Porquê?  Porque eles resolveram que as coisas lhes pertencessem…

OUTRO
          Mas quem foi que deu?

MENDIGO
           Ninguém.  Pergunte ao dono de uma faixa de terra na Avenida Atlântica se ele sabe explicar porque razão aquela faixa é dele…

OUTRO
          Ora! É fácil. Ele dirá que comprou do antigo dono.

MENDIGO
           E o antigo dono?

OUTRO
         Comprou de outro.

MENDIGO
           E o outro?

OUTRO
         De outro.  

MENDIGO
            E  estoutro?

OUTRO
         Do primeiro dono.

MENDIGO
           E o primeiro dono comprou de quem?

OUTRO
         De ninguém.  Tomou conta.

MENDIGO
           Com que direito?

OUTRO
Isso é que eu não sei.

MENDIGO
           Sem direito nenhum. Naquele tempo não havia leis. Depois que um pequeno grupo dividiu tudo entre si, é que se fizeram os Códigos. Então, passou a ser crime… para os outros, o que para eles era uma coisa natural…

OUTRO
         Mas os que primeiro tomaram conta das terras eram fortes e podiam garantir a posse contra os fracos.

MENDIGO
           Isso era antigamente. Hoje, os  chamados donos não são fortes e continuam na posse do que não lhes pertence.

OUTRO
         Garantidos pela Polícia, pelas classes armadas…

MENDIGO
           Sim. Garantidos  pelos que  também não são donos de nada, mas que foram convencidos de que devem fazer respeitar uma divisão na qual foram aquinhoados.

OUTRO
         E o senhor pretende reformar o Mundo?

MENDIGO
           Tinha pensado nisso, mas depois compreendi que a Humanidade não precisa do meu sacrifício.

OUTRO
          Porquê?

MENDIGO
           Porque o número de infelizes avoluma-se assustadoramente…

OUTRO
       ( Sorrindo ) E foi por isso que desistiu de reformar o Mundo?

MENDIGO
           Foi. Abandonei a Sociedade e resolvi pedir-lhe o que me pertence. Exigir é impertinência; pedir é um direito universalmente reconhecido. Dá prazer a quem se  pede, não causa inveja.  O senhor já reparou que ninguém é contra o mendigo?  Porque será?  Porque o mendigo é o homem que desistiu de lutar contra os outros.

OUTRO
         Os homens não precisam de nós…

MENDIGO
           Precisam, senhor… Como é o seu nome?

OUTRO
         Barata.

MENDIGO
           Precisam, mas não dependem ; e é por isso que nos olham com ternura.

OUTRO
         Ora!  Quem é que precisa de um mendigo?

MENDIGO
           Todos!  Eles precisam muito mais de nós do que nós deles. O mendigo é, neste momento, uma necessidade social. Quando eles dizem: «Quem dá aos pobres empresta a Deus», confessam que não dão aos pobres, mas emprestam a Deus…Não há generosidade na esmola : há interesse. Os pecadores dão,  para aliviar os seus pecados; os sofredores para merecer as graças de Deus. Além disso,  é com a miséria de um níquel que eles adiam a revolta dos miseráveis…

OUTRO
         Mas quando agradecem a Deus, revelam o sentimento da gratidão.

MENDIGO
           Não há gratidão. Só agradece a Deus quem tem medo de perder a felicidade; se os homens tivessem a certeza de que seriam sempre felizes, Deus deixaria de existir, porque só existe no pensamento dos infelizes e dos temerosos da infelicidade. Quem dá esmola pensa que está comprando a felicidade, e os mendigos, para eles,  são os únicos vendedores desse bem supremo.

OUTRO
         ( Desanimado )  A felicidade é tão barata…

MENDIGO
           Engana-se.  É caríssima. Barata é a ilusão.  Com um tostãozinho compra-se a a melhor ilusão da vida, porque quando a gente diz : «Deus lhe pague…», o esmoler pensa que,  no dia seguinte, vai tirar cem contos na lotaria…Coitados! Não são ingénuos…Se dar uma esmola, um mísero tostão, à saída de um cabaret,  onde se gastaram milhares de tostões em vícios e corrupções, redimisse pecados e comprasse a felicidade, o Mundo seria um paraíso! O sacrifício é que redime. Esmola não é sacrifício! É sobra. É resto. É a alegria de quem dá porque não precisa pedir.




Nota: Dedico este post aos amigos e companheiros, nesta jornada bloguista: Ricardo do blog  PACTO PORTUGUÊS, e Teresa do blog EMATEJOCA AZUL.       Eles sabem porquê!... :)


(Saibam que, transcrever isto, me deu uma grande trabalheira. Espero que todos apreciem. )


==============================================

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

TUDO TEM EXPLICAÇÃO...

...até a minha incultura!




PINTURA DE:   FEDERICO MALDARELLI


Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e reviro
E não encontro posição
Mas se, afinal,
Consigo um cómodo abandono

Pego no sono…


(Poeminha do Grande:  Millôr Fernandes )


VOTOS DE FELIZ FIM-DE-SEMANA.

********************

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Foram Risos, Foram Prosas.






Foi um momento de partilha, muito humor e cumplicidade.

Ainda que se repita, nunca será o mesmo instante.

Saber isso é que tanto me entristece

E me faz sentir tanta saudade.



************************************************
****************************

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Piropos À Moda do Alentejo...

...Para aquecer.


Numa rua de Mértola, um jovem -  de Lisboa, diz-se - cruza-se com uma miúda gira e, imbuído de grande inspiração poética, diz-lhe, num sussurro:


Um copinho, dois copinhos
três copinhos d'aguardenti.
As moças cá nesta terra,
até fazem calor à genti.



Abespinhada, que as alentejanas não são cá para brincadeiras, responde-lhe a moça:

Um copinho, dois copinhos
três copinhos de licori.
Levas uma cachaporra nas ventas
passa-te logo o calori.

------------------------------------------------


                                                             

Para aquecer um bocadinho mais, fiquem com dois copinhos de vinho branco. Uma cena hilariante do "Pai Tirano"
Ainda se lembram do filme?

  
    Um bom início de semana para todos.