Fotos minhas

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Foto «legendada» de LMC

domingo, 7 de fevereiro de 2016

No Baile da Gabriela...

...Samba ou Baião?
 Não importou nada
acabou foi tudo na base da chinelada!!
Vamos todos sambar, minha gente!!:)


                       

Eu fui dançar um baile
Na casa da Gabriela
Nunca vi coisa tão boa
Foi na base da chinela

O baile tava animado
Só na base da chinela
Toda turma disputava
Dançar com a Gabriela

Requebrar naquela base
No salão só tinha ela
Todo convidado ria
Gostando da base dela

Jogaram no salão
Pimenta bem machucada
O baile da Gabriela
Acabou com chinelada



:) :) :) :) :) :) :) :) :)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Mitos de Calendário.




O Tempo Passa? Não Passa

O tempo passa?
Não passa
no abismo do coração.

Lá dentro, perdura a graça, 
do amor  florindo em canção. 
(...)
Carlos Drummond de Andrade, 
in 'Amar Aprende-se Amando'

Catherine Deneuve - "Num Pátio de Paris"- O seu mais recente filme.
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E com este pensamento, com esta ideia cá minha, desejo a todos:


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Partilhando Leituras # 2

    Não sou dado a pânicos, mas nessa noite estive mais perto de entrar em pânico do que nunca. De qual de nós andavam eles atrás – do Larry ou de mim? Ou dos dois? O que saberiam ao certo sobre a Emma? Porque é que o Checheyev tinha vindo falar a Bath com o Larry e quando, sim, quando? Aqueles polícias não andavam certamente à procura de um qualquer professor universitário que tinha resolvido ausentar-se por uns dias. Estavam a seguir uma pista, farejavam sangue, e perseguiam alguém que despertasse os seus instintos mais agressivos.
    Porém, quem pensavam eles que ele era? – o Larry, o meu Larry, o nosso Larry? – o que é que ele tinha feito? Esta questão do dinheiro, os russos, os acordos, o Checheyev, eu próprio, o socialismo, novamente eu – como é que o Larry podia ser outra coisa senão o que nós tínhamos feito dele: um revolucionário inglês da classe média sem direcção certa, um permanente dissidente, um diletante, um sonhador, um contestatário crónico; um falhado semicriativo, gasto, namoradeiro, sem ambições nem piedade, um falhado com inteligência mais do que suficiente para não demolir qualquer argumento e obstinação mais do que suficiente para não ceder aos obviamente débeis?
     E quem pensavam eles que era eu – este funcionário público reformado e solitário, a falar sozinho línguas estrangeiras, a fazer vinho e a brincar ao Bom Samaritano nas suas apetecíveis vinhas de Somerset? Por que razão haviam eles de concluir que, lá porque vivo sozinho, sou incompleto? Porque haviam eles de perseguir-me só por não poderem deitar a mão ao Larry ou ao Checheyev? E a Emma  –  a minha frágil Dama de Honeybrook, talvez não tão frágil assim, agora noutras paragens   – há quanto tempo não andariam eles a vigiá-la? Subi a escada. Não, não foi assim. Corri escada acima. Tinha o telefone ao lado da cama, mas mal levantei o auscultador verifiquei humilhado que me tinha esquecido do número que queria marcar, algo que nunca me tinha acontecido em toda a vida, nem mesmo nas situações operacionais mais difíceis.
    E para que é que eu tinha vindo cá acima, se havia um telefone perfeitamente funcional na sala, e ainda outro no escritório? Por que razão tinha resolvido correr pela escada acima? Lembrei-me de um zeloso professor do curso de formação que nos ia matando de tédio a dissertar sobre a arte de quebrar um cerco. Quando as pessoas entram em pânico, fazem-no sempre para cima, dizia ele. Correm para os elevadores, tapetes rolantes, escadas, tudo o que as leve para cima, nunca para baixo.
     Sentei-me na cama. Baixei os ombros, para relaxar. Rodei a cabeça, seguindo o conselho dado por um guru qualquer no suplemento a cores do jornal que ensinava ao leitor as técnicas da automassagem. Mas não senti qualquer alívio.
     Sentia os ouvidos a zumbir. Ouvi gritos, depois soluços, depois os gemidos do vento. Vinha por aí borrasca. Era a ira de Deus. Ontem um nevão de Outono, um despropósito, e esta noite um verdadeiro temporal, com as persianas a bater, o vento a assobiar nas caleiras e a fazer a casa ranger.


Continua.
   
  



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Mea Culpa.



Não duvido que o mundo no seu eixo 
Gire suspenso e volva em harmonia; 
Que o homem suba e vá da noite ao dia, 
E o homem vá subindo insecto o seixo. 

Não chamo a Deus tirano, nem me queixo, 
Nem chamo ao céu da vida noite fria; 
Não chamo à existência hora sombria; 
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo. 

A Natureza é minha mãe ainda... 
É minha mãe... Ah, se eu à face linda 
Não sei sorrir: se estou desesperado; 

Se nada há que me aqueça esta frieza; 
Se estou cheio de fel e de tristeza... 
É de crer que só eu seja o culpado! 


Antero de Quental, in "Sonetos" 

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domingo, 31 de janeiro de 2016

Vamos Iniciar a Semana a Sorrir?...

Quem tiver um irmão agricultor, a estudar para ser Doutor, não lhe peça para mungir as cabrinhas...Certifique-se se ele conhece a diferença. Não parece fácil, diz ele!


                                       

                                  Ah, Fadistas do Ribatejo!!


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sábado, 30 de janeiro de 2016

Ó Mulher! Como és Fraca e Como és Forte!



A Mulher

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!



Sonetos de Florbela Espanca



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F E L I Z   F I M - DE - S E M A N A 
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Partilhando Leituras # 1

O meu dilema era terrível. O meu primeiro impulso ia no sentido daquela ideia generalizada de que a polícia, ao contrário de nós, se servia muito pouco de microfones e escutas telefónicas. Aquilo a que erradamente chamavam os seus inquéritos discretos limitavam-se a importunar os vizinhos, os comerciantes e os gerentes dos bancos, mas detinham-se perante a reserva suscitada pela vigilância electrónica. Ou, pelo menos, nós assim pensávamos. Decidi refugiar-me no passado distante.
 -- Tanto quanto me lembro, foi naquela ocasião em que o Larry se estava a despedir publicamente do socialismo da ala esquerda e quis que os amigos participassem também – disse eu.
     Continuando sentado junto da lareira, Luck levou ao queixo a mão esguia, como se subitamente sentisse uma nevralgia.
  -- Estamos a falar do socialismo russo? – perguntou na sua voz soturna.
  -- Do socialismo que quiser. Ele estava a desradicalizar-se…a expressão é dele…e precisava de ter os amigos a assistir.
  -- Ora e quando é que isso teria sido exactamente, Mr. Cranmer?  -- perguntou Bryant do outro lado.
  -- Há uns dois anos. Mais. Foi quando ele se desligou do passado antes de concorrer ao lugar na Universidade.
  --  Novembro de 92 – disse Luck.
  -- Como?
  -- Se estamos a falar da renúncia pública do Doutor ao socialismo radical, estamos a falar do seu artigo intitulado «A Morte de Uma Experiência», publicado na Socialist Review  em Novembro de 92. O Doutor ligou a sua decisão a uma análise daquilo a que chamou o continuum clandestino do expansionismo russo, fosse sob o poder dos czaristas, dos comunistas ou, como de agora em diante, sob a bandeira dos federalistas. Referiu-se também à descoberta da nova moral ortodoxa do Ocidente, que comparou aos estádios iniciais do dogma social do comunismo sem o idealismo fundamental indispensável. Um ou dois dos seus colegas da ala esquerda acharam até que o artigo era um acto grave de traição. E o senhor?
  -- Eu não achei nada.
  -- Discutiu o assunto com ele?
  -- Não. Dei-lhe apenas os parabéns.
  -- Porquê?
  -- Porque era isso que ele queria.
  -- Diz sempre às pessoas o que elas querem?
  -- Se estou a aturar alguém que me está a maçar, Mr. Luck, e quero ir fazer outra coisa, sim, muito provavelmente digo – respondi eu, e deitei o olho ao meu relógio francês que batia as horas na sua redoma de vidro. Mas Luck não se deixava levar tão facilmente.
  -- E…Novembro de 92…quando o Pettifer escreveu esse famoso artigo…deve ter sido a mesma altura em que o senhor se reformou do que quer que estava a fazer em Londres, estarei certo?
      Não me agradou ver Luck a estabelecer paralelos entre as nossas vidas, e detestei o seu tom peremptório.


 (Continua)