domingo, 19 de agosto de 2018

Perfume Da Rosa.



Dona Rosa, Dona Rosa
Quando eras inda botão
Disseram-te alguma cousa
Da flor não ter coração?


A rosa que se não colhe
    Nem por isso tem mais vida.
Ninguém há que te não olhe
Que te não queira colhida.








Dona Rosa, Dona Rosa,
De que roseira é que vem,
Que não tem senão espinhos
Para quem só lhe quer bem?




Frescura do que é regado
Por onde a água inda verte…
Quero dizer-te um bocado
Do que não ouso dizer-te


“Quadras ao Gosto Popular” -  de Fernando Pessoa



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sábado, 18 de agosto de 2018

AFINAL...


...e nisto dos blogs não é diferente, tudo o que desejamos é um pouco de atenção...






...de TODOS quantos nos rodeiam e de quem gostamos!

Obrigada, por estes minutos da vossa atenção.





sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Porque Hoje É Sexta-Feira. #18


Hoje é à moda do Puorto, carago!!




Dois homens do Porto discutem sobre férias, e diz o primeiro: 

- Este ano num bou seguir os teus cunseilhos! 



- Atão e porquê? 



- Atão, em nobenta e oito sugeriste-me o Habay. Eu fui e a Maria 
engrabidoue! 

Em nobenta e nóbe sujeriste-me a Republica Dóminicâna. Eu fui e a Maria engrabidoue! 

Em dois mil mandaste-me pró Brazil. Eu fui e a Maria engrabidoue! 

Arre porra, num cunfio mais em ti, carago! 

- Deixa-te de coisas, pá. Este ano bai mas é às Ilhas Seixales, mas tens que tomar munto cuidado ! 

- Cuidado!... Que cuidado? 

- Desta bez leba a Maria cuntigo, carago!!!



*


Esta cena passa-se ainda no tempo em que o Pinto da Costa e uma das suas várias companheiras, (qual seria?) viviam o seu amor romântico.
Pinto da Costa chega a casa e grita:

- Querida. Prepara-te que bais lebar 4 quecas, carago!

- Amor - responde ela - tomastes 4 Biagras?

- Não, trago 3 árbitros...!
(esta é um bocado seca, seja lá isso o que for)


 *

Pinto da Costa e Filipe Vieira chocam com os respectivos carros num cruzamento.


Em vez de começar a disparatar, Pinto da Costa diz a Vieira:

- Num bamos discutire. Já basta fazermos isso no futebole.

Façamos as pazes...

E estende a mão a Vieira. Este, surpreendido pela bondade de Pinto da Costa, aperta-lhe a mão.

Pinto da Costa então diz:

- Bamos já celebrare a nossa amizade cum um binhinho do Puorto!

Vieira não se faz rogado, pega na garrafa, emborca metade e passa-a a Pinto da Costa.

Este não pega nela. Vieira, intrigado, pergunta:

- Então você não bebe?

- Nom! Estou à espera que chiegue a guarda pra bocê assuprare no balonzinho!

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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Da Grandiosidade.

 “O maior homem para mim, é o mais virtuoso, o mais altruísta, o mais fraternal; e a maior nacionalidade, a que realize mais largamente o bem, isto é: mais harmonia entre os homens e entre os homens e a Natureza.”

(...)



(Fragmento)
(Notas sobre a Suíça.)

Pequeno extracto das notas enviadas por Guerra Junqueiro ao Jornal de Genebra, e publicadas em 1913.

Páginas 118/122 in “Prosas Dispersas”.








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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Viagem Imaginária.






Eu, que na minha infância não tive mar
nem barcos nem conchas nem búzios
 partir p’lo mar afora
foi minha ânsia desmedida…

Se vejo barcos parados
deles fico prisioneira
e a alma sinto navegar
para junto daquela criança
que lá longe
ficou  perdida…



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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

PALAVRAS DE ALGUÉM. # 2


Miss Smile, Arco-íris e girassol dentro de uma bola de sabão.



Hoje vou dar a conhecer, a quem ainda a não conheça, e relembrar a todos os outros, que já têm o prazer de a conhecer, alguém muito especial neste mundo da blogosfera. Trata-se da doce, tranquila, tímida, reservada, alegre e dona de um imenso sentido de humor, onde a fina ironia é nota subtil,  Miss Smile.

Nem sempre a anfitriã deste blog teve a caixa de comentários fechada. Tempo houve em que podíamos entrar em sua casa e trocar impressões com ela. Todos eram recebidos com um sorriso afável, amigo e uma fumegante e aromática  chávena de chá, se estivesse frio, ou um delicioso e refrescante copo de chá geladinho, se o calor apertasse.
Creio que terá sido a sua indisponibilidade de tempo e consequente impossibilidade  de dar resposta aos comentários, bem como de retribuir as muitas visitas que recebia - e recebe - que levou  ao fecho da dita caixa.
Tenho, no entanto, a certeza de que, sempre que pode, Miss Smile anda por aí, a ler e a matar a saudade daqueles nove ou dez blogs de que tanto gosta.
Mas, para quê mais palavras minhas, (logo eu, que nem sei escrever) se o texto que vos trago  diz-vos quem é, dizendo-vos do que gosta, a nossa querida Miss Smile?

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Gosto...

"Gosto de acordar cedo. Gosto dos meus filhos mais do que gosto de viver. Gosto de nuvens rasas. Gosto de calor. Gosto das horas de torpor e silêncio no verão. Gosto de molhar os pés na água salgada e de apanhar flores silvestres. Gosto de café pela manhã e de um copo de vinho branco ao fim da tarde. Gosto de jazz. Gosto do tapete de folhas do outono na calçada da minha rua. Gosto da minha rua mais do que das outras ruas. Gosto de amoras e de descascar tangerinas com as mãos. Gosto de janelas grandes que dão à luz uma esperança sem limites. Gosto de barcos e de faróis. Gosto de pensar que o amor tem a idade do mar. Gosto de fazer bolas de sabão e de ver os últimos raios de sol sem pressa. Gosto de andorinhas. Gosto de repetir palavras. Gosto de repetir palavras. Gosto de falar alemão. Gosto de conversar. Gosto de ter amigos e de pensar que gosto ainda mais deles do que eles de mim. Gosto de árvores e de montanhas. Gosto de mosteiros e de recolhimento. Gosto de ir sozinha ao cinema. Gosto de livros. Gosto muito de livros. E do cheiro que têm. Não gosto do momento em que me cantam os parabéns. Não gosto de mim quando me levo demasiado a sério. Gosto de pensar que tive uma infância feliz. Gosto de metáforas. Gosto de escrever. Nem sempre gosto do que escrevo. Mas gostei de escrever este texto."
11-05-2018













sábado, 11 de agosto de 2018

MUITO QUE VER E OUVIR.


Foto minha -  tarde de verão, no Minho - 





No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa…

Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria…

Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão …
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida

E nem repararmos para que há sentidos …
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos…

…E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir. . .


"No Entardecer" – Poema de Alberto Caeiro –
(como toda a gente sabe: heterónimo de Pessoa)