domingo, 20 de agosto de 2017

ADIVINHEM QUEM VAI ADIVINHAR? { V }





E, porque hoje é Domingo, cá está a publicação habitual deste dia. Desta vez irei remeter-me ao tema que o título sugere...Adivinhas!!

A reedição com a solução e o nome dos leitores que acertaram, total ou parcialmente, bem como de todos os participantes e comentadores, acontecerá sensivelmente 48horas após esta publicação.

Para quem aqui chegou pela primeira vez, e desconhece as regras do passatempo, adianto que  a única regra consiste em enviar-me as respostas, que considerarem correctas,  para o e-mail:  fgmncf@gmail.com

Sem mais delongas, eis as cinco perguntas:


1ª - Na água nasci, na água me criei, mas se nela me atirarem, na água morrerei?... 


2ª- Qual é o pé que corre mais rápido?...

3ª- Qual é a coisa, qual é ela que tem coroa e não é rei, tem espinhos não é rosa, tem escamas e não é peixe?

4ª- O cinema tinha cimento por todos os lados. Qual era o filme em exibição?

5ª-  À direita sou um homem que facilmente acharás,  às avessas só de noite e nem sempre me encontrarás.

Agradeço a TODOS a participação e cá fico a aguardar as vossas respostas. :)



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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

FAZEDORES DE SONHOS.




Sonho e sonharei
Haja o que houver
Venha quem vier
Ninguém me ensinará
Que a vida é feita de falsas ilusões.

Já tive a minha quota-parte de dura realidade.
Se desejo ver a vida pelo lado da ilusão
Venham a mim, oh, fazedores de sonhos…

…porque não?







quarta-feira, 16 de agosto de 2017

EU, E O HOMEM ESTÁTUA.




A cor dos seus olhos destacava-se no rosto pintado de negro. Azuis, límpidos como um céu sem nuvens e transparentes como o mar calmo num dia quente de verão. Foi o que primeiro me chamou a atenção neste homem-estátua. Só quando o neto me chamou a atenção para o facto dele parecer que está sentado, mas, na verdade o não estar, reparei que sustentava o peso do corpo,  fixo só numa perna. Mantinha-se naquela posição  sabe Deus à custa de quantas horas de treino e força física e mental. Não sei. Só posso dizer que, inexplicavelmente, senti os olhos marejados de lágrimas. Quando consegui recuperar a serenidade, aproximei-me e olhei-o nos olhos. Curvei-me e depositei uma moeda no recipiente que estava no chão. Quase dou um salto, com a reviravolta que o homem deu fazendo uma série de movimentos com os braços até que pousou a mão sobre o lado esquerdo do peito. 
Voltei para junto do neto sem conseguir despegar os olhos daquela figura imperturbável e de olhar fixo sem um único pestanejar. Antes de virmos embora, voltei a aproximar-me e perguntei-lhe, num sussurro, se o poderia fotografar. A resposta foi um piscar de olho. Agradeci, cliquei, e toquei-lhe ao de leve no ombro em sinal de respeito e gratidão.
Quando nos afastámos, olhei-o uma última vez, sorri ligeiramente e, ou foi o meu desejo intenso de que isso acontecesse, ou o homem-estátua esboçou mesmo uma leve sombra de sorriso no olhar? Enquanto limpava uma lágrima, senti o braço do neto rodear-me os ombros. Olhei-o, e  esse sim, sorria para mim, com uma expressão de terna surpresa no rosto e, creio, no coração também... 


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terça-feira, 15 de agosto de 2017

ADIVINHEM QUEM VAI ADIVINHAR? { V }

REEDIÇÃO:

Como sempre ouvi dizer que, uma imagem vale mais do que mil palavras - exagero, claro -, irei ilustrar com imagens, e calar as minhas palavras que, certamente, não fariam jus a estes dois Grandes Homens da Clássica Literatura Portuguesa.

    Como podem verificar, não se tratam de edições recentes.  São obras que fazem parte das minhas relíquias literárias. O título do poema, como todos concluíram, é:--"Falam Pocilgas de Operários".



                                                       


Como complemento adicional, aqui vos deixo dois comentários que muito vêm enriquecer este post a título de excepção, já que os próximos se irão voltar a enquadrar no tema da rubrica.

Afrodite:

Estive a ler com outros olhos o segundo poema e logo no início reparei que falava no "Éden do Lima". Ora lembrei-me logo de Viana.
Então coloquei no motor de busca apenas as duas primeiras linhas do poema... e cheguei aqui:   LINK   e LINK
O que me leva a concluir, depois de uma leitura na diagonal que já estou a ver tudo meia vesga de sono (lol), que o tal acontecimento que tu querias que eu descobrisse está ali relatado: A chegada de Eça de Paris. Guerra Junqueiro, por estar em Viana, não pôde comparecer à recepção preparada pelos amigos para o receber.
Agora começo a entender porque é que as minhas pesquisas iniciais me levaram para o livro de António Cabral... porque ele relata a vida toda de Eça... tem inclusive um capítulo inteiro dedicado ao tal grupo de amigos literatos (os vencidos da vida) e deve conter lá para o meio do livro esta passagem ou parte dela. No motor de busca (na pesquisa inicial)  apenas coloquei a última estrofe e ele levou-me ao livro de António Cabral.
Não resisti e fui procurar de novo ao livro que te falei... e lá está ele, na página 159  :) 

Agostinho:

1.º caso - Eça de Queirós, O primo Basílio

Pelo estilo, referência espacial e tema soou-me um assobio e desci à cave onde tenho uma estante com livralhada a apanhar pó.

2.º Guerra Junqueiro, sim senhora,

Janita, as pedrinhas que colocou na vereda foram essenciais. Não sei qual a designação da obra.
Fui ao pai dos burros, ou melhor, à mãe - Web e Internete parece serem do género feminino. Sem aprofundar, julgo ter alcançado o graal. Trata-se de resposta negativa a convite para uma tertúlia promovida pelos malandros de 1870 no regresso do Eça de Paris. Pela leitura do poema se chega às circunstâncias que o motivaram. O Junqueiro estava a viver em Viana do Castelo (Éden do Lima), seria Governador e presume o temas que iriam ser discutidos.

Tenho dito.

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Acertantes no pleno:

Ricardo Lobo – Noname – Rui Espírito Santo – Afrodite -  Pedro Coimbra -Agostinho

Acertaram no nome e obra do primeiro Escritor e nome do segundo:

Catarina – Ricardo Santos – Papoila

Participação e comentários da Manu. 

A todos, de igual modo, e de todo o coração, agradeço a  participação,  boa vontade e espírito bloguista. :)

Obrigada a  TODOS!



Porque hoje é Domingo, vamos então dar início a mais um Passatempo. Desta vez não serão adivinhas, não serão perguntas complicadas nem nada que envolva ter de fazer contas. Irei publicar dois pequenos textos de duas obras de escritores portugueses. Desta vez, não terão que adivinhar coisa nenhuma.
Ou sabem, ou, caso não se lembrem, podem pesquisar como, de resto, é habitual e permitido, em todos os outros passatempos. 
A reedição, será feita na terça-feira, sem hora definida, mas sempre por volta das 22H00. 
Estes conhecidos escritores, fazem parte da Literatura Clássica Portuguesa.
O que se pretende saber: 

Qual o nome dos escritores e de que obras  se tratam?  

Como tem acontecido nos passatempos anteriores, as vossas respostas deverão ser enviadas para o seguinte e-mail.


   fgmncf@gmail.com

Nunca será demais repetir o quanto grata vos fico pela vossa disponibilidade em participar.  Para aqueles que estiverem de férias e não o possam ou não queiram fazer, fica igualmente a minha amizade e compreensão.
A TODOS o meu muito Obrigada.


"E barrando de manteiga grandes fatias de pão, pôs-se a falar complacentemente dos escândalos de Lisboa, a desdobrar o sudário: citava nomes, especialidades, as que, depois de terem «feito o diabo», gastam, numa devoção tardia, o resto de uma velha sensibilidade: que é por onde elas acabam, algumas é pelas sacristias!  As que, cansadas decerto  de uma virtude monótona, preparam habilmente o seu «fracasso» numa estação em Sintra ou em Cascais".
  
Escrevi uma carta a Cupido
A mandar-lhe perguntar
Se um coração ofendido
Tem obrigação de amar

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 2º
"Onze da noite. Chega o telegrama. Tudo
Já neste Éden do Lima é silencioso e mudo,
Astros e bacharéis, rosas e vereadores,
Na Assembleia a espadilha, e nos jardins as flores.
E enquanto que Vocês, hidrópicos de Ayala,
No fim dum Trimalcião-hiper, de grande gala,
Discutem – oh! Joviais, caóticos banzés! –
O Infinito, o Governo, a Via Láctea, os Zés
Luciano e Dias, o turbilhão de grandeza
Que vai por essa Europa e por essa Havanesa,
De Bismark a Burnay, de Moser a Renan.

Eu, numa santa paz ideal da Lourinhã,
Vou deitar-me e sonhar decerto – oh sonho lindo!
Que já no meu quintal tenho o ervilhal florindo."

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 Se se tornar mais difícil encontrar a resposta a este último texto, uma vez que o testei e não o encontrei na Net, dar-vos-ei uma pista, certeira, amanhã, ao final do dia.
Espero que gostem e se divirtam. :)

Um abraço a TODOS!! 

ADENDA: 14 de Agosto às 23h18

Crianças rotas, sem abrigo...
A enxerga é pobre e a roupa é leve...
Quarto sem luz, mesa sem trigo...
Quem é que bate no meu postigo?
    - A Neve!


A usura rouba a luz e o ar
E o negro pão que a gente come...
Inverno vil... Parou o tear...
Quem vem sentar-se no meu lar?
    - A Fome!


Lume apagado e o berço em pranto
Na terra húmida, Senhor!
A mãe sem leite... o pai a um canto...
Quem vem além, torva de espanto?
    - A Dor!


Álcool! Veneno que conforta,
Monstro satânico e sublime!...
Beber! beber.. e a mágoa é morta!...
Quem é que espreita à nossa porta?
    - O Crime!


Doze anos já, e seminua!
A mãe, que é dela?... O pai no ofício...
Corpo em botão d'aurora e lua!...
Quem canta além naquela rua?
    - O Vício!



A fome e o frio, a dor e a usura,
O vício e o crime... ignóbil sorte!
Ó vida negra! Ó vida dura!...
Deus! quem consola a Desventura?
    - A Morte! 


Sendo agora fácil identificar o nome do segundo escritor, gostaria que me dissessem o nome deste Poema. 

Obrigada! 


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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O POETA DOS POETAS.


Poeta de um livro só, dado que a sua curta existência não lhe deu tempo para mais, Cesário Verde, nasceu no mesmo dia e mês em que eu nasci.  Talvez seja essa afinidade, que me leva a identificar-me tanto com a sua poesia...:)
Este meu livro é de uma edição bastante antiga das Publicações Europa América, da colecção 'livros de bolso' desta editora. O Prefácio a cargo do crítico literário e seu grande amigo, Silva Pinto, daria tema para um outro livro. Contudo, por razões que desconheço, este poema que agora publico, não o encontro aqui, talvez por pertencer a uma edição posterior, pelo que fiz copy paste da net. Quem fala a verdade...



Eu e Ela

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distração,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros
Formando unicamente um coração. 

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

HÁ DIAS QUE AMANHECEM PARA SER TRISTES...

A mulher que há vários anos trata da qualidade da sua visão, através dos cuidados médicos que lhe prestam no Hospital de São João, deslocou-se hoje àquela unidade hospitalar para mais uma consulta de rotina.
Recordava-se bem da longa espera que teve de suportar na última vez que lá esteve. Saiu, por isso, cedo de casa. Coisa rara: o trânsito fluía alegremente, talvez por ser Agosto e estar tudo de férias. Ah, o querido mês de Agosto…

Chegou cedo, com cerca de quarenta minutos de antecedência. Logo à entrada teve uma grata surpresa: o pequeno, mas bem apetrechado bar da entrada, que havia sido retirado e não estava lá no ano passado em que esperou horas a fio pela consulta, sem mais nada para além das odiosas máquinas que fornecem bebidas e comida de plástico, lá estava; airoso e redecorado à maneira.

Logo ali, sorriu agradada pela surpresa. Mais ainda, quando reparou nos bonitos quadros expostos nas alvas paredes. Bonitos pensamentos emoldurados, enfeites floridos com rosas e outras flores, davam ao espaço um ar de saúde para a alma e para vista.  Sacou do telemóvel e começou a clicar deliciada. Que bonito post iria escrever …

Passou pelo segurança exibindo o documento comprovativo da consulta e lá seguiu pelo longo corredor em direcção ao serviço de consultas externas de oftalmologia. Tirou a senha e, quando chegou a sua vez, poucos minutos depois, já a funcionária da recepção  lhe dizia para aguardar. Sentou-se ao lado de uma linda e sorridente garotinha de quatro anos, com um nome lindo (?): Francisca. Soube-o, porque uma senhora sentada na outra cadeira, ao lado, lho perguntou, já que a personagem desta narrativa se havia embrenhado na leitura do livro que, desta vez, não se esqueceu de meter no saco.

Passado o tempo não mais do que o de ler duas páginas, e ainda antes da hora marcada, o médico, jovem e de ar afável, assomou à porta da sala de espera e chamou pelo seu nome. Incrédula, guardou apressadamente o livro. No interior da sala de consulta, mas na entrada, de sorriso nos lábios e mão estendida para um simpático cumprimento, o médico de barba negra cerrada, convidou-a s sentar-se.
 Sim senhora, estava tudo muito bem, a tensão ocular óptima , mas que se fosse mentalizando para uma nova intervenção cirúrgica à vista direita, sem urgência, mas daqui a mais uns anitos...

Ela, habituada a tagarelar com os médicos que antecederam este, desconhecido, ainda tentou encetar um diálogo. Com um sorriso, mas sem palavras, deixou-a sempre sem resposta. E não é que ela gostou dessa eficiência, calada, sóbria e competente? Adorou saber que, dali em diante, seria ele o seu médico assistente.
Quando, já de nova consulta marcada, seguia de regresso ao longo dos imensos corredores, constatou que poucos minutos passavam da hora para que esteve marcada a sua consulta. 
Que maravilha! Pousou a tralha, normal das mulheres, no parapeito de uma das janelas e resolveu telefonar para uma pessoa de família, que vive por ali perto para a convidar para almoçar. Poderíamos ir onde lhe apetecesse, ela que convidava teria muito gosto em pagar o almoço.
Que tinha chegado das compras, que não lhe dava jeito… mas então vou passar eu por tua casa e dar-te um abraço...Oh que pena, mas tenho de ir ao cabeleiro. A que horas?…ah…fazer madeixas…sem a deixar terminar a frase e já com o tom de voz um pouco ríspido: A que horas?... Bem…humm…daqui a uma hora…
Às vezes penso se terei escrito um T, de tonta, na testa.
Ok, para a semana começam as minhas férias e nessa altura combinamos qualquer coisa.

Tristonha, mas não derrotada, teve uma ideia: O neto…estava já de férias escolares, terminado o 12º com boas notas…estágio feito…quem sabe? – Sim, avó?…olha lá J, estou a sair do hospital…blá, blá, blá…e pensei…
Oh, avó, desculpa, mas já tinha combinado uma saída com a D (namorada).
Repete a resposta que havia dado antes…e uma sensação de abandono e vazio toma-lhe conta das entranhas.
Ao passar junto do bar, lindo, airoso e remodelado, já perto da saída, não olhou para as paredes nem para os bonitos quadros…
de todas as fotos, só esta lhe diz que deve ir com calma, sim, mas, hoje, sem Alma…




Saiu do hospital em passo lento, arrastando os pés, cabeça baixa, olhar fixo nas ‘alparcatas’…


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Já Fui Feliz Aqui. [ XXXIV ]





Pousada da Juventude - Almada -

Numa tarde de Inverno,
cinzenta, húmida
 e fria.

Sinto, mas não devia sentir, 
saudades
pois sei agora
o que naquela altura
não sabia.