terça-feira, 22 de maio de 2012

TRIÂNGULO AMOROSO.

Imagem recolhida na Net
Se alguém reclamar a sua autoria, darei os devidos créditos ou retirá-la-ei.

POEMA
(Matemático)


Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.


(Millor Fernandes)

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22 comentários:

  1. Adorei ler, Janita!

    Não conhecia, bela partilha.

    Beijinho,
    Ana Martins

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  2. Já conhecia
    e já fiz
    um dia
    uma brincadeira minha...

    Mas o Millor me envergonhou
    é inexcedível

    Fez bem em o editar
    é sempre bom o relembrar

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  3. Da genialidade nascem "coisas" assim!
    Eu conheço pouco do que ele escreveu, mas sei por fonte próxima que também vale muito a pena!!! Conheço sobretudo os seus CARTOONS!!!

    http://daduvida.blogspot.pt/2012/04/millor-fernandes-1923-2012.html

    beijos!

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  4. Amiga Janita tu lá vais descobrir estas coisas, mas minha querida tu nunca ouviste dizer que dois é bom e três é demais. Pois claro nunca poderia dar certo, a não ser que um deles ficasse debaixo da cama? Não está demais gostei de te ler, beijinhos de luz e muita paz na tua vida...

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  5. Estou farto de dizer isto: como é que querem que a malta se concentre no texto com imagens daquelas?!? Já o nariz vem cá em baixo e os olhinhos continuam pregados no início! Beijoca!

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  6. Minha querida Janita voltei só para te dizer que continua tudo na mesma, fomos falar com o médico e a resposta dele foi não está em lista de espera então tem de esperar.
    E assim vai a nossa saúde em Portugal, beijinhos querida pelo teu cuidado...

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  7. Janita:
    O Poema é magnífico mas...
    A imagem é excelente.

    Prometeu visitar-me um dia.
    Quando?...
    Um abraço,
    A. Sanches

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  8. Olá Janita!
    Matemática desta não chateia ninguém ao contrário da outra!
    Respondendo à tua pergunta, infelizmente não vou à Feira do Livro do Porto.
    A Editora não vai comparecer.
    Beijinhos e deixa lá que ainda nos havemos de conhecer, canudo!!!

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  9. Janita, o que a levou a pensar que eu ia de férias?
    Não vou, infelizmente.
    beijinhos.

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  10. Tenho essa guardada nos meus arquivos há uns tempos, Janite. É deliciosa.
    Beijos

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  11. Nunca lo había leído este matemático poema y lo encuentro subyugante.

    Saludos

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  12. O mal do quociente foi ter-se apaixonado por uma incógnita, que tarde tarde demais lhe satisfez a curiosidade, dizendo ser a hipotenusa. Sendo primos entre si, algo não ia dar certo.
    O Máximo Divisor Comum aproveitou-se da situação, reduzindo-a um Denominador Comum. Os catetos deixaram de suportar a hipotenusa e ela... estatelou-se...
    Bjis
    J

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  13. Olá, Janita.

    Espero que entretanto os "acontecimentos" se tenham desenvolvido num sentido favorável.

    Lembro-me, quando era miúdo, de esperar ansiosamente ao fim-de-semana pelo Diário Popular, onde o Millôr Fernandes escrevia a sua coluna humorística.

    Gostava particularmente dos "hai-kai", que tinham imensa piada.

    Beijos.

    ;-)

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  14. A minha pergunta é, porque sites andas tu para achares essas imagens... ahahahaha

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  15. Este poema é uma loucura total.
    Magnifico, verdadeiramente maravilhoso!!!!!!!!!!!

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  16. Ficou, apenas, por dizer que não reclamo a imagem, mas gostava de ter sido o autor da foto. Oh..se gostava....!!!

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  17. Olá, Janita!

    A hipotenusa é um encanto, e afirmá-lo depois do que todos atrás já disseram já não será mais de que um lugar comum... Já quanto aos catetos, são bem mais discretos,apenas lhe servindo de recosto...

    Explicada assim, a matemática torna-se um encanto; e este texto é uma delícia cozinhada com imenso talento, por alguém que infelizmente já partiu...

    Linda escolha; parabéns!

    Beijinhos
    Vitor

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  18. Para mim, este post é 2 em 1. Foca duas das minhas paixões: poesia e matemática.
    Ou a poesia da matemática?
    Ou a matemática da poesia?
    Ou a matemesia?
    Ou a poemática?

    Outra paixão: o questionamento permanente ;)

    Bjis :)

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  19. Janita, apesar de já conhecer, continua a fazer-me rir.

    Tenho pena de não ter os créditos da foto,sinal que era bem mais jovem :)


    beijinhos e bom fim de semana

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  20. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  21. A imagem foi muito bem escolhida. Reforço aqui a pergunta do Zé da Trouxa. eheheheh!
    Beijinhos.

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  22. Há quem não saiba fazer contas... e conte pelos dedos da mão.
    Seis?
    :)

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