sábado, 18 de abril de 2015

Sabedoria Sem Sobranceria.



Quadras Soltas:


Olhas p’ra mim e sorris,
Desdenhas dos meus tormentos:
Os gestos dos imbecis
mostram os seus sentimentos.






Com o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê em seu proveito?



Procurar o imprevisto
é próprio dos homens novos
e por isto, só por isto, 
lavra a discórdia entre os povos.

À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra
vendo a guerra em terra alheia
não querem que acabe a guerra.

Tenho fé nas almas puras
embora viva enganado,
Não troco esp’ranças futuras
pelas glórias do passado.


António Aleixo in Este Livro Que Vos Deixo


( Imagem da Net )

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33 comentários:

  1. Tenho este livro e tb sou fã do grande poeta do povo! : )

    «Não há nenhum milionário
    Que seja feliz como eu,
    Tenho como secretário
    Um professor do Liceu.»

    Referia-se ao grande Dr. Joaquim Magalhães.

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    1. Catarina.

      Tenho esse e o o outro, de inéditos, já editado após a sua morte, pelo filho Vitalino Martins Aleixo.
      Essa quadra foi dedicada ao Professor e Escritor, como reconhecimento pela ajuda prestada.

      Há muitos anos que sou fã incondicional desse grande poeta popular algarvio.

      :)

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  2. Olá janita.
    Melhor que o post e que estas belas quadras do Aleixo é "ver-te" de volta ! ... Bom sinal, certamente ! ... Espero nque já tudo esteja bem, minha amiga !\ :))

    Beijinhos ! :))
    .

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    1. Olá, Rui!

      Obrigada, pelas palavras de amizade e incentivo! :)

      Ainda não está tudo bem, mas o tempo e o acompanhamento farão o resto.

      Fechar-me ao "mundo" também não resolve nada. Pior, é o isolamento...vai daí...saí da toca!

      Beijinhos, Rui! :)

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  3. "Este Livro Que Vos Deixo" foi talvez dos primeiros livros que li. Meu avô citava-o, e talvez a quadra que mais repetia, uma autêntica lição de estratégia, ficou-me para sempre na ideia:

    O rato mete o focinho
    Sem pensar que faz asneira
    Depois, ou larga o toucinho
    Ou fica na ratoeira

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    1. Há lições que aprendemos em pequenos e nos ficam para a vida inteira, Rogério!
      Mas, como dizem que o homem põe e Deus dispõe, há estratégias que nem vale a pena colocar em prática...Até porque:

      "Diz que viver é sofrer...
      concordo! Mas não compreendo
      que ninguém ouse dizer
      quando se aprende sofrendo!"

      Beijinhos!

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  4. As quadras do António Aleixo estão cheias de sabedoria :)
    então essa da guerra, nem se fala !
    bom domingo Janita
    Angela

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    1. Sabedoria aprendida, vivida e sentida na pele, Angela!

      Quanto às "guerras", dividir para reinar é o lema de quem quer ascender ou manter o poder...seja ele qual for!

      Boa semana e obrigada! :)

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  5. O Aleixo era um excelente poeta popular. Também passou nos meus olhos quando era mais jovem e acho que tenho por aí um livro dele. A foto do busto, tenho-a de certeza, tirada no Jardim em Vila Seal de Santo António, no tempo das fotografias de papel !

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    1. Um dos melhores, se não o melhor, Ricardo!

      Como a fotografia foi sempre o teu hobby preferido, deves ter alguma foto dele tirada durante as tuas deambulações, por aí!! :)

      Beijo e boa semana!

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    2. Como disse tenho uma do busto do Aleixo, tirada no jardim em Vila Real de Santo António, mas em papel e nela também está a minha companheira. Mesmo que a tivesse digitalizada, não a iria mostrar.

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    3. Com certeza, Ricardo!

      A privacidade de imagem é um direito que assiste a qualquer um de nós, se assim o desejar!

      Obrigada!

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  6. Não deixamos morrer

    os nossos mortos
    Bela memória

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    1. Concordo, Mar Arável!

      Obrigada, beijinhos!

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  7. Amiga Janita, folgo em " ver-te " sinal que tudo está a correr bem o que me deixa feliz.
    António Aleixo conseguiu trabalhar as palavras ultrapassando a sua formação académica bastante rudimentar e as limitações da sua saúde. Uma situação a que se refere numa das suas ultimas quadras que deves conhecer:

    Quando em mim penso com calma
    E me compreendo melhor
    Bem merecia que a minha alma
    Tivesse um corpo maior

    beijinho e boa semana minha amiga

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    1. Amiga Fê.

      Há pessoas que nascem com o dom da palavra rimada, como de outra arte qualquer. António Aleixo teve uma vida de muitas privações e faleceu cedo, vítima de tuberculose.
      A sua alma era imensa e o corpo fraco e doente. Por isso, o admiro tanto!

      Beijinhos, minha Amiga!

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  8. Grande poeta é o povo!! Este escrevedor de versos tinha consigo toda sabedoria popular. As suas quadras são certeiras e intemporais. Bela escolha, Janita!

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    1. A sabedoria popular é um dom com que Deus presenteia os seus filhos dilectos, Graça!

      As quadras de António Aleixo tinham sempre um alvo, sim!

      Obrigada, e boa semana.

      Beijinhos

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Olá Janita, vou colocar aqui quadras que gosto, talvez interprete de forma diferente do autor, mas com a poesia temos essa liberdade.

      Eu não tenho vistas largas,
      nem grande sabedoria,
      mas dão-me as horas amargas
      lições de filosofia.





      Não sou esperto nem bruto,
      nem bem nem mal educado:
      sou simplesmente o produto
      do meio em que fui criado




      Após um dia tristonho
      de mágoas e agonias
      vem outro alegre e risonho:
      são assim todos os dias.



      A arte em nós se revela
      sempre de forma diferente:
      cai no papel ou na tela
      conforme o artista sente


      Talvez paz no mundo houvesse
      embora tal não pareça,
      se o coração não estivesse
      tão distante da cabeça.


      Abraço grande, boa semana

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    2. Olá, Argos!

      Parabéns pela escolha das quadras! Só não me lembro da última, que é, talvez, aquela mais verdadeira e intemporal...Gostei muito!

      Obrigada pela tua valiosa contribuição, que veio enriquecer em muito este post.

      Beijinho grande e boa semana.

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    3. Preferia um abraço grande....
      :-)

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    4. Então, aí vai o abraço grande, apertado e amigo! :-)

      *-*

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  10. Gosto muito de António Aleixo, enquanto poeta popular. Mas parece que como homem tinha um feitiozinho levado da breca... :)

    Beijocas

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    1. Ai, sim? Talvez a dureza da vida o tivesse tornado amargo e azedo, Teté!

      Vá-se lá saber, né? :)

      Beijocas ternurentas!!

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  11. As quadras do Aleixo são eternas, Janita.
    Beijinhos, boa semana

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    1. Como tudo o que pertence ao povo, Pedro!

      Sabiamente eternas!...

      Beijinhos, óptima semana.

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  12. Aleixo era um sábio.
    Um abraço e uma boa semana

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  13. Aleixo era um sábio.
    Um abraço e uma boa semana

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    1. Olá, Elvira Carvalho.

      Bem vinda a este cantinho!

      Temo-nos cruzado por aí, em blogues de amigos comuns, e nunca nos tínhamos encontrado, "frente a frente".:)

      Obrigada pela visita e comentário. Sinta-se em casa!...

      Beijinhos e boa semana.

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  14. Já sabia que António Aleixo faz parte de ti, dos teu gostos, quiçá do teu ser.
    E tu também sabes que ele faz parte de mim, do meu modo de estar.
    É com prazer que releio os seus versos que tanta verdade contém e tão actuais são.
    Aalém desse "Livro que vos deixo" outro há publicado: "Inéditos de António Aleixo" e que contrariam a ideia que a Teté deixou expressa.
    Beijokas rimando com sorrisos :))

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    1. Olá, amigo Kok! :)

      Já sentia falta da tua 'prosa...:)
      Gostei sempre muito de António Aleixo, não é só de agora. O "Inéditos de António Aleixo" , tenho-o aqui ao meu lado. Já foi editado após a sua morte, como disse num comentário acima, pelo filho do poeta.
      Acho que esta minha 'paixão' se deve ao facto de me identificar muito com a sua história e muito do que escreve. Infelizmente, não tenho a sua veia poética, apesar de amar a poesia.

      Só por curiosidade, e saber que também o aprecias, vou transcrever da página nº 15, este pequeno excerto:

      "Certo dia, um sujeito, a quem a veia fulminante de António Aleixo não agradava muito, interpelou o poeta a pretender saber quem era ele afinal...Ao que, num dos seus habituais improvisos, Aleixo respondeu, com toda a clareza e malícia:

      Fui polícia, fui soldado,
      Estive fora da Nação,
      Vendo jogo, guardo gado,
      Só me falta ser ladrão!...

      Era esta incrível capacidade de saber rir da sua "sina", que me prendeu desde muito nova, a este Grande Homem do Povo.

      Obrigada e uma grande e sorridente beijoka! :))
      '

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  15. Este algarvio faria muito melhor figura em Belém, do que a outra besta (também algarvio) está a fazer...

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