sábado, 30 de janeiro de 2016

Ó Mulher! Como és Fraca e Como és Forte!



A Mulher

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!



Sonetos de Florbela Espanca



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F E L I Z   F I M - DE - S E M A N A 
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29 comentários:

  1. Uma mulher que morreu muito nova e que sofreu bastante.

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    1. Quem ama sofre, Catarina,
      e Florbela foi uma mulher que quis 'amar, amar perdidamente...'.:)

      Beijinhos, boa semana.

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  2. Querida Janita, Florbela sempre nos encanta!
    Nas minhas aulas de poesia falamos muito sobre a Florbela Espanca, pois o professor é um admirador e estudioso da sua vida e obra.
    Uma mulher com uma vida atribulada, intensa e muito avançada para época.


    Um beijinho e bom fim de semana

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    1. Minha querida Fê.

      Não sei se te lembras, mas esse encanto desesperado que emana da sua poesia, um dia, há uns anos atrás numa fase menos boa da minha vida - se é que algum dia foi boa - tornou-me desencantada e "zanguei-me" com a Florbela.
      Fui mais tarde repescá-la e continuámos unidas no mesmo desencantamento que nos encanta.
      Quanto eu gostaria de estar aí contigo nessas aulas de poesia!

      Um beijinho amiga, tem uma boa semana.

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  3. Nunca li muito de Florbela e tudo o que li, gostei muito!

    Bom domingo Amiga Janita.

    Um beijinho

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    1. Com a Florbela Espanca não há meios termos, Amiga Flor. Ou se gosta ou se odeia.
      Engraçado que eu digo isto, mas tenho dias! :)

      Um beijinho, boa semana.

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  4. Adoro os poemas da Florbela Janita,
    uma mulher independente num tempo ainda difícil :)

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    1. Acho que nós, mulheres, todas sentimos na poesia da Florbela um eco do nosso âmago, nesta maneira tão nossa de sentir as coisas do coração. Os homens, não! :)

      Abraço, Angela.

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  5. «Eu sou a que no mundo anda perdida,
    Eu sou a que na vida não tem norte,
    Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
    Sou a crucificada ... a dolorida ...

    Sombra de névoa ténue e esvaecida,
    E que o destino amargo, triste e forte,
    Impele brutalmente para a morte!
    Alma de luto sempre incompreendida! ...

    Sou aquela que passa e ninguém vê ...
    Sou a que chamam triste sem o ser ...
    Sou a que chora sem saber porquê ...

    Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
    Alguém que veio ao mundo pra me ver
    E que nunca na vida me encontrou!»

    Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

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    1. Gosto muito deste Soneto, que se não estou em erro, se chama "Eu".
      As duas quadras dizem-me muito pouco. Quase nada.
      Os dois tercetos gosto muito e já os tenho espalhado por essa blogosfera afora incluindo o seu blog, amigo Rogério.
      Lembra-se, ou nem por isso?
      :-)

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  6. O meu avô conhecia o sobrinho dela.

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    1. A sério, Daniel?
      Pensei que a poetisa fosse filha única.
      Vou ter que pesquisar (a fundo) a vida da nossa conterrânea! :)

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    2. Afinal era primo.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Túlio_Espanca

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    3. Estive a ler sobre Túlio Espanca e compreendi de onde o teu avô o conheceu, Daniel!
      Interessante!

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  7. Muito triste e muito bonito...
    Beijinhos e bfsemana

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    1. Assim é a poesia de Florbela, Papoila. Bela e triste.

      Beijinhos

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  8. Ó mulher, como podes ser tão apaixonante e tão desesperante. Minha autoria... Beijoca!

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    1. Ó Rafeirinho, eu sei que o desespero é de tua autoria! :)

      Nunca esquecerei as tuas palavras de há quatro anos e meio atrás...O quanto sofres ao ter de comentar poesia!!
      Azar. Esperavas pelo post seguinte. :)

      Beijocas, boa semana!

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  9. Mulher, o princípio e o fim! e o centro também... rs

    beijo

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    1. Mulher, o cerne da vida e da morte. O centro onde tudo se concentra. Sem nós não haveria Vida...

      Beijinhos

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  10. Perdi os Meus Fantásticos Castelos
    Perdi meus fantásticos castelos
    Como névoa distante que se esfuma...
    Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
    Quebrei as minhas lanças uma a uma!

    Perdi minhas galeras entre os gelos
    Que se afundaram sobre um mar de bruma...
    - Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
    Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

    Perdi a minha taça, o meu anel,
    A minha cota de aço, o meu corcel,
    Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

    Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
    Sobre o meu coração pesam montanhas...
    Olho assombrada as minhas mãos vazias...

    Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

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    1. Ricardo.
      Consegues, sempre, trazer-me as coisas mais belas, mais intensas e que mais me dizem.
      Consegues, sempre, conhecer algo que eu nunca conheci, algo que nunca li e que sem o saberes, me enriquecem infinitamente.

      Obrigada, de coração.

      Um grande e terno abraço.

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    2. Não conhecia este Soneto dela. Gostei. Obrigada
      um beijinho e uma boa semana
      Gábi

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  11. Tal como a Gábi, não conhecia este soneto. :)

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    1. Todos juntos é que sabemos tudo, Luísa....:)

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  12. A grande Florbela Espanca sempre valorizando a Mulher e o Amor! Bela escolha, Janita!!
    Beijinhos e boa semana.

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    1. Obrigada, Graça!
      Pela Florbela que escreveu o poema e...
      por mim que - simplesmente - o escolhi! :)

      Beijinhos

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  13. Vim desejar-te bom fim de semana... e não podia passar aqui sem reler Florbela! A sua poesia diz-me muito ao ponto de por vezes nela "me perder".

    Bom fim de semana minha querida
    (^^)

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    1. E eu, ontem à noite ou já hoje, pois acho que passava da meia-noite, "perdi-me" no teu blog, Afrodite. :(

      Vi que tinhas publicado e fui lá ver-te e ler. Entrei na caixa de comentários, escrevi e quando ia publicar o comentário, a internet fugiu-me.
      Fui para a cama cheia de dores de cabeça e sem ter conseguido obter o acesso à dita cuja.
      Até fiquei com receio que tivesse apanhado algum vírus.
      A sério!! Havia um único comentário: o da Ematejoca.
      Nunca antes me tinha acontecido tal. De manhã foi logo a primeira coisa que vim verificar e «et voilá» .
      Que se terá passado?

      Um beijinho, querida amiga deusa e que tudo siga a teu contento.

      PS- Uma vez que vi gorada a minha intenção de te visitar, vou aguardar que voltes, de novo.

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