terça-feira, 4 de outubro de 2016

Quem Não Pode Ir...Manda Recado !




                                                               
Recado a Lisboa.

Lisboa, querida mãezinha
Com o teu xaile traçado
Recebe esta carta minha
Que te leva o meu recado

Que Deus te ajude Lisboa
A cumprir esta mensagem
De um português que está longe
E que anda sempre em viagem

Vai dizer adeus à Graça
Que é tão bela, que é tão boa
Vai por mim beijar a Estrela
E abraçar a Madragoa

E mesmo que esteja frio
E os barcos fiquem no rio
Parados sem navegar
Passa por mim no Rossio
E leva-lhe o meu olhar

Se for noite de São João
Lá pelas ruas de Alfama
Acende o meu coração
No fogo da tua chama

Depois leva-o p'la cidade
Num vaso de manjericos
Para matar a saudade
Desta saudade em que fico

Vai dizer adeus à Graça
Que é tão bela, que é tão boa
Vai por mim beijar a Estrela
E abraçar a Madragoa

E mesmo que esteja frio
E os barcos fiquem no rio
Parados sem navegar
Passa por mim no Rossio
E leva-lhe o meu olhar.




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31 comentários:

  1. Ó Janita, acho que não foi recado, veio por aerograma .))

    Beijinho em TU

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    1. Noname,
      mesmo por aerograma não deixa de ser um recado, mandado...e lindamente declamado! Adorava ouvir João Villaret. :)
      Até poderia ter sido de um soldado roído
      pela saudade, do Bairro onde nasceu.
      Quem sabe de um emigrante
      vivendo num país distante;
      mas afinal, este recado é só meu…:))

      Beijinhos e abracinhos, NN :)



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  2. Amiga Janita,

    Lisboa é a minha linda cidade natal!

    Aqui um recado de António Nobre,

    "À Lisboa das naus cheias de glória

    Lisboa à beira-mar, cheia de vistas,
    Ó Lisboa das meigas Procissões!
    Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas!
    Ó Lisboa dos líricos pregões…
    Lisboa com o Tejo das Conquistas,
    Mais os ossos prováveis de Camões!
    Ó Lisboa de mármore, Lisboa!
    Quem nunca te viu, não viu coisa boa…

    Ai canta, canta ao luar, minha guitarra,
    A Lisboa dos Poetas Cavaleiros!
    Galeras doidas por soltar a amarra,
    Cidades de morenos marinheiros,
    Com navios entrando e saindo a barra
    De proa para países estrangeiros!
    Uns pra França, acenando Adeus! Adeus!
    Outros pras Índias, outros… sabe-o Deus!

    Ó Lisboa das ruas misteriosas!
    Da Triste Feia, de João de Deus,
    Beco da Índia, Rua das Fermosas,
    Beco do Fala-Só (os versos meus…)
    E outra rua que eu sei de duas Rosas,
    Beco do Imaginário, dos Judeus,
    Travessa (julgo eu) das Isabéis,
    E outras mais que eu ignoro e vós sabeis.
    (…)


    Um beijinho pertinho de Lisboa :)

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    1. Querida Fê, há comentários que ultrapassam o post que comentam. Os teus comentários enriquecem sempre qualquer publicação. Obrigada! :)
      António Nobre, no seu livro "Só" escreveu poemas lindíssimos.

      Um beijinho grato até aí, pertinho de Lisboa.

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    1. ...…correndo de par em par
      lava a cidade de mágoas
      leva as mágoas para o mar

      Lava bancos e empresas
      dos comedores de dinheiro
      que dos salários de tristeza
      arrecadam lucro inteiro…"

      Grande e inesquecível Adriano Correia de Oliveira.

      Obrigada, amigo Eufrázio.

      Um beijinho grato.

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  4. Lindas fotos e recado! bjs tudo de bom,chica

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    1. Obrigada, querida Chica!

      Um beijo amigo, também para ti.

      ( fechaste o teu "Cuidando do nosso Canteiro interior", que eu seguia, mas irei ver-te noutro. )

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  5. O poema é sofrível (digo eu, leigo), mas sempre apreciei o declamador João Villaret.

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    1. Será por ser sobre Lisboa que o acha 'sofrível', José?

      Eu acho-o mais para o sofrido... E traz-me recordações, sabe?

      Beijinhos. :)

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  6. Sobre Lisboa
    escreveu Ary
    tanta coisa boa

    Deixo-te esta Janita
    que até é bem bonita

    Namorados da Cidade
    Namorados de Lisboa
    à beira-Tejo assentados
    a dormir na Madragoa.
    Namorados de Lisboa
    num mirante deslumbrados
    à beira-verde acordados
    namorados de Lisboa!

    Ao domingo uma cerveja
    uma pevide salgada
    uma boca que se beija
    e que nos sabe a cereja
    a miséria adocicada
    à beira-parque plantada:
    namorados de Lisboa!


    Sempre sempre apaixonados
    mesmo que a tristeza doa
    namorados de Lisboa!


    Namorados de Lisboa
    na cadeira de um cinema
    onde as mãos andam à toa
    à procura de um poema.
    Namorados de Lisboa
    que o mistério não desvenda
    até que o escuro se acenda.

    Namorados de Lisboa
    a apertar num vão de escada
    o prazer que nos magoa
    e depois não sabe a nada.
    Namorados de Lisboa
    a morar num vão de escada
    namorados de Lisboa!


    Sempre sempre apaixonados
    Mesmo que a tristeza doa
    namorados de Lisboa!

    Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

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    1. Amigo Rogério.
      Acerca de namorados e de Lisboa há tanta poesia! e quem melhor do que Ary para nos transportar para tempos em que o sonho era o alimento dos enamorados?

      Obrigada por me trazer estes namorados, dessa Lisboa que eu amo.

      Beijinhos.

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  7. Eu fui. Ainda há só dois dias. :)

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    1. Por isso os teus textos andam plenos de encanto e romantismo, Luísa...:)

      Beijos.

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  8. Ficaste apaixonada por esse local da "outra banda" Janita !
    Calculo que tenhas por lá passado um dia maravilhoso com o teu filho ! ... É que há dias que nos "marcam" mesmo ! :)

    Recordares João Villaret e o seu Recado a Lisboa foi lindo !
    Eu nunca perdia uma das sua noites de TV !!!

    Abração :)

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    1. Fiquei mais apaixonada pelo que da outra banda via, Rui! Embora goste muito da margem Sul do Tejo.
      Este dia, só nós dois, ficará guardado, para dele ir retirando o oxigénio, quando dele precisar.

      Obrigada, amigo Rui.

      Um abraçaço de 20 segundos. :)

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  9. ... ora aqui está uma bela "ode", a nossa Lisboa, onde nasci, mas onde não vivo. Para mim é a margem sul ...é de cá que gosto de ver o que por lá se passa.
    Talvez sejam mais de 20 anos que trabalhei lá...
    Admito que tem muito de belo, e uma grande riqueza histórica...mas...
    Beijo n´oteudoceolhar *

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    1. Maria, queres então dizer que vives na margem Sul? O meu filho também! :)
      Esse mas...bem, lá deves ter as tuas razões...

      Beijinhos, nortenhos!

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  10. Habituei-me a ouvir João Villaret desde menino.
    E fica para sempre.
    Beijinhos

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    1. Eu já era adolescente quando comecei a ouvir Villaret e as suas declamações através da RTP, Pedro.
      Há gostos que ficam para toda a vida.

      Beijinhos.

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  11. João Vilaret, a ponte, o Tejo e tudo.
    Cinco estrelas ... ou mais.

    Beijinhos

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    1. Obrigada, António.
      Não admira que gostes, pois se tu tens um pé em Almada e outro no Tejo. :)

      Beijinhos

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    2. Estou sempre do lado certo :)))

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  12. Respostas
    1. Vivas e a pulsar junto ao coração.

      Beijinhos.

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  13. Respostas
    1. ...menina
      Da luz que meus olhos vêem tão pura
      teus seios são as colinas, varina
      pregão que me traz à porta, ternura...

      Um beijinho, Manuel Veiga.

      Um duplo agradecimento.

      ( o Amigo Escritor/Poeta sabe porquê.)

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  14. Respostas
    1. Olá, Maria Sem Limites.

      Já somos duas a gostar de Lisboa!

      ( escreve-a sempre com L maiúsculo, Ok? ) :)

      Beijinhos

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  15. É necessário que o recado seja entregue!
    No Norte de coração mais para Sul.
    Conheci Vilaret muito tarde, mas sempre gostei e o ouvir.
    Lisboa só mesmo de passagem, mas o que vi, gostei.

    Beijinho Janita

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    1. E é Adélia, mas o que não tem remédio, remediado está.


      Um beijinho grande

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