quinta-feira, 23 de março de 2017

Já Fui Feliz Aqui [ XXVIII ]




Com o meu neto João numa fase adorável da sua idade, em que me deu tanta, mas tanta alegria e felicidade...




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quarta-feira, 22 de março de 2017

Da Dor e Do Pranto.




A Chuva Desce a Ladeira


A água da chuva desce a ladeira. 
É uma água ansiosa. 
Faz lagos e rios pequenos,

 e cheira a terra a ditosa. 

Há muitos que contam a dor e o pranto 
De o amor os não querer... 
Mas eu, que também não os tenho,


 o que canto, é outra coisa qualquer. 



(Fernando Pessoa)



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terça-feira, 21 de março de 2017

Das Estrelas.






Estrelas há muitas
Chaparros há mais
Estrelas de seis pontas
São como pardais
Voam e saltitam
Subindo e descendo
Um dia lá ficam
Lá ficam gemendo
Ninguém acredita
Pensam que é mentira
E a estrela lá fica
Esperando o milagre
Que nunca acontece
Na noite que cai
Da Lua que cresce
Caiu uma estrela
Diz-se que do céu
E na árvore ficou
Fruto sem sabor
Santa sem andor
E o mundo escurece





É favor clicar que isso é um link





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segunda-feira, 20 de março de 2017

ODE À PRIMAVERA

A vida anda possessa de Poesia!
Anda prenhe de mosto.
Ou é da luz do dia
Ou é da cor do rosto.
Ou então quer abrir-se, neste gosto
De pão com todo o sal que lhe cabia!

Tem narcisos de amor no coração
Folhas de acanto nos sentidos!
E carícias na mão

A espreitar dos tendões adormecidos!


Toca-se numa pedra, e ela treme.
Murmura-se uma prece, e a boca grita!
A rabiça do arado é como um leme
Sobre a terra que ondula e ressuscita.

Quem avoluma a sombra, ou quem a teme?
Cada presença é um hino que palpita
E se na estrada alguém discorda e geme
Ninguém que vai no sonho o acredita!



Serás tu, Primavera?
Tu, com frutos na rama do futuro
Com sementes nos pés
E flores inúteis sobre cada muro
Contentes só da graça que tu és!

(Poema de Miguel Torga)



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domingo, 19 de março de 2017

UM GRÃO DE TRIGO




        ORAÇÃO AO PÃO

( EXCERTO )


Com quantos grãos de trigo um pão se fez?
         Dez mil talvez?


Dez mil almas, dez mil calvários e agonias
     Todos os dias


Para insuflar alentos n’alma impura
           Duma só criatura


Antes que o mordas, tigre carniceiro
   Ergue-o na luz, beija-o primeiro


A humanidade é seara imensa em chão de areia,
    Que Deus recolhe e Deus semeia


E cada homem, quer o rei, quer o mendigo,
    É na seara de Deus um grão de trigo.





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quinta-feira, 16 de março de 2017

Antes Prevenir...

....Vá que a PrimaVera surge chuvosa, desgovernada e me desfolha as flores?




Ao ver o céu tão azul e as magnólias sorrindo para as azáleas, antecipei-me.





Certo é que já conheceram tempos melhores, em viço, beleza e esplendor... mas também eu já não sou o que era. E jardineiro não há!

Estas, não sei como se chamam.
Sabem?
 Aquela tampa, ali, também era escusado ficar a desfear o retrato. Mas, olhem, cada um mostra o que tem e há pouquinho não houve tempo para embelezar nem cortar o que não deveria mostrar. Nem sequer limpar as flores secas.
 Fotografei e vim numa corrida mostrar-vos estes pedacinhos de cor, antes que venha a chuva e estrague tudo.
Gostaram?

Adenda - Esta foto foi tirada hoje, um dia depois, com as flores da magnólia totalmente abertas. O poder  do Sol é incrível!!...Com  ele, tudo sorri e espelha alegria. :)




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quarta-feira, 15 de março de 2017

Das Recordações.



Ele deixava atrás tanta recordação!
E o pesar, a saudade até no próprio chão,
Debaixo dos seus pés, parece que gemia,
Levantava-se o sol, vinha rompendo o dia,
E o bosque, a selva, o campo, a pradaria em flor
Vestiam-se de luz, como um peito de amor.



A  foto é da autoria do meu Amigo MFC, que abandonou a blogosfera, mas deixou as portas abertas para que o possamos revisitar, sempre que a saudade bater mais forte.

Obrigada, Manel!




As rimas emparelhadas são de:         
 (Alberto de Oliveira)  


De verdadeiramente meu este post tem: o pensamento, as emoções, a saudade e as recordações!!


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terça-feira, 14 de março de 2017

Não te Esquecemos e Continuamos a Gostar de Ti, Nicolau!

Faz hoje um ano que Nicolau Breyner abandonou o palco da vida.

"Quero que me recordem com um sorriso" , disse numa entrevista no 'Alta Definição' .  Assim o quero recordar, hoje, e sempre!




mas fazes-nos muita falta, meu inesquecível conterrâneo.




Até Um Dia, Nico.

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sábado, 11 de março de 2017

Sabe o Que é Estar Mal-Maridada?...


...quer aprender a musicalidade das diferentes pronúncias das ilhas do Arquipélago dos Açores?

Então, vamos aprender e divertir-nos, aprendendo com quem sabe!! Bora lá...:)


                                          

O mê pai é  trovador
Minha mãe é cantadera
Ê sô filho deles ambos
Canto da mesma manera


Quem é que sabe dizer em que ilha ou freguesia
se canta assim? 
É muito fácil, basta verem o vídeo e estarem atentos
ao que nos ensina o Professor:
Victor Rui Dores. 





quinta-feira, 9 de março de 2017

Céu Sem Nuvens, Não é Céu.



Céu sem nuvens não é céu!
Pode ser o azul de um objecto qualquer.
Tela, porta, parede
ou ombreira de janela.


Hoje, foi assim que vi o meu
Eu gosto do azul do Céu
mas com desenhos de algodão


para que possa sonhar,
imaginando cordeirinhos, anjinhos
e que outras coisas serão...
senão…não!







  ☀ ☀ 

quarta-feira, 8 de março de 2017

HOJE, COMO N'OUTRO DIA QUALQUER...

...SOU MULHER!!


                                     



terça-feira, 7 de março de 2017

A VOZ DO MAR.


O Artur sentiu sobre a orelha uma coisa muito fria, com um som...
- O que é, mãe?
- Não ouves?
Sim, ouvia. Era um som pesado lá ao longe e que depois vinha, vinha e subia, e que depois se tornava mais brandinho, para logo voltar a vir de longe. Parecia música, mas não era bem música. E talvez fosse. Bom, não seria bem música.
- O que é, mãe? - Voltou a perguntar. - Que barulho é este?
- É o mar... É a voz do mar...
- A voz do mar?!
- O mar fica longe, mas a voz meteu-se aí dentro. Isto é um búzio.
- E onde nascem os búzios?
- No mar.
-Então é por isso que se ouve...
- Pois é. As ondas fazem um barulho assim quando se ouvem ao longe. E a gente está longe. Não ouves a voz que lá vem?
- Oiço.
- E depois quebra-se assim como as ondas na areia.
- Então isto é o mar? O mar é o oceano. No mapa chamam-lhe oceano. Parece que há vários... Eu já ouvi aos que andam no quarto ano: é o Oceano Atlântico, o Oceano Índico...
- Não achas que mar é mais bonito?
- Pois é, mar é muito mais bonito.
De repente, fechou os olhos e juntou as duas mãos sobre o búzio, apertando-o contra o ouvido.
- Agora deve ser um navio que lá vem. É mesmo, é, é um navio...
A mãe aproximou o ouvido, desviando o lenço.
- Não ouves?
Não, a mãe não ouvia. Mas o importante para ele era ter o mar apertado entre as mãos. Lá vinha uma onda...e outra...



Alves Redol, Histórias Afluentes 


[ Texto repescado de uma publicação de 2013 ]



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domingo, 5 de março de 2017

ESTRELA DA TARDE.

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia 
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
 
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
 
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
 
E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
 
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
 
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.
 



       
        


Imagem recolhida na Net


Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram 
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
 
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
 
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.
 
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
 
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
 
Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram
 
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram.
 


       
Meu amor, meu amor 
       Minha estrela da tarde
 
       Que o luar te amanheça
 
       E o meu corpo te guarde.
 
       Meu amor, meu amor
 
       Eu não tenho a certeza
 
       Se tu és a alegria
 
       Ou se és a tristeza.
 
       Meu amor, meu amor
 
       Eu não tenho a certeza!
 



Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto
 
É por ti que adormeço e acordado recordo no canto
 
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
 
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
 
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
 


Ary dos Santos, in "As Palavras das Cantigas"

[ Este poema é, quanto a mim, o mais belo poema na história da Poesia Contemporânea ]

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sábado, 4 de março de 2017

Até Sempre Querida Amiga.

Ainda me encontro em estado de choque. 
Apercebi-me da perda desta Grande Mulher /Amiga,  através da publicação num blog do nosso blogobairro.
Esta é a minha homenagem, a única que me ocorre neste momento de consternação profunda.





"Esta foi uma das últimas fotografias que tirei nas férias de verão, assim em jeito de despedida. Por acaso, lembrou-me um pequeno episódio da minha juventude, que se conta assim numa penada: fui a casa de uma amiga e, estávamos as duas em amena cavaqueira, quando a mãe a chamou para lhe ir fazer um recado; ela pediu-me para esperar e espetou-me com um livro de poesia nas mãos; à falta de melhor, fui folheando e lendo aqui e ali até que encontrei este poema:"

"Nunca encontrei um pássaro morto na floresta

Em vão andei toda a manhã
a procurar entre as árvores
um cadáver pequenino
que desse o sangue às flores
e as asas às folhas secas...

Os pássaros quando morrem
caem no céu."

José Gomes Ferreira 
(1932)

"Como então, ainda hoje afirmo que não aprecio poesia, mas desde esse dia sei que não é inteiramente verdade - há poemas, como este, que me cativam imediatamente pela sua simplicidade."



Lembras-te quando falaste na caricatura do teu livro de curso, referindo até o nome do caricaturista, que neste momento não me ocorre, e eu te pedi para a publicares? Pedi-te autorização e trouxe-a para o meu arquivo. É com esta doce recordação que te quero agradecer tudo o que de bom nos deixaste. 
                                            Até sempre Querida Teresa. Descansa em Paz. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Da Sensualidade.

O poder de encantar 
ondulando o corpo 
é como um vendaval

                         ou como um suave sopro,
                         de uma leve brisa que passa,
                         um lamento, um chamamento.

Não se enfeitiça quem quer
apenas quem quer viver
o feitiço de um momento... 



                                                         


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