sábado, 30 de junho de 2018

Um Dia...



Um dia, quando for bem velhinha, coisa assim para mais, muito mais de oitenta anos, vou realizar o meu sonho de menina:
Fujo de casa!


Fotografia minha, óbvio!!

Só que a passagem do tempo, impiedoso, alterou o destino sonhado. O mundo já não será o meu destino.

Vou levar comigo uma cadeira leve, desdobrável, e sento-me de frente para a Igreja de Santa Maria, ainda mais velha e decrépita do que eu.

A Morte, que chega sempre pontualmente, em hora incerta, irá encontrar-se comigo, pois será lá que a irei esperar. Só desejo que ela, a inconstante, a louca, não faça vista-grossa…e me ignore. Isso seria o meu fim!! 



[ Texto vagamente idealizado a  partir do poema de Mário Quintana: "Gare de Astapovo", este, por sua vez, inspirado na morte de Leon Tolstoi. ]



B O M    F I M – D E – S E M A N A. 





21 comentários:

  1. Respostas
    1. Grata pela visita, Mar Arável.

      Beijo.

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  2. Não precisas marcar encontro com ela, a desgramada encontra-te em qualquer sitio, a qualquer hora.
    Mas gostei do esperar sentada ahahahahah

    Beijo em TU sua doida

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    1. É justamente isso que não quero, NN.
      Não lhe dou o gostinho de me apanhar desprevenida...:)))

      Beijocas, moça. :)

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  3. É caso para pensar e desviar caminho :))

    Bjos

    Um óptimo Sábado

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    1. Engana-se, Larissa.
      Para essa não há atalhos que nos valham. :)

      Beijos.

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  4. E não estamos todos à espera dela? :)
    Mas ao pé de uma igreja porque? Para ser mais rápido? 😏

    Ok, 80 e muitossssss falta muito ainda 😏
    Beijinho Nita

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    1. Não estamos à sua espera Mena...sabemos é que ela virá.
      Mas, como sou retorcida, sou eu que quero ir ter com ela-

      Eu satisfaço a tua curiosidade:- Se tivesse uma fotografia de um campo de nabos e não me ocorresse um texto para ela...sentava-me de frente aos nabos. Ehehehehe

      Beijinhos, moça bonita!! :)

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  5. Há pessoas que esperam sentados, à fresquinha, nos bancos dos jardins, ou das avenidas :)
    mas frente a uma igreja, também talvez não seja má ideia ! sempre dá para rezar uma pai-nosso sem parecer muito tótó!
    bom fim de semana Janita
    beijinho
    Angela

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    1. Ehehehehe...agora fizeste-me rir a bom rir, Ângela!

      Pois, é isso. :))

      Beijinhos e bom Domingo Ângela.

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  6. Hmmm deixe lá estar a morte quietinha, que já tive 2 têt à têt com ela...Todos os dias me lembro. É do que temos mais certo, mas, recuso-me!! :/

    Beijos. Bom fim de semana!

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    1. Pelo visto nesse face to face, foi a Cidália que a fez ir pregar para outra freguesia.
      Grande mulher, a minha amiga é.

      Beijos

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  7. :) Belíssima a adaptação, Janita !!!
    ... mas olha que eu não estou por esses ajustes. :)))
    Qual quê, qual carapuça ?... Esperar sentado, nem penses ! Estarei atento e irei fintá-la como já fiz por duas vezes !!! eheheh
    Eu sei que ela se irá aproximar, mas quem fará vista grossa serei eu e não será quando ela quer, mas quando eu estiver de acordo !
    Até lá, ela não terá tarefa fácil, que eu não quero ! eheh
    Ela virá por um lado e eu esgueiro-me pelo outro !

    Beijos e bom Domingo ! :))

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    1. Acredito, Rui...acredito. :)) És menino para isso!
      Mas eu, lá pelos oitentas e muitos já estou mais do que cansada e farta de aqui andar. Vou esperá-la no adro da Igreja Matriz da minha terra, onde corri e saltei.

      Beijinhos, bom Domingo. :)

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  8. É um texto que não conhecia e de que não gosto muito. Não gosto de falar na morte. Não por medo, mas porque sendo ela a coisa mais certa que todos temos desde que nascemos, porque raio me hei-de atormentar a pensar nela.
    Um abraço

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    1. Não me leve a mal, Elvira, mas vou inverter a pergunta:

      Se a morte é certa e todos sabemos que existe e um dia nos tocará à porta, porque razão devemos meter a cabeça na areia e fingir que lhe desconhecemos a existência?...

      O texto é meu, escrevi-o na hora, não poderia conhecê-lo. O poema que cito,é, quanto a mim, muito belo e retrata de forma poética a fuga de casa de Leon Tolstoi, o autor de 'Guerra e Paz'(como muito bem sabe).
      A vida despojada de comodidades que levou após a fuga e a idade avançada, levaram-no a contrair uma pneumonia que o vitimou na estação de Astapovo, na Rússia.
      O que Mário Quintana escreveu é muito, muito interessante.
      O que eu escrevi, em tom um pouco irónico, é uma espécie de brincadeira comigo mesma.
      Lamento não me ter feito entender por uma pessoa tão entendida em tudo.

      Obrigada, um abraço e bom Domingo! :)

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  9. Eu é que não me soube expressar. Não sabia que o texto era seu, mas podia ter sido escrito por qualquer escritor famoso, para mim era o mesmo. Não gosto de ler textos que relatam a morte, assim como uma coisa que se espera e deseja. Recorda-me o meu pai que sempre dizia que sabia que a morte havia de vir mas de vontade nunca o levaria. E levou o último mês de vida a pedira a todos, primeiro a mim que o estava a tratar, depois às enfermeiras no hospital que o deixassem morrer. Até ao ponto de durante a noite, desligar ele mesmo o suporte de vida e deixar-se ir. Uma coisa é uma pessoa estar doente, ou sofrer um acidente e morrer. Outra coisa diferente uma pessoa estar à espera dela. Lamento se a aborreci. Não era minha intenção. Mais uma vez as minhas desculpas.
    E está muito enganada. Eu não sou entendida em coisa nenhuma. Às vezes nem em mim mesma, quanto mais no que me rodeia.
    Um abraço e bom Domingo.

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    1. Creio que uma vez mais não me entendeu, Elvira.
      Assim como creio que a Elvira está a levar esta metáfora, - a minha espera da morte, sentada - muito a sério...:)
      Eu não disse que ia ao seu encontro, pois não? Ou seja, não falei em suicídio, falei em algo que, afinal, todos esperamos, uma vez que ela é certa! :))

      Por favor, não peça desculpa, Elvira. Acho muito natural que haja pontos de vista discordantes, porém, a falar é que as pessoas se entendem. Apenas isso. O que nem quer dizer que se chegue a acordo;- mal iria o mundo se todos pensassem da mesma maneira. Por outro lado, poderia até contrapor que, não gostando de falar na morte, a evoca inúmeras vezes, nos seus contos. Mas não o farei...

      Continuação de óptimo Domingo.
      Um abraço.

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  10. Fugir de casa para um encontro com a morte? Oh não. Melhor pensar que fugimos dela... :)

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  11. Parece que és Bruxa!

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