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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Salvar a Humanidade.



 
Sonhei com um país onde todos chegavam a Mestres. Começava cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha à escuta do universo; em seguida, fabricava desde a matéria prima o papel onde ia assentando as confidências que recebia directamente do universo; depois, descia até ao fundo dos rochedos por causa da tinta negra dos chocos; gravava letra por letra o tipo com que compunha as suas palavras; e arrancava da árvore a prensa onde apertava com segurança as descobertas para irem ter com os outros. Era assim que neste país todos chegavam a Mestres. Era assim que os Mestres iam escrevendo as frases que hão-de salvar a humanidade.

Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade.

 
(Extracto de um texto de Almada Negreiros)
 
 
 

Adenda: Agendei este post para as 08:00 de hoje, já tarde de madrugada. Por um lapso, do qual peço desculpa, não fiz referência à autora desta pintura: Sarah Afonso! Companheira, mulher e mãe dos filhos de Almada Negreiros. Como gosto muito deste outro  auto-retrato, alargado à sua família, onde figura com o marido e o primeiro filho, aproveito o ensejo para vo-lo apresentar. Obrigada e desculpem a minha falha!