Fecham-se os
dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os
olhos donde corre a vida.
Porquê
esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que
a angústia que nos é devida?
Antes
aproveitar a nossa herança
De intenções
e palavras proibidas.
Antes rirmos
do anjo, cuja lança
Nos expulsa
da terra prometida.
Antes sofrer
a raiva e o sarcasmo,
Antes o
olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que
estrangula, a voz que grita.

