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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Da Felicidade Com a Ventura Alheia.


“Entre tanta miséria e tantas coisas vis

Deste vil grão de areia

Ainda tenho o condão de me sentir feliz

Com a ventura alheia.”


(…)




A que propósito vem esta estrofe, transcrita do livro que a imagem mostra?
Eu explico, num resumo mui resumido:
Após uma longa conversa telefónica com uma familiar, e ainda na sequência de outra longa conversa, pessoal, versando o mesmo tema que mantivemos no sábado enquanto degustávamos um saboroso estufado de língua de vitela, tive o prazer de constatar da alegria, inopinada, e tão gratificante, por ver a sua solidão de mulher só a quem a vida madrasta fez perder dois maridos que a fizeram tão feliz, o último há pouco mais de um ano, logo agora que tanto necessitava de um pouco mais de cor que lhe colorisse o cinzento dos seus dias...Sim, apesar da universidade sénior, dos quatro filhos, dos seis netos, das duas bisnetas e da missa dominical,  fica sempre tempo por preencher.
Pois bem, essa vida madrasta, por obra do acaso, ou talvez nem tanto, colocou ao seu ouvido a voz de um namorado que não via nem ouvia há cerca de sessenta anos. 
Ah, agora sim...o reviver das velhas emoções do primeiro amor, fazem bater mais forte aquele seu velho coração. E chora e ri, qual adolescente, enamorada pela lembrança de um jovem que, actualmente, ronda ou ultrapassa os oitentas, mas que ela ainda não viu a imagem e teme ver. Apenas porque também ela se vê com dezasseis anos.
E eu, que conhecia a história antiga, digo que sim, dou o meu aval, fico feliz com esta ventura de alguém que não me é tão alheio quanto isso.
Não há dúvida que, enquanto houver vida, tudo pode acontecer!
Aos outros... Vida madrasta!!! 

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