Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
D’ura cousa confio e desconfio.
Voo sem asas;
estou cego e guio.
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.
Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo.
Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.
Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo.
Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!
Soneto
de Luís Vaz de Camões
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Como nunca vos tinha oferecido selinhos alusivos ao meu blog, lembrei-me de vos deixar esta imagem. Ficará ao vosso critério levá-lo, ou não, para os vossos cantinhos. Foi com carinho que o idealizei e com muita amizade que vo-lo ofereço. Devo dizer-vos que me sinto um pouco sem jeito, já que não tenho muita habilidade para estas coisas!...
Beijinhos e desejo-vos um excelente fim de semana.
Janita.
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