O Nosso Desejo de Liberdade Não é
Sincero
Se
estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios,
menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou
para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se
conhecessemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita
tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projecção ou como sendo
realmente a projecção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro
oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos
ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios,
reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco
lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem
ajustados, facilmente etiquetáveis.
Agostinho da Silva, in 'Sobre as Escolhas'
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| Fotografia de um Amigo |
Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar
Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de febre a
arder
Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem
quando um homem se põe a pensar
Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
