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terça-feira, 5 de junho de 2018

ESTOU VOLTANDO....

...Devagar, devagarinho...retomarei as lides blogosféricas e as visitas aos vossos espaços. Acabei de chegar. Mas não venho só. Trago-vos alguns retalhos das paisagens e lugares que me alegraram os olhos e aquietaram a alma.

Agradeço a todos quantos se mostraram preocupados comigo, tanto aqui no meu espaço, como por outras vias. Um grande bem-haja, do fundo do coração. 




Gostariam de viver nesta casa? Eu, também!
Neste Paraíso vivem uns amigos, que tive o prazer de rever após longos anos.

A fotografia de cima, foi tirada a partir daqui. 


Para vos alegrar a vista, deixo-vos, por ora, com esta lindeza de rua enfeitada de lindas flores. Há lá coisa mais bonita? Claro que não há!

Abraços e sorrisos meus!! :-))


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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sem Palavras!...


Imagem da Net
Àquela hora, no quarto piso do Centro Comercial, os corredores estavam desertos e quase todas as lojas tinham colocado a tabuleta virada para o exterior, com a indicação: “Volto já”. Como é sabido do lado oposto estava escrito “Aberto”. Nunca percebi porquê, já que quando uma loja está aberta a porta também está, mas era e parece que continua a ser assim!...

A hora era aquela a  que, habitualmente, os lojistas iam almoçar. Naquele tempo ainda não havia um único piso destinado exclusivamente à alimentação. Em quase todos os quatro pisos havia um pequeno restaurante e no sétimo piso, a contar vindo do céu, já que era o último para quem estacionasse no parque do Centro, havia um 'Pão Quente'.
O piso a seguir era o 4º em que me encontrava, a pensar que não sentia apetite suficiente para ir almoçar um prato do dia num qualquer restaurante, mas também não sentia vontade de comer a habitual sande americana de que o Pão Quente do 7º era especialista.

De súbito, vi que na porta da pequena loja de lãs e peças de malha que vendia e eram  confeccionadas por mim, se perfilava uma figura estranha. Um homem que apareceu vindo do nada, olhava-me em silêncio. Não entrou, mas o seu corpo ocupava todo o espaço da porta aberta. O coração disparou-me loucamente, parecendo querer saltar-me pela boca, pois o aspecto sujo e andrajoso do homem deixou-me meio morta de medo. E se ele entrasse e tentasse fazer-me mal?
Não conseguia raciocinar nem sequer articular a pergunta sacramental: ”Deseja alguma coisa”?... Nada! Da garganta seca, não saía som algum. Por uma questão de segundos, que me pareceram séculos, ficámos ambos a olhar-nos olhos nos olhos. Os meus deviam reflectir um medo irracional, mas os dele… como me lembro bem… eram de uma tristeza infinita! Sem pronunciar uma única palavra nem sair do mesmo sítio, ele estendeu o braço, virou a mão para cima, e, na palma da mão, calejada e suja, estava uma pinha pequenina. A pinha mais perfeita e redondinha que alguma vez tinha visto.
 
ESTA FOI A IMAGEM MAIS PARECIDA QUE ENCONTREI MAS,
 A MÃO NÃO ERA ASSIM E A PINHA ERA SÓ UMA,
 MUITO MAIS REDONDA E PERFEITA. COLOCADA NA PALMA DA MÃO
 
Saí detrás do balcão agarrei a pinha e fiquei a olhar incrédula, ainda com as pernas a tremer. Quando levantei os olhos, o homem tinha desaparecido. Com a rapidez que me permitiam as pernas ainda trementes, vim ao meio do corredor, olhei para todos os lados e não vi vivalma, nem sequer a empregada da loja de artigos de desporto que ficava em frente e era a única pessoa que poderia também ter visto o homem, se apercebeu de nada.

Não foi delírio nem alucinação, a pinha pequenina foi vista pela minha amiga Fernanda que era, nessa altura, empregada numa  loja de antiguidades no mesmo piso, mas ao fundo de outro corredor, pela minha filha quando no fim do dia veio ter comigo vinda do Liceu Rodrigues de Freitas, para irmos juntas para casa, e por mais pessoas. Guardei-a durante muitos anos entre os meus pequenos tesouros, mas um dia não a encontrei e nunca mais a vi.

Perdi-a e não sei como.

O que ainda hoje me dói é não ter tido tempo nem reacção, para lhe dizer um simples “Obrigada”, e ter sentido medo de alguém, apenas porque tinha o aspecto sujo e desleixado de quem vivia, provavelmente, sem abrigo.

Isto aconteceu comigo em meados dos anos oitenta, no Centro Comercial Dallas, situado na Avenida da Boavista e na altura do seu apogeu.  

Quem me dera poder voltar atrás no tempo! Quantas perguntas sem resposta, ficaram por fazer. Quando menos esperamos algo nos traz o passado de volta, toma conta de nós, deixa-nos um sabor amargo de tanta coisa que poderíamos ter feito e por cobardia não fizemos.

 
                                         
Porque hoje me deu para as amargas recordações, quero dar um ar alegre a este post.
Há músicos de rua excepcionais! Este jovem é um deles, Apreciem!...