quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Nossa Veneza É Tão Bela...



Navegando p’la Ria
 vão os moliceiros
Vogando p’los canais
 vão turistas aos magotes
Há brilho de espanto
 e alegria nos seus olhos
E eu, olhando-os, sorrio,
 orgulhosa e feliz;
Estou na minha terra,
 estou no meu País!






Este é mais um registo da minha passagem por Aveiro,
 a caminho do Sul. 

:)

domingo, 4 de setembro de 2016

Uma Sombra de Mim...



Não quero ser esta sombra.
Nem sequer sombra quero ser.

Olho-me e não me reconheço.
Recuso ser uma sombra
De quem fui e não sou mais.

Vou fugir da minha sombra
Em busca de claridade.


Ah, agora sim…
Tudo fica luminoso.

O Rio? A Ponte?
Mas, para onde fugiu
 a tão esperada grandiosidade?

 E eu?
Rio de mim ou do medo
Da dolorosa saudade?

Na verdade, rio de mim, sim;
E também para disfarçar uma certa nostalgia…




  

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

ESTÁ-NOS NO SANGUE...

...o amor pelo Mar e pela Poesia!


No passeio de uma rua, numa localidade do centro do país, conhecida pela planura da sua condição geográfica, vi três coisas que me chamaram a atenção e me fizeram parar: uma bicicleta, meio de locomoção muito usado naquela zona, provavelmente até seria uma BUGA, a típica calçada portuguesa e o toque sublime, que me comoveu e fez captar aquele trio delicioso. Em poucas palavras alguém havia registado, numa cadeira, onde ninguém ousaria sentar-se, nem eu, apesar dos pés doridos, um bocadinho do sentir do nosso Eugénio de Andrade. Aqui vos deixo um pouco mais daquele belo poema, que todos vós bem conheceis...


 (…)

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão, crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


(…)


 Decididamente, nós, Portugueses, temos o Mar e a Poesia na Alma. Não há volta a dar...E ainda bem!


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

DA BREVIDADE DA VIDA.

Amor- Tela de Gustav Klimt



Bilhete

Se me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa-em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem
devagarinho,
que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda

(Mário Quintana)




domingo, 21 de agosto de 2016

Já Fui Feliz Aqui. [ XX ]

Enquanto as férias, de verdade, não chegam...
...vou recordando outras férias!!





Cartagena - Espanha -


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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É SÓ MIMO...:)




A pedido de alguém
 a quem quero bem,
vou mudar o post.

Não quero que ensandeça
nem sequer que se aborreça.


Está bem assim?




quinta-feira, 11 de agosto de 2016

QUASE SANDICE.


           “Le Moulin de la Galette” óleo sobre tela by Vincent Van Gogh.



"Desocupado leitor! 
Não preciso de prestar aqui um juramento para que creias que com toda a minha vontade quisera que este livro - (blogue) - como filho do entendimento, fosse o mais formoso, o mais galhardo e discreto que se pudesse imaginar: porém, não esteve na minha mão contravir à ordem da natureza, na qual cada coisa gera outra que lhe seja semelhante; que podia portanto o meu engenho, estéril e mau cultivado, produzir neste mundo, senão a história de um filho magro, seco e enrugado, caprichoso e cheio de pensamentos vários…? "

                         (...)


Deixo à imaginação dos meus parcos, mas muito estimados, leitores, o nome do notável escritor/autor deste excerto do Prólogo de um romance muito conhecido.

Atenção: isto não é um enigma. Somente faço a observação porque estou a usar palavras que não são minhas, sem revelar a identidade do autor.

Por ora, não me sinto com capacidade para lutar contra moinhos de vento e, assim sendo, irei deixar este meu mui simples e despretensioso espaço, repousar, esperando dias de melhor  e mais profícua inspiração. 

A todos os Amigos/Leitores, que por aqui passarem, deixo o meu grato abraço de Amizade.

Até...JÁ!!




terça-feira, 9 de agosto de 2016

SEM PALAVRAS...

...........MINHAS.

PODEM ESCREVER O QUE QUISEREM...UFA!!!



IMAGEM ENCONTRADA POR AÍ.



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domingo, 7 de agosto de 2016

COMIGO AO DOMINGO...[ V ]

«Melancolia», óleo sobre tela - Edvard Munch -



Quatro letras nos matam quatro facas 
que no corpo me gravam o teu nome. 
Quatro facas amor com que me matas 
sem que eu mate esta sede e esta fome. 

Este amor é de guerra. (De arma branca). 
Amando ataco amando contra-atacas 
este amor é de sangue que não estanca. 
Quatro letras nos matam quatro facas. 

Armado estou de amor. E desarmado. 
Morro assaltando morro se me assaltas. 
E em cada assalto sou assassinado. 

Quatro letras amor com que me matas. 
E as facas ferem mais quando me faltas. 
Quatro letras nos matam, quatro facas. 



( “As Facas” Soneto de Manuel Alegre in “Obra Poética” )





                                            





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O MEDO DE NÓS PRÓPRIOS.

 Retrato de Adele Bloch-Bauer, by Gustav Klimt (1907)


Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expressão, pensamento, realidade, a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helénico.

 Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na auto negação que nos corrompe a vida.
 Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. 

O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. 
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe
Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. 

Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo. 



Oscar Wilde, in “O Retrato de Dorian Gray”






quinta-feira, 4 de agosto de 2016

ALENTEJANOS...NO BANHO!

IMAGEM DA NET

Grita o alentejano para a mulher:
- Ó Maria, prepara-me uma roupa que eu quero tomar banho p'ra depois ir tratar dos negócios!

A mulher prepara a roupa e põe-na na casa de banho. O homem vai tomar banho, põe a água a correr e grita, de novo: - Ó Maria, traz-me lá o champô!

 - Oh homem, então o champô tá aí na casa de banho! - Diz a mulher.

 - Ah, pois tá, mas este é para cabelos secos e eu já molhei a cabeça, porra!







quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O SOL NA JANELA....

...E a paisagem de sonho, vão passar a custar-nos os olhos da cara.......:(


TELA DE GUIDO BORELLI


Vamos sentir saudades do tempo em que a vida era bela porque nos dava de graça o luar, dava-nos o Sol na janela e o resto é que era tudo a pagar....

                                      
                                             

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ELAS SABIAM ONDE ESTAVA A VERDADEIRA BELEZA....

...Por isso, não se importaram nada que Willy Rizzo as tivesse fotografado assim:

Jane Fonda

Sylvie Vartan

Marilyn Monroe

Sofia Loren

Virna Lisi

Catherine Deneuve

Brigitte Bardot


Até Jean Paul Belmondo, sabia que:


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sábado, 30 de julho de 2016

COMIGO AO DOMINGO...[ IV ]



Florença... que serenidade imensa

Nos teus campos remotos, de onde surgem
Em tons de terracota e de ferrugem
Torres, cúpulas, claustros: renascença

Das coisas que passaram mas que urgem...
Como em teu seio pareceu-me densa
A selva oscura onde silêncios rugem
No meio do caminho da descrença...

Que tristes sombras nos teus céus toscanos
Onde, em meu crime e meu remorso humanos
Julguei ver, na colina apascentada

Na forma de um cipreste impressionante
O grande vulto secular de Dante
Carpindo a morte da mulher amada...





 O Soneto é de autoria de Vinícius de Moraes e as fotos foram-me enviadas, ontem, por um familiar!...
A primeira foto é da Basílica de Santa Cruz;  a terceira, da Catedral de Santa Maria del Fiore. A segunda e a quarta, não sei. Algum de vós me sabe dizer ? Grazie! :)


                                                                        





quinta-feira, 28 de julho de 2016

Uma Terra Chamada Galinha.

O consultor ajeitou os ombros a mostrar o seu desconforto. Sabia português suficientemente para lhe mostrar estranheza. Uma terra chamada Galinha? E como se chamavam os naturais? Galinheiros? Galinhenses?
    Mas não era apenas o nome da terra que o incomodava. Havia algum desconforto em tudo. Primeiro, o percurso de avião da capital até à Beira. Chegados ao destino, o homem respirou fundo, surpreso pelo tratamento e pelos serviços. 

Depois, veio a aflição do estado dos automóveis de aluguer. Quis ser ele a conduzir, o que me deixou, dessa vez, a mim, incomodado. Gosto de conduzir, mais ainda fora das cidades. Ele percebeu e passou-me o volante.
Na primeira parte do percurso, uma vez mais, ele foi cedendo, relaxado. Era melhor do que pensava. Não precisei de lhe adivinhar o pensamento. Ele mesmo exclamou:
   -- Estou impressionado, é bem melhor do que eu pensava!

    Viajávamos para Galinha, uma pequena localidade a noroeste da minha terra natal, a Beira. Para mim, era uma reincidência. Os meus trabalhos obrigavam-me a visitar aquela região, no centro do país. Mas para o estrangeiro, tratava-se de uma estreia absoluta. Ele conhecia outras Áfricas. Não esta. A nossa.
    Desde que chegara, o consultor ia abandonando a tentação de generalizar.
Imagens recolhidas na Net e agrupadas por mim.

Nos primeiros dias ele falava em África como se de uma entidade única e fácil se tratasse. Eu conheço África, repetia com insistência. «Qual África?», perguntei-lhe. Franziu o sobrolho, suspeitando da intenção da pergunta. Passou-se o tempo e o consultor foi ficando desarmado. 
Este era um lugar que ele, afinal, desconhecia. Mais do que a geografia e a paisagem, eram as pessoas que o deixavam surpreendido. Recebiam-no bem, escutavam com simpatia, tinham tempo, gentileza e paciência.
Aconteceu com ele o que sucede ao açúcar no chá: o consultor foi-se dissolvendo.
 Perdeu medos, barreiras, preconceitos. Começava nele a verdadeira e única viagem: a que se faz por dentro das pessoas.
    Ao desembarcar na Beira, o enamoramento agravou-se. Máquina fotográfica em punho, o homem aventurava-se por bairros e recantos.
    A meu ver, ele começava a arriscar-se e não tardaria que a paixão se convertesse em susto. Um anjo o protegia e, à noite, no hall do hotel, ele relatava-me os lugares percorridos. Alguns não muito aconselhados para um estrangeiro exibindo uma máquina fotográfica. Quando o alertei, ele encolheu os ombros sacudindo a máquina como se de uma caixa de tesouros se tratasse e disse:
   -- Quando eu chegar ao meu país eles vão ficar admirados!

    Nessa caixa mágica o visitante guardaria depois imagens do Parque da Gorongosa. Coroa de louros, para ele. Mesmo não tendo visto muitos bichos, o que vimos bastou-lhe. Em pleno tando do Urema espraiou a vista como se ocupasse o centro do Planeta. Aquele era uma espécie de umbigo do mundo e, pela primeira vez, o meu companheiro de viagem, cientista de renome, escorregou numa metáfora:
    --  É pena, não consigo fotografar tudo. 
    O mais importante nunca se pode fotografar, poderia eu ter dito. O que fica para sempre, o que nos revolve a alma é o que não pode ser capturado pela moldura. E lá veio a metáfora:
 «Este silêncio tão vasto, como o posso fotografar?»

    Ele fotografava e corria na minha direcção a mostrar a imagem no visor. Parecia uma criança apressada a exibir as conchinhas que recolhia na margem da praia.
    Agora, quase a chegarmos a Galinha, o cientista aperta a máquina de fotografias contra o peito. Passado um tempo, ele se confessa. Queria levar para o seu país essa imagem de glória que os europeus coleccionam quando cruzam aventuras. Mas eu que entendesse e descontasse o que ele iria dizer a seguir. É que ele, já na Europa, diria aos amigos que esteve numa localidade chamada «Búfalo». Ou quem sabe «Elefante». Mas «Galinha», não. Tudo menos Galinha. Que a ave doméstica lhe desprestigiaria o exótico relatório de viagens. E ali mesmo, junto ao rio Sangussi, me fiz cúmplice do rebatizar de terras.
   -- E se for galinha-do-mato?  
   -- Aceito, é bonito.
    Galinha, estou certo, não se irá ofender. Somos todos de algum mato.

                                                                                 (Outubro de 2007)



Nota: Como alguns leitores deste Cantinho já conhecem de postagens anteriores, esta é mais uma crónica transcrita do livro de textos do escritor moçambicano - que adoro ler - Mia Couto.
Talvez, numa próxima publicação, transcreva a nota introdutória, onde o escritor explica a razão de ser da edição destes textos, crónicas e pequenos contos. E, daí, talvez não. Já que a última frase do escritor é esta: "Espero que, no final, este livro dispense esta e qualquer outra explicação"
Por mim, está mais que dispensado. Porém, se houver interesse, por parte de quem aqui vier, publicá-la-ei.
Obrigada a todos. :)


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quarta-feira, 27 de julho de 2016

DAS DESCOBERTAS.


Fotografia de Robert  Doisneau

poderão ver mais fotos, do mesmo autor,que ficaram famosas
desde meados do século passado.

Descobrir é a única maneira activa

de conhecer; correlativamente,

fazer descobrir

é o único método de ensinar.


   ( Gaston Bachelard -Filósofo francês )


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