quarta-feira, 20 de julho de 2016

OS LUGARES VOADORES.



(...)

Ao fim da tarde passeio sozinho pela marginal e olho o casario que se debruça ante a baía.
É impossível não ficar com essa imagem na memória. E à noite, conduzem-me pelo rebuliço da «Ilha de Luanda».
A vitalidade da vida nocturna já a conhecia mesmo nas festas que só terminavam na manhã do dia seguinte. Forma criativa e lúdica de vencer os constrangimentos.

Sente-se que estamos num limbo efervescente e que esta terra faz justiça à criatividade que forjou o semba, a quizumba, o kuduro, e como esses ritmos foram capazes de viajar e se mestiçar em terras distantes. O mesmo sucedeu a expressões como «bué», «cota», «estamos juntos». Tudo made in Angola.

Mas há qualquer coisa de Maputo naquele alvoroço nocturno e me apaixona essa proximidade que, de quando em quando, se revela distinta.
O meu amigo de viagem – que está jantando comigo -   contempla as luzes do outro lado da baía e suspira antes de falar:
  -- Faz lembrar a tua cidade, não é?
   Aceno que sim sabendo que a pergunta tem outro sentido. E sorrio não tanto para o meu interlocutor mas porque, de repente, me pareceu ver as luzes de Maputo espelhadas na baía de Luanda.

Afinal, eu e o meu amigo sabemos: os lugares não se comparam.

Como as pessoas, cada um deles acontece num momento único, numa única e irrepetível vida.
                                                    
                                                                                           ( Julho de 2008)


Nota. Encontro-me, neste momento, com Mia Couto, de alma e coração, a re)viver com ele as suas memórias. Estou a adorar...
Por isso, partilho com quem também quiser connosco embrenhar-se nos sons, cores, ritmos e belezas de África. Claro, só para quem quiser e gostar...







segunda-feira, 18 de julho de 2016

NAMORADEIRAS COMPULSIVAS.

IMAGEM  DAQUI.

A jacana é um pássaro que desafia o milagre de Cristo passeando sobre as águas. A ave castanha e branca desloca-se por cima das folhas flutuantes (como as dos nenúfares) e para isso usa as suas patas desproporcionadamente compridas.

A fêmea é bem maior que o macho e essa diferença de tamanho é já indicadora do inusitado caso das jacanas: há, nesta espécie, como que uma inversão do que é habitual.

A fêmea é poliândrica, isto é, tem vários maridos. E são estes que tratam sozinhos dos ovos e das crias. Os pequenotes, em perigo, abrigam-se por baixo das asas do pai e, a não ser pelas patinhas que emergem da plumagem, ninguém dá pela sua camuflada presença.

Num ambiente hostil e cheio de predadores, como é o da margem das lagoas, há machos dedicados exclusivamente aos cuidados «maternos» libertando as fêmeas para estas se dedicarem ao namoro e  à reprodução.

E as jacanas são implacáveis namoradeiras, Não apenas namoram com vários ao mesmo tempo como chegam a agredir os machos que estão ocupados na protecção dos filhotes.

Afastando os filhos da vizinhança do pai, a fêmea tem esperança que ele, por um instante, se esqueça das obrigações e as troque por súbitas e impensadas paixões.


[ do livro de textos de Mia Couto: Pensageiro Frequente ]


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COMIGO AO DOMINGO...[ II ]

REEDIÇÃO DA DESGARRADA.... QUE NASCEU DO NADA... (porque só à última hora pensei em colocar a quadra ) E DO MUITO QUE REPRESENTOU O CARINHO DE TODOS VÓS!   MUITO, MUITO  OBRIGADA  A TODOS!  



O mundo parou de repente
Domingo sem começo nem fim
A vida mostra-se ausente
E eu, ausente de mim…


Se algum dos leitores Amigos/as desejar dar continuidade a esta quadra, assim tipo desgarrada, pegue no último verso e acrescente uma quadra em comentário. Eu colocá-la-ei no post, com o nome de quem a escreveu. Valeu? Quero ver quem primeiro começa...Animação, precisa-se! Vamos nessa?

E eu, ausente de mim
Sem vela nem candeia
O filme dizia FIM
E eu, perdido, na plateia.

E eu, perdido na plateia,
Sem Norte nem direcção
E sem saber a melodia
P'ra cantar esta canção.

P'ra cantar esta canção
Não basta abrir a boca
São precisas mil andanças
É urgente sair da toca.

É urgente sair da toca.
Então toca a mexer
Que o domingo já vai prá loca
E a segunda não tarda em aparecer

E a segunda não tarda em aparecer
Engrenagem bem oleada
Ó tempo, não vás atrás
Quero cantar à desgarrada.

Quero cantar à desgarrada.
E até pode ser da janela
Que daqui eu vejo rio, vejo serra
E as gentes da nossa terra

E as gentes da nossa terra 
Passam cantando e rindo.
Amigos foi muito bom 
Mas agora já vou indo.

Mas agora já vou indo
Que a rimar desta maneira
o sono já está vindo
E acabou a brincadeira.

E acabou a brincadeira?
Ora essa… Mas que jeito?
Agora que chego aqui
Também deixo verso feito.

Também deixo verso feito
Em modo de pé-quebrado
Venha daí a guitarra
E alguém pra cantar o fado

Alguém pra cantar o Fado
Canto eu bem a meu jeito
P’ra  Noname acompanhar
Também deixo verso feito

Também deixo verso feito.
Este e meia dúzia a seguir
a desgarrada tá boa
mas agora tenho que ir

Mas agora tenho que ir
Em viagem de ida e volta
Passo por cá mais logo
Quando a desgarrada andar à solta.

S'a desgarrada anda à solta
Culpa minha?, eu não digo
Só pode ser a Janita
A cantar lá do postigo

A cantar lá do postigo
Enquanto cusca o que se passa
Que bela voz tem a Janita
É capaz de ganhar a taça.

É capaz de ganhar a Taça
Então não é o caneco?
Ela canta o fado com graça
De chapéu de palha e sem xaleco

De chapéu de palha e sem xaleco
A Janita cantadeira
Uma tripeira alfacinha
Ou uma alfacinha tripeira?

Uma alfacinha tripeira
Contradição nos próprios termos
Janita é alentejana
Nascida nos Montes Ermos

Nascida nos Montes Ermos
Qué lá isso, meu Amigo?
Isso não é Alentejo,  é Douro
Penso de que: um dia lá irei consigo

Um dia lá irei consigo, agora sou cantadeira
Sem ganhar taça nem caneco
Vou rimando à minha maneira
De chapéu de palha e sem xaleco

De chapéu de palha e sem xaleco
Em pose desempoeirada
E ninguém lhe passa a perna
A cantar à desgarrada.

Cantar à desgarrada não sei,
por mais que bem tente,
mas para este peditório já dei,
tudo para ficares contente! :)
 





                     

E eu muito contente fiquei
Pela boa vontade que vi em todos vós.
A todos muito e muito Obrigada
Sinto-me deveras emocionada
A comoção deixa-me um nó na voz.

BEM-HAJAM



sexta-feira, 15 de julho de 2016

DES) AMOR...


                                                               





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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Já Fui Feliz Aqui. [ XIX ]


                       
                                                               



               


  San Javier – Múrcia –

Município de Espanha




quarta-feira, 13 de julho de 2016

"DESTINO"...UMA INICIATIVA DE LOUVAR!

Foto de Duarte Sol

Aquele corpo tão falsamente provocante que caminhava para o abismo, era o seu, e ela por mais que tentasse não conseguia aliená-lo.
Detestara-o naquela noite e em todas as outras noites em que o usava. Queria que ele não lhe pertencesse, sentia a maldição que pesava sobre si e desejava ser uma pessoa normal, que se entrega, que recebe, que aceita e nada receia.
Só via falência na sua vida. Não existia nenhuma razão no mundo que a pudesse impedir.
A quem poderia interessar que ela vivesse, que trabalhasse, que amasse. Para quê? Para quem?
A desculpa da euforia permanente produzida pelo álcool era mais razoável, pois conseguia afastar a falta do amor que não conheceu, dos beijos que não deu, dos livros que não leu e da vida que não viveu.
Mas hoje estava sóbria!
Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.



Janita

Naquele preciso momento, seis horas e dezoito minutos, quando procurava de dentro da bolsa, a chave de casa, ansiosa para se estender na cama, após um percurso solitário, de uma noite inteira vagueando sem destino, toda a sua vida lhe passou pela mente, como se estivesse a assistir a um filme.
Sentou-se num degrau das escadas, olhou para o céu. Viu um clarão de luz intensa e, maravilhada, assistiu ao primeiro nascer do Sol em toda a sua vida.
Não! Os beijos que nunca lhe deram, o amor que nunca lhe dedicaram, os livros que não leu, enfim, a vida que nunca teve…Nada, nada mesmo, se poderia comparar à dádiva de estar viva e ver nascer um novo dia… 
Voltou a descer as escadas e caminhou serena e confiante pelo passeio da rua, deserto àquela hora matinal. Havia despertado dentro de si a certeza de que o mais importante na vida, não é aquilo que se recebe e sim o que nos damos a nós mesmos.
Dali em diante iria olhar-se com mais carinho, gostar mais de si…Abandonar o cigarro, o álcool, os falsos amigos…Quem sabe aquela promessa de emprego na Livraria do Shopping não se concretizaria e os livros que nunca leu, ela, finalmente os leria? Ergueu a cabeça, sorriu e trauteando aquela velha canção aprendida na sua meninice, ensaiou uns passos de dança e seguiu em direcção ao seu novo Destino…

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 Obrigada, Amiga Fê! Pelo muito que fazes em prol da união e interacção entre os Bloggers do nosso Blogobairro!!





segunda-feira, 11 de julho de 2016

SOMOS CAMPEÕES....



...Pela primeira vez na história do futebol português, Portugal sagrou-se Campeão Europeu!! VIVA PORTUGAL. Vivam os nossos bravos jogadores!! :)


O menino madeirense, beija, emocionado, a Taça do Campeonato Europeu, que trouxemos para Portugal!!


Foi neste Estádio, O Estádio de França, construído por cerca de 90% de trabalhadores portugueses, que se disputou a final do campeonato. Tinhamos de ganhar... Só podia! 


Nota: As duas primeiras fotos foram captadas, por mim, em directo :) do ecrã do meu televisor. Daí, a péssima qualidade. O nervosismo era tanto...e eles não paravam quietos...lol
Ah, mas estas, são minhas!!!!!

A foto do Estádio, tem o link por baixo.

Se algo neste curto texto estiver fora do contexto, saibam que não sou fã da Bola, nem percebo nada de futebol, mas este ano vibrei a sério. Quem sabe tenha dado sorte aos nossos rapazes?


ESTA É NOSSA!!!

sábado, 9 de julho de 2016

Do Tempo Em Que Os Pedidos De Casamento Eram Irrecusáveis...


...salvo circunstâncias especiais.

Quais? :)

Tela de Borsos József

O procedimento de Augusta era objecto da curiosidade de todos.

-- Por que motivo esta moça recusa todos os pretendentes? -  diziam as mães de família; parece que não quer casar. Quererá ficar para tia?

O argumento era singular; devia ocorrer a todos que Augusta recusava os pretendentes justamente porque não gostava de nenhum.

Mas a reflexão das mães de família era que um casamento nunca se recusa, salvo circunstâncias especiais.




[  A partir de um conto de Machado de Assis - 1872 -]







quinta-feira, 7 de julho de 2016

SOUS LE CIEL DE PARIS...

....UM OLHAR DIFERENTE SOBRE A CIDADE LUZ.


                                       
Vejam, porque vale a pena!!



Na sucessão de vários erros típicos do árbitro em campo, ouve-se o brilhante relato do comentador desportivo:

"...e o Árbitro foi agora atingido por um objecto estranho, provavelmente atirado por um

 TELESPECTADOR….!!
Há coisas incríveis, não há?


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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Portugal - Quase Um Poema De Amor

Portugal


Avivo no teu rosto o rosto que me deste, 

E torno mais real o rosto que te dou. 
Mostro aos olhos que não te desfigura 
Quem te desfigurou. 
Criatura da tua criatura, 
Serás sempre o que sou. 





Quase um Poema de Amor


 

Há muito tempo já que não escrevo um poema 
De amor. 
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! 
A nossa natureza 
Lusitana 
Tem essa humana 
Graça 
Feiticeira 
De tornar de cristal 
A mais sentimental 
E baça 
Bebedeira. 


Mas ou seja eu que vou envelhecendo 
E ninguém me deseje apaixonado, 
Ou que a antiga paixão 
Me mantenha calado 
O coração 
Num íntimo pudor, 
— Há muito tempo já que não escrevo um poema 
De amor.




(Poemas do Grande Português Miguel Torga)

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

DO TEMPO QUE SE PERDE.

Tela de Salvador Dali -- DAQUI



De todo o tempo que se perde
Não há eternidade
como o tempo
que se perde a não ler.

Mas há mais tempo que perdemos
e nunca recuperamos...

...Querem exemplificar?





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domingo, 3 de julho de 2016

COMIGO, AO DOMINGO... [ I ]


Poema Destinado A Haver Domingo

(Poema de Natália Correia )

Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.



Poucos, muito poucos de vós, se lembrarão de 

José Feliciano e desta canção...

...Mas  lembro-me eu!

:-)




Eis as "Bordaduras Domingueiras".

Título, delicioso, para este mimo, com que a NONAME

me brindou! A mim e à Poetisa!

 Muito Obrigada!! :)








sexta-feira, 1 de julho de 2016

Já Fui Feliz Aqui [ XVIII ]





Buddha Eden – Jardim da Paz 
Quinta dos Loridos – Bombarral 

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