domingo, 18 de setembro de 2016

DOS MEDOS.



O  PAPÃO


As crianças têm medo à noite, às horas mortas
Do papão que as espera, hediondo, atrás das portas
Para as levar no bolso ou no capuz dum frade.
Não te rias da infância, ó velha humanidade,
Que tu também tens medo ao bárbaro papão
Que ruge pela boca enorme do trovão
Que abençoa os punhais sangrentos dos tiranos.
Um papão que não faz a barba há seis mil anos
E que mora, segundo os bonzos têm escrito,
Lá em cima, detrás da porta do infinito.


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( Estudo de Camilo Castelo Branco)

Desde que o nervoso poeta iconoclasta Guerra Junqueiro atirou às ventanias tempestuosas da opinião pública vinte e oito sátiras com o rótulo de Velhice do Padre Eterno, as tais ventanias, irrompendo dos odres, começaram a rugir que o poeta é...  ateu!  Que o dissesse a cleresia, não havia que estranhar à sua boa fé nem à sua inteligência; mas que o digam, com gestos escandalizados, uns leigos - leigos em duplicado - críticos inéditos, mas mexeriqueiros esclarecidos de leituras teutónicas, isso é que me impele a defender, sem procuração, o poeta da calúnia de ateísta.

(...)

São Miguel de Ceide, 1886
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sábado, 17 de setembro de 2016

Para Lá Do Arco-Íris.


Quarenta e dois anos após ter ficado viúva, com três filhos menores o mais novinho com apenas dois anos de idade, a vida, essa madrasta, voltou a fazer dela uma viúva. Agora, tem quatro filhos seis netos e duas bisnetas.

Quando lamentava a sua desdita por ter visto partir dois maridos, qual deles o melhor, mais generoso mais seu amigo e bom companheiro, alguém, do outro lado da linha, não a acompanhou no lamento.  Disse-lhe, porém, as palavras que ela reconheceu serem uma verdade que nunca lhe havia ocorrido nas horas de dor, de então, e de agora. Palavras essas que, diz, jamais esquecerá.
Ao seu lamento:
- Já viste, Luís?- duas vezes a mesma infelicidade...
Obteve a clara e lúcida resposta:
- Madrinha… Pense, antes, e sempre, nas duas vezes que a Vida lhe deu a oportunidade de ser feliz. Quantas pessoas passam pela vida sem ter tido uma única vez, sequer, essa oportunidade?...
E mencionou alguém que ela conhece bem.

Hoje, para lá do arco-íris, algures num lugar onde são acolhidos os bons e os justos, há duas almas, generosas e amantíssimas, a olhar por ela…

Eu, que captei o luminoso arco-íris, quando o sol rasgou as nuvens após uma forte chuvada, sinto-me orgulhosa pelo interlocutor que, do outro lado da linha, a centenas de quilómetros de distância, constatou uma verdade tão simples quanto terapêutica…Um bálsamo para o coração sofrido da minha irmã…

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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A Greta Garbo Dos Céus...












Hoje, associo-me ao Google na  homenagem a Jean Batten, a aviadora neozelandesa, que nasceu neste dia, 15 de Setembro, corria o ano de 1909.

Aceda ao link acima e saiba mais pormenores sobre a vida desta mulher extraordinária.

A semelhança fisionómica com a Diva sueca, da sétima arte, é extraordinariamente notória, embora eu a ache ainda mais bonita!!



                                         




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

AMOR (AS)




Espinhos protegem
a amora morena no verde silvado.
São tão desejadas, tão apetecidas
à beira de um valado,
 amadurecendo escondidas.
Passam caminhantes sequiosos sedentos.

Quem sabe as amoras sedentas também
Queiram ser beijadas pela
boca de alguém? 




Estas amoras ainda amadureciam
não à beira de um valado
mas num quintal
onde cresciam.
Meio silvestres, meio cultivadas
por mão de mestres.


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sábado, 10 de setembro de 2016

A MODA DAS TRANÇAS...

Pretas, loiras, castanhas ou com madeixas!! :)




Havia em seu cálido olhar azul
Límpido e puro como o azul do céu
O sonho de algo tão breve
Tão louco quão simples e leve
Mas que poucos entendiam...



 Veio a avó e gostou, logo a ele se juntou
E as tranças de ambos nasciam…:)



:)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)  :)



quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Nossa Veneza É Tão Bela...



Navegando p’la Ria
 vão os moliceiros
Vogando p’los canais
 vão turistas aos magotes
Há brilho de espanto
 e alegria nos seus olhos
E eu, olhando-os, sorrio,
 orgulhosa e feliz;
Estou na minha terra,
 estou no meu País!






Este é mais um registo da minha passagem por Aveiro,
 a caminho do Sul. 

:)

domingo, 4 de setembro de 2016

Uma Sombra de Mim...



Não quero ser esta sombra.
Nem sequer sombra quero ser.

Olho-me e não me reconheço.
Recuso ser uma sombra
De quem fui e não sou mais.

Vou fugir da minha sombra
Em busca de claridade.


Ah, agora sim…
Tudo fica luminoso.

O Rio? A Ponte?
Mas, para onde fugiu
 a tão esperada grandiosidade?

 E eu?
Rio de mim ou do medo
Da dolorosa saudade?

Na verdade, rio de mim, sim;
E também para disfarçar uma certa nostalgia…




  

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

ESTÁ-NOS NO SANGUE...

...o amor pelo Mar e pela Poesia!


No passeio de uma rua, numa localidade do centro do país, conhecida pela planura da sua condição geográfica, vi três coisas que me chamaram a atenção e me fizeram parar: uma bicicleta, meio de locomoção muito usado naquela zona, provavelmente até seria uma BUGA, a típica calçada portuguesa e o toque sublime, que me comoveu e fez captar aquele trio delicioso. Em poucas palavras alguém havia registado, numa cadeira, onde ninguém ousaria sentar-se, nem eu, apesar dos pés doridos, um bocadinho do sentir do nosso Eugénio de Andrade. Aqui vos deixo um pouco mais daquele belo poema, que todos vós bem conheceis...


 (…)

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão, crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


(…)


 Decididamente, nós, Portugueses, temos o Mar e a Poesia na Alma. Não há volta a dar...E ainda bem!


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

DA BREVIDADE DA VIDA.

Amor- Tela de Gustav Klimt



Bilhete

Se me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa-em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem
devagarinho,
que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda

(Mário Quintana)




domingo, 21 de agosto de 2016

Já Fui Feliz Aqui. [ XX ]

Enquanto as férias, de verdade, não chegam...
...vou recordando outras férias!!





Cartagena - Espanha -


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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É SÓ MIMO...:)




A pedido de alguém
 a quem quero bem,
vou mudar o post.

Não quero que ensandeça
nem sequer que se aborreça.


Está bem assim?




quinta-feira, 11 de agosto de 2016

QUASE SANDICE.


           “Le Moulin de la Galette” óleo sobre tela by Vincent Van Gogh.



"Desocupado leitor! 
Não preciso de prestar aqui um juramento para que creias que com toda a minha vontade quisera que este livro - (blogue) - como filho do entendimento, fosse o mais formoso, o mais galhardo e discreto que se pudesse imaginar: porém, não esteve na minha mão contravir à ordem da natureza, na qual cada coisa gera outra que lhe seja semelhante; que podia portanto o meu engenho, estéril e mau cultivado, produzir neste mundo, senão a história de um filho magro, seco e enrugado, caprichoso e cheio de pensamentos vários…? "

                         (...)


Deixo à imaginação dos meus parcos, mas muito estimados, leitores, o nome do notável escritor/autor deste excerto do Prólogo de um romance muito conhecido.

Atenção: isto não é um enigma. Somente faço a observação porque estou a usar palavras que não são minhas, sem revelar a identidade do autor.

Por ora, não me sinto com capacidade para lutar contra moinhos de vento e, assim sendo, irei deixar este meu mui simples e despretensioso espaço, repousar, esperando dias de melhor  e mais profícua inspiração. 

A todos os Amigos/Leitores, que por aqui passarem, deixo o meu grato abraço de Amizade.

Até...JÁ!!




terça-feira, 9 de agosto de 2016

SEM PALAVRAS...

...........MINHAS.

PODEM ESCREVER O QUE QUISEREM...UFA!!!



IMAGEM ENCONTRADA POR AÍ.



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domingo, 7 de agosto de 2016

COMIGO AO DOMINGO...[ V ]

«Melancolia», óleo sobre tela - Edvard Munch -



Quatro letras nos matam quatro facas 
que no corpo me gravam o teu nome. 
Quatro facas amor com que me matas 
sem que eu mate esta sede e esta fome. 

Este amor é de guerra. (De arma branca). 
Amando ataco amando contra-atacas 
este amor é de sangue que não estanca. 
Quatro letras nos matam quatro facas. 

Armado estou de amor. E desarmado. 
Morro assaltando morro se me assaltas. 
E em cada assalto sou assassinado. 

Quatro letras amor com que me matas. 
E as facas ferem mais quando me faltas. 
Quatro letras nos matam, quatro facas. 



( “As Facas” Soneto de Manuel Alegre in “Obra Poética” )





                                            





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O MEDO DE NÓS PRÓPRIOS.

 Retrato de Adele Bloch-Bauer, by Gustav Klimt (1907)


Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expressão, pensamento, realidade, a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helénico.

 Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na auto negação que nos corrompe a vida.
 Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. 

O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. 
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe
Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. 

Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo. 



Oscar Wilde, in “O Retrato de Dorian Gray”






quinta-feira, 4 de agosto de 2016

ALENTEJANOS...NO BANHO!

IMAGEM DA NET

Grita o alentejano para a mulher:
- Ó Maria, prepara-me uma roupa que eu quero tomar banho p'ra depois ir tratar dos negócios!

A mulher prepara a roupa e põe-na na casa de banho. O homem vai tomar banho, põe a água a correr e grita, de novo: - Ó Maria, traz-me lá o champô!

 - Oh homem, então o champô tá aí na casa de banho! - Diz a mulher.

 - Ah, pois tá, mas este é para cabelos secos e eu já molhei a cabeça, porra!







quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O SOL NA JANELA....

...E a paisagem de sonho, vão passar a custar-nos os olhos da cara.......:(


TELA DE GUIDO BORELLI


Vamos sentir saudades do tempo em que a vida era bela porque nos dava de graça o luar, dava-nos o Sol na janela e o resto é que era tudo a pagar....

                                      
                                             

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ELAS SABIAM ONDE ESTAVA A VERDADEIRA BELEZA....

...Por isso, não se importaram nada que Willy Rizzo as tivesse fotografado assim:

Jane Fonda

Sylvie Vartan

Marilyn Monroe

Sofia Loren

Virna Lisi

Catherine Deneuve

Brigitte Bardot


Até Jean Paul Belmondo, sabia que:


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