A ÁGUA DE LOURDES
Esse elixir divino
Então erguei também um templo à caparrosa
E outro templo ao quinino
Se a água faz milagres, o que eu vos não discuto,
E por isso a adorais,
Ajoelhemos então em face do bismuto
E doutras drogas mais.
Façamos da magnésia e clorofórmio e arnica
As hóstias do sacrário;
Transformemos o templo enfim numa botica,
E Deus num boticário.
Que a vossa água opere imensas maravilhas
Eu não duvido nada:
É o Espírito Santo engarrafado em bilhas,
É o milagre à canada.
Desde que se espalhou pelo Universo o eco
Do milagre feliz,
Tartufo nunca mais encheu o seu caneco
Em outro chafariz!
Autor: Guerra Junqueiro
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| A partir da minha única ida a Fátima, na juventude. |
A partir de 1917 também nós tivemos a nossa Aparição da Virgem Maria, em cima de uma azinheira. Se acontecem milagres não se devem a beberagens de águas milagrosas. Apenas somos crentes na palavra das três crianças que pastoreavam um rebanho de ovelhas e na mensagem ques lhes foi passada por aquela visão que lhes ofuscou a vista, num dia tenebroso de Inverno. Provavelmente, teriam havido relâmpagos e trovões e os pobrezinhos ficaram assustadíssimos.
A partir daí a romaria de crentes passou a ficar dividida, fraternalmente, entre a cura pela água da gruta, em Lourdes e a oração e a penitência em Fátima. Tudo em prol da paz na Terra entre os homens de boa vontade.
Tudo o que escrevi são suposições minhas, uma vez que não estava nem num lugar, nem n'outro, quando tudo aconteceu. Também pelo que me ensinaram na catequese quando era criança e mais tarde fui lendo, ao longo da vida.
O que sei, é que a humildade de outrora se transformou numa enorme fonte de rendimento. Lá pela França não sei, penso que a água será gratuita.
Por cá é tudo pago a peso d'ouro e é um luxo que só visto...


Fátima está há muito transformada num entreposto comercial.
ResponderEliminarKung Hei Fat Choi
Kung Hei Fat Choi, Pedro.
EliminarBeijinhos, boa semana
Se perguntar a alguns dos leitores que passam por aqui, talvez metade não conheça a "canada", uma medida de capacidade muito usada no passado. Lembro-me bem dos oleiros de Barcelos que faziam canecas para o vinho e as medidas base eram 1 canada e meia canada. De outros tamanhos só por encomenda!
ResponderEliminarEu própria, supondo ser uma medida antiga de capacidade de volume, uma vez estar bem explícita nos versos, desconhecia que medida seria. A bem dizer, ainda estou confusa. Acho que equivalia ao litro...Estou certa ou errada?
EliminarJá fiquei a saber mais umas coisas.
ResponderEliminarBeijinhos, Janita.
Com tudo e com todos aprendemos, António!
EliminarBeijinhos
A fé não se discute.
ResponderEliminarMas o poeta questiona-a de uma forma hábil.
Não conhecia a história da água de Lourdes.
A de Fátima é caseira...
A água dos últimos dias, foi outra água, não fez milagres, fez destruição...
Boa semana.
Um abraço.
De acordo, Jaime, a Fé não se discute nem se deve discutir.
EliminarEu, sou crente à minha maneira, mas em relação a santos sou um pouco como São Tomé.
Essa água destruidora de que o Jaime fala, caiu das nuvens, não nasceu debaixo do chão. :-)
Boa semana, abraço.
Conheço a história de Lourdes mas nunca lá fui. A Fátima fui muitas vezes porque sinto paz que não sei descrever, mas sempre fora das celebrações porque tenho fobia a multidões compro umas velas, falo com quem me acompanhava e passeava. Nunca pedi nada mas agradecia. Quanto aos milagres respeito quem acredita neles para mim são coisas que acontecem e que não se explicam. Já tive algumas!Beijos e um bom dia!
ResponderEliminarInfelizmente hoje Fátima é um depósito de dinheiro e gostaria de saber o que fazem com ele! Também fui ver a basilica e acho tão feia e tirou a graça da igreja!
E a cruz descomunal, sem Cristo, da Joana Vasconcelos?
EliminarQue essa água de Lourdes tenha efeitos curativos, até acredito, pois também nas Termas temos água que sabe muito mal mas faz bem à saúde.
Quando os meus filhos eram pequenos e tiveram problemas respiratórios, a conselho médico, andei com ambos nas Termas de São Vicente ali para Entre-os-Rios. A água cheirava a ovos podres e tinha um sabor horrível. Eu , para os incentivar bebia também, porém os efeitos quase se sentiam de imediato.
Um ano encontrámo-nos lá com o Manelinho, filho do General Ramalho Eanes, então Capitão, creio. :))
Beijos, amiga.
Aqui, de novo.
ResponderEliminarHá milagres? Não sei responder, mas tendo para a dúvida.
Os pastorinhos viram a Virgem Maria? Ou foram induzidas pelo Cónego? Porque esconderam a vidente Lúcia durante toda uma vida?
Fui a Fátima várias vezes, em passagem, em turismo, nunca em celebrações. Senti-me confortável? Sim.
À chacun..
De lamentar é o excesso de água q
Ora viva, ora viva a quem andava longe disto!
EliminarA ironia está bem explícita nos versos de Junqueiro, assim, lembrei-me daquilo que há muito penso, em relação a Fátima.
Tudo não passou de algo muito bem engendrado, usando a inocência das crianças para atrair as atenções e peregrinos de romaria para a nossa santa terrinha. 'Eles' sabiam que nada move mais multidões do que a crença....e as multidões arrastam o vil metal, em investimentos comerciais, de restauração e hotelaria. Tanto assim foi que atingiu as actuais proporções de nem a cera das velas ser 'desperdiçada' a arder até ao fim no recinto onde se encontra a imagem. Compram-se e deitam-se para um buraco onde vão derreter e fazer mais velas...Comércio puro!!
Um abraço.
Gaita! Como é que publiquei sem terminar?
ResponderEliminarDizia eu que o excesso de água que caiu nos últimos dias e tanta gente prejudicou, era desnecessária. Uma dor de alma.
Vai ou já foi ver o corso? Divirta-se.
Os meus respeitos.
Eu? Jamé! Já não tenho idade para andar atrás dos desfiles a apanhar frio sujeitando-me a um resfriado. Vejo sentadinha no sofá as meninas a sambar. Só amanhã, claro! depois acaba tudo na quarta-feira... :))
EliminarTudo de bom, José e veja se cuida bem de si.
Sou pouco dado às coisas da fé. Dos "santuários" que conheço há apenas dois que mexem comigo. Covadonga e a Catedral da Luz...
ResponderEliminarCumprimentos
A Catedral da Luz sei bem onde fica, a outra fui saber por quem sabe. Assim fiquei a saber que misturou o 'sagrado' com o profano.
EliminarTambém já estive nas Astúrias, mas noutras Cangas...em Cangas del Narcea. A convite de um casal amigo. Comi lá um presunto que parecia derreter-se na boca e bebi sidra pela primeira vez, tirada à pressão, como a cerveja a copo.
Todo muy bueno!
Saudações carnavalescas!
Não conhecia este poema de Guerra Junqueiro.
ResponderEliminarA mãe do meu padrasto trouxe de Lourdes um quadro com a aparição da Virgem à Bernardette, que herdei após a morte da minha mãe. Como não gosto dele está escondido atrás de um armário.
Não sei, se a água milagrosa se paga. Sei sim que a estadia em Lourdes não era para gente pobre naquela altura.
O Carnaval tem raízes religiosas, portanto, posso me despedir, mais uma vez, com um HELAU de Düsseldorf.
Se tivesses herdado um quadro de Monet não o escondias, pois não? Então se até consideras o Carnaval como tendo a ver com religião, mostra-nos lá o dito cujo depois de acalmarem os festejos. Primeiro a folia.
EliminarEntão, aí vai um um Hello e um HELAU meus para Düsseldorf.
Abraço, Teresa! :-)
O homem se encarregou de dar preço a tudo, isto é, procura lucrar com tudo. Os lugares de Fé também não são exceção. Vou a Fátima todos os anos e não consigo descrever o que lá sinto e como de lá saio. E isso minha amiga Janita, não tem preço! Quanto á água, existem uns fontanários"fontes miraculosas" mesmo no centro do recinto onde se pode beber ou trazer água sem qualquer custo.
ResponderEliminarUm abraço
Olá, Rui.
EliminarTudo o que diz me soa a uma verdade sentida. Não há nada que me toque mais fundo do coração do que a verdade dos sentimentos e emoções alheias. Tanto quanto as minhas!
Infelizmente, é esse preço que o ser humano dá a tudo, sobretudo, quando são os da Igreja a proceder em modo contrário ao que apregoam, que faz a Fé estremecer e nos torna descrentes. Em Cristo sempre acreditei, na santidade nem tanto.
Obrigada pela partilha de algo que é tão seu.
Um abraço
Guerra Junqueiro, se vivesse nos tempos atuais, continuaria a escrever no mesmo estilo satírico.
ResponderEliminarO Santuário de Fátima enriqueceu muita gente, é verdade. Mas os crentes não têm que aderir a esses gastos rocambolescos. A fé, a oração e a missa são gratuitas. : )
Quando a minha mãe foi à Terra Santa trouxe, entre muitas lembranças, um frasquinho de água do Rio Jordão. Como vinha feliz e animada. Uma peregrinação que nunca esqueceu... até a chegada da doença de Alzheimer.
As sociedades, sejam de que tempo for, têm sempre algo que se lhes critique. Quem souber fazê-lo, com a mestria de Guerra Junqueiro, descreverá em tom satírico qualquer acontecimento.
EliminarA Fé e a Oração, são gratuitas e a Missa dominical, idem.
Porém, se quiseres pedir uma Missa especial, em memória de alguém que partiu e te era querido, vais ter de pagar. :)
Se fores a Fátima e tiveres de lá permanecer por uma noite ou trazer uma recordação para oferta, pagas os tais preços 'rocambolescos' e não bufas, pois quem ficará mal vista serás tu. Se houver freiras na frente desse comércio, a coisa ainda se torna pior.
Compreendo perfeitamente o teu ponto de vista, em todos os aspectos, Catarina, até porque a crença não se compra nem se vende.
Grande abraço!
Este poema satírico de Guerra Junqueiro está o máximo.
ResponderEliminarA 1a aparição não foi de inverno, foi em maio, segundo reza a história.
Se não houve milagre, passou a haver.
Num local ermo, sem água, sem rio, sem terrenos férteis surgiu uma cidade visitada por milhões de nacionais e estrangeiros .
Abraço solidário
Olá, Leo!
EliminarComo vês dessas aparições pouco percebo!! Pensava que tivesse sido um fenómeno da natureza tipo relâmpago daqueles que rasgam o céu, que levasse as crianças a pensar ver algo luminoso em cima da azinheira...:))
E, já agora, estou contigo: tudo o que venha favorecer as localidades e as suas gentes, pois que venha, seja em que forma for.
Grande, grande abraço.