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| Eu e Pessoa a tagarelar no Largo do Rossio... |
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.
"Não Tenho Pressa" - Poema de Alberto Caeiro, 'in' Poemas Inconjuntos
Heterónimo de Fernando Pessoa.
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Pelo que vejo, o Pessoa sabia muito bem onde tinha os pés. E a cabeça também, por isso nos deixou de herança muitas palavras bonitas que valem ouro!
ResponderEliminarNão sinto um grande fascínio pela poesia de Pessoa e alguns dos seus heterónimos, porém, este Guardador de Rebanhos tem, para mim, um encanto especial.
EliminarUm abraço, Tintinaine
Curiosa essa multiplicidade de Fernando Pessoa_ penso que a intenção era apagar a identidade para que pudesse florescer em outro. Alberto Caieiro era considerado o mestre de todos , dizem.
ResponderEliminarO poema nos faz pensar que deveríamos cuidar melhor da nossa ausência de calma , nem sempre conseguimos.
Deixo abraços e desejo uma semana serena e poética.
Na verdade, Lis, este heterónimo de Pessoa é especial, embora goste, gostando menos, de Álvaro de Campos.
EliminarÉ certo, conseguir manter o estado de espírito calmo, em situações difíceis não é para todos.
Grata pela companhia mando um forte abraço.
Lindo poema e fotos e tua conversa com Pessoa ficou tri legal! beijos, chica
ResponderEliminarA minha conversa com o poeta foi tipo monólogo, querida Chica.
EliminarEu falei e muito, mas ele só escutou...
Beijinhos e boa semana, amiga.
Já Sua Excelência o Presidente da República, Doutor António José Seguro, enquanto Secretário-Geral do PS, perguntava , então: "qual é a pressa?". Dizem, até, que coelhas apressadas parem os filhotes cegos.
ResponderEliminarDevagar se vai ao longe, também é dito.
Entretanto, que lhe parece que diria o Pessoa enquanto a ouvia a declarar o quanto gostava da sua poesia? Talvez: "e se me trouxesses um copinho de tinto ali do Martinho, ou até uma ginjinha?", enquanto dizia para si próprio: "bela mulher, esta. Desculpa lá, ó Efigénia"
Tenha uma boa semana, quentinha como previsto.
1 bji.
Mas que inspirado está!! Não terá ingerido uma bejeca a mais?
EliminarNão sei como seria com o Fernando, mas com os anteriores poetas era absinto o que eles bebiam. Já agora...o que raio é essa bebida?- espirituosa ou altamente perniciosa?
Bem não faria, pois todos morreram cedo e tuberculosos, coitados.
Semana quentinha? E eu a suspirar por dias frescos...
Beijinho
Não é Efigénia ou, melhor, Ifigénia, mas Ofélia. Erro meu, não direi "amor ardente", já que estamos na área da poesia.
ResponderEliminarE a má fortuna, fica para trás?
EliminarBoa semana!!