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segunda-feira, 1 de outubro de 2018
sábado, 9 de junho de 2018
O Sangrar do Sobreiro.
Pátria pequena, deixa-me
dormir,
um momento que seja,
No teu leito maior, térrea planura
Onde cabe o meu corpo e o meu tormento.
Nesta larga brancura
De restolhos, de cal e solidão,
E ao lado do sereno sofrimento
Dum sobreiro a sangrar
Pode, talvez, um pobre coração
Bater e ao mesmo tempo descansar...
"Insónia Alentejana" Poema de Miguel Torga
(fotografia minha, claro! )
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Alentejo,
Coisas minhas,
Miguel Torga
quarta-feira, 31 de maio de 2017
POETAS DA MINHA TERRA.
Numa pequena esplanada da Rua de Sevilha, ali mesmo às Portas de Beja, o marido de uma amiga
( por sinal, a filha do meio das três filhas do fotógrafo de que já vos falei. Os outros dois eram rapazes) após uma meia hora de boa e amena cavaqueira, em que se abordou o meu amor pela poesia e a paixão da minha irmã pela declamação, deliciou-nos com a leitura de vários poemas de sua autoria.
A mulher, a seu lado, olhava-o com ar de profunda veneração. Como se fosse aquela a primeira vez que o ouvia. Eu sorria. Quase nem me atrevia a respirar. Sentia-se no ar um clima sublime, de algo especial e divino, tal era a paixão que se sentia vibrar na voz do poeta - que o não queria ser -
Poeta? Não! Apenas gosto de deixar a alma falar...em palavras que vou escrevendo quando não me cabem mais cá dentro...
Eu, sorria, e ouvia enlevada...Pedi se poderia fotocopiar os poemas e trazê-los. Que sim... fui a correr à loja da minha amiga fotógrafa ali mesmo, do outro lado da rua, para me fazer as fotocópias - frente e verso na mesma folha, que o papel está caro- diz-me ela a sorrir.
O VELEIRO
( por sinal, a filha do meio das três filhas do fotógrafo de que já vos falei. Os outros dois eram rapazes) após uma meia hora de boa e amena cavaqueira, em que se abordou o meu amor pela poesia e a paixão da minha irmã pela declamação, deliciou-nos com a leitura de vários poemas de sua autoria.
A mulher, a seu lado, olhava-o com ar de profunda veneração. Como se fosse aquela a primeira vez que o ouvia. Eu sorria. Quase nem me atrevia a respirar. Sentia-se no ar um clima sublime, de algo especial e divino, tal era a paixão que se sentia vibrar na voz do poeta - que o não queria ser -
Poeta? Não! Apenas gosto de deixar a alma falar...em palavras que vou escrevendo quando não me cabem mais cá dentro...
Eu, sorria, e ouvia enlevada...Pedi se poderia fotocopiar os poemas e trazê-los. Que sim... fui a correr à loja da minha amiga fotógrafa ali mesmo, do outro lado da rua, para me fazer as fotocópias - frente e verso na mesma folha, que o papel está caro- diz-me ela a sorrir.
Cheguei a lamentar, com alguma tristeza que, na roda da vida, eu tivesse sido forçada, aos doze anos, a abandonar aquela terra que é a minha, e onde algo me diz, poderia ter sido muito feliz.
O VELEIRO
O veleiro faz-me sonhar
Com viagens eternas sem destino
Percorrendo o Mundo através do Mar
Ao encontro dos meus sonhos de menino.
Sem tempo, sem dia, sem hora
Como cenário, o Mar e o Céu
Vivendo da Vida apenas o “agora”
E à noite, as Estrelas, o Sonho e eu.
Como a gaivota solitária
Planar no infinito do Céu
Sem limites, como um pária
Que há muito a identidade perdeu
Talvez que a imagem do veleiro
Desperte em mim a ânsia de libertação
Daquele que sou e que rejeito
Partindo para outro que procuro em vão.
( O Autor do Poema é português, serpense, mas tem apelido Castelhano. Mais do que isto, não posso nem devo dizer)
****~~~~~****
Gostaria de lhe ter dito que o sonho, que tantas vezes se procura longe, por vezes, está ali, no lugar onde sempre estivemos.
( O Autor do Poema é português, serpense, mas tem apelido Castelhano. Mais do que isto, não posso nem devo dizer)
****~~~~~****
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Poetas e Cenas da Vida Real,
Solidão.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Santa Susana - A Menina Bonita do Alentejo -
“A poucos quilómetros
de Alcácer do Sal,
a aldeia de Santa Susana,
tem menos de cem habitantes
e praticamente nenhum comércio.
As casas de piso térreo caiadas
de branco dão-lhe um ar pitoresco,
mas entre os que cá vivem
e os que vêm de passagem,
há cada vez menos gente
a percorrer estas dez ruas.
Como se vive num lugar sem jovens,
onde os dias passam cada vez
mais devagar?”
Foi com este texto e a fabulosa fotografia da senhora sorridente a espreitar à janela, ( que eu fotografei da revista ) que o jornalista António Pedro Santos iniciou uma fantástica reportagem sobre esta pequena aldeia alentejana, publicada na NM, há umas semanas atrás. Fiquei encantada com a beleza branca e azul das suas ruas e o arrastar lento das horas, sem pressa nem ansiedade.
"Além da taberna que só abre ao fim da tarde, a aldeia tem
apenas dois estabelecimentos comerciais: uma pequena oficina de automóveis e o
restaurante com uma residencial. Em termos gastronómicos destacam-se as migas à
alentejana com coelho frito e o arroz de cabidela."
"A estrada nacional que atravessa a localidade é de uma
agitação constante, nos meses de Verão, por turistas que passam a caminho da
praia da Comporta ou do Carvalhal.
Há apenas seis crianças em Santa Susana. Dizem que ali é que
se sentem bem, nas cidades é muita confusão."
A reportagem conta com depoimentos encantadores de habitantes que adoram a sua aldeia. Ali nasceram, cresceram e envelheceram. É ali que desejam permanecer até ao fim dos seus dias. Durante os longos meses em que a rua principal se aquieta do ruído de carros que se dirigem às praias já citadas.
O que resta?...o que resta é conversa!! Nenhum habitante se queixou de solidão. Foi esse convívio, essa conversa entre pessoas que, imaginamos, pouco terão para conversar, que me seduziu nesta pequena e linda aldeia. Provavelmente na taberna, que só abre ao fim da tarde, entre um copo de três e um petisco, contam-se anedotas sobre alentejanos!!...
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Os TAIS QUAIS, São Fenomenais!...
A estreia ao vivo, deste supergrupo, aconteceu a 09 de Junho
de 2014 no Festival Encontro de Culturas, em Serpa.
Nesta altura, ainda se vivia na expectativa se o Cante Alentejano viria a ser escolhido pela UNESCO, para fazer parte do Património Imaterial da Humanidade. O que veio a acontecer, para gáudio nacional, especialmente, do povo alentejano.
“Olha a
Noiva Se Vai Linda”
Celina já te casaste
Já o laço te apanhou
Deus queira que sempre digas
Se bem estava,
Se bem estava melhor estou
Já o laço te apanhou
Deus queira que sempre digas
Se bem estava,
Se bem estava melhor estou
Olha a
noiva se vai linda
No dia do seu noivado
Também eu queria ser
Também eu queria ser
Também eu queria
Também queria ser casado
No dia do seu noivado
Também eu queria ser
Também eu queria ser
Também eu queria
Também queria ser casado
Ser
casado e ter juízo
Acho que é bonito estado
Também eu queria ser
Também eu queria ser
Também eu queria
Também queria ser casado
Acho que é bonito estado
Também eu queria ser
Também eu queria ser
Também eu queria
Também queria ser casado
Tua boca é uma rosa
Os teus dentes as folhinhas
E essas tuas faces mimosas
São duas,
São duas lembranças minhas
Os teus dentes as folhinhas
E essas tuas faces mimosas
São duas,
São duas lembranças minhas
João
Gil, Sebastião Santos, Jorge Palma, Celina da Piedade, Tim, Paulo Ribeiro,
Vitorino e Serafim (humor), juntos, formam o colectivo “Tais Quais” resgatando
das memórias a experiência dos antigos, unida ao talento dos novos autores. Que sigam em frente, somando ao Cante Alentejano, a vontade de dar a conhecer ao Mundo a nossa Cultura Popular.
" Tais Quais"...Oliveiras, olivais...
" Tais Quais"...Oliveiras, olivais...
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As Nossas Canções.
domingo, 19 de outubro de 2014
Quando Canta Um Português...
....Cantam, logo, dois ou três! Em qualquer parte dos quatro cantos do Mundo!
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| Foto by Bert Hoferichter DAQUI A Banda portuguesa TABU, a viver em Kitchener, Ontário, Canadá, gravou estes dois temas que fazem parte do CD com o título "Coisas D'outrora". Este videoclip que me diz muito, ou não tratasse ele de um tema Alentejano, foi gravado em pleno Inverno num palheiro rústico. E, agora, digam lá se eu tenho razão ou não, por sentir orgulho em ser portuguesa! Não trocava a minha nacionalidade por outra qualquer, por muito próspero que fosse esse País! É aqui, neste pequenino rectângulo do ocidente europeu, que guardo as minhas memórias mais sagradas. Boas, más e nem tanto! ############################################ |
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
MARGEM SUL.
No início do vídeo podem ver-se imagens muito bonitas da minha terra,
entre elas, uma Praça já vossa conhecida.
ALENTEJO
Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra. E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de solfejo
Além de ti
Além do Tejo
Verás o
rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul
Outro é o
tempo
Outra a medida
Outra a medida
Tão
grande a página
Tão curta a escrita
Tão curta a escrita
Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe
situada no Alto de S. Gens.
Entre o
achigã e a perdiz
Entre o chaparro e o choupo
Entre o chaparro e o choupo
Tanto
país
E tão pouco
E tão pouco
Solidão é
companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum
À sombra
de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um
É de pequenino, que escolhemos o nosso caminho.
Há sempre sombra para mais um
É de pequenino, que escolhemos o nosso caminho.
Na
brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia
Alentejo é a última utopia
Todas as
aves partem para o sul
Todas as aves: como a poesia
Manuel Alegre
Todas as aves: como a poesia
Manuel Alegre
(Alentejo e Ninguém)
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