Mostrar mensagens com a etiqueta António Aleixo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Aleixo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de agosto de 2019

OH! PRIMA, EU SOU CAÇADOR!

REEDITADO.

Sete anos volvidos, é com grande prazer que renovo esta publicação, numa homenagem ao Poeta António Aleixo.


Mote

- Primo, que medo, que horror!...
Que bicho é que tem na mão?
- Oh! Prima eu sou caçador,
Este bicho é um furão!...

Glosas 


...Ande cá, pegue-lhe aqui
Co’a sua mãozinha linda;
Talvez ele cace ainda
Um coelhinho para si
- Quando os seus olhos eu vi,
Seu rosto mudou de cor,
E não perdeu o rubor
Ao tocar-lhe só c’um dedo...
- Então já não diz com medo:
"Primo, que medo, que horror!?..."

*

- Mas o bicho há-de morder...
- Não, não morde em moças novas,
Isto é p’ra meter nas covas
Onde caça grossa houver;
Talvez me saiba dizer
Onde alguns coelhos estão...
Disfarce a má impressão,
Venha-me já ensinar,
E não torne a perguntar:
“Que bicho é que tem na mão?”

***

Se ficaram com curiosidade para saber como acaba a história que António Aleixo contou, façam o favor de clicar AQUI, e divirtam-se. 


-------------------------------------------------
----------------------


quarta-feira, 15 de junho de 2016

( QUASE) A PEDIDO...

...Quem é amiga, quem é...que oferece poemas lindos?? 

IMAGEM  DAQUI

Gentil Camponesa



Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.
És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.
Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:
És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.

És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado...
Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,
Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;
És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;
Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.

Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,
Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!...
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,
E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa

( Poema de António Aleixo)





================================================================

===================================================

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

OUTROS TEMPOS.

Esta é das poesias de António Aleixo, a que mais gosto e a que mais me diz!...


TELA DA AUTORIA DE CARLOS REIS, RECOLHIDA
DAQUI.


                                        A Gentil Camponesa

                                              Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.
És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.
Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:
És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.

És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado...
Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,
Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.
Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno.

Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;
És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;
Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.

Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,
Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!...
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,
E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa 





Meus Amigos, a todos desejo um excelente
 FIM-DE-SEMANA


«««««««««««««««««««««««««««««««««««««

»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»


terça-feira, 28 de julho de 2015

De Volta À Minha "Praia"...

...A Poesia!!

Não Dês Esmola a Santinhos

Não dês esmola a santinhos, 
Se queres ser bom cidadão; 
Dá antes aos pobrezinhos 
Uma fatia de pão. 

Não dês, porque a padralhada 
Pega nas tuas esmolinhas 
E compra frangos e galinhas 
Para comer de tomatada; 
E os santos não provam nada, 
Nem o cheiro, coitadinhos... 
Os padres bebem bons vinhos 
Por taças finas, bonitas... 
Se elas são p'ra parasitas, 
Não dês esmola a santinhos. 
Missas não mandes dizer, 
Nem lhes faças mais promessas 
E nem mandes armar essas 
Se um dia alguém te morrer. 
Não dês nada que fazer 
Ao padre e ao sacristão, 
A ver para onde eles vão... 
Trabalhar, não, com certeza. 
Dá sempre esmola à pobreza 
Se queres ser bom cidadão. 

Tu não vês que aquela gente 
Chega até a fingir que chora, 
Afirmando o que ignora, 
Assim descaradamente! 
Arranjam voz comovente 
Para iludir os parvinhos 
E fazem-se muito mansinhos, 
Que é o seu modo de mamar; 
Portanto, o que lhe hás-de dar, 
Dá antes aos pobrezinhos. 
Lembra-te o que, à sexta-feira, 
O sacristão — o mariola! — 
Diz, quando pede a esmola: 
«Isto é p'ra ajuda da cera»... 
Já poucos caem na asneira, 
Mas em tempos que lá vão, 
Juntavam grande porção 
De dinheiro, em prata e cobre, 
E não davam a um pobre 
Uma fatia de pão. 

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." 


««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
««««««««««««««««««««««««««««««««««««««




sábado, 18 de abril de 2015

Sabedoria Sem Sobranceria.



Quadras Soltas:


Olhas p’ra mim e sorris,
Desdenhas dos meus tormentos:
Os gestos dos imbecis
mostram os seus sentimentos.






Com o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê em seu proveito?



Procurar o imprevisto
é próprio dos homens novos
e por isto, só por isto, 
lavra a discórdia entre os povos.

À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra
vendo a guerra em terra alheia
não querem que acabe a guerra.

Tenho fé nas almas puras
embora viva enganado,
Não troco esp’ranças futuras
pelas glórias do passado.


António Aleixo in Este Livro Que Vos Deixo


( Imagem da Net )

«««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

«««««««««««««««««««««««

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Matar Desejos Não É Pecado.

Fui espreitar o perfil de um novo vizinho  de quem- em boa hora -  me tornei leitora/seguidora, e vi, que à partida, tínhamos um gosto em comum! As belas quadras do maior poeta popular de todos os tempos, o algarvio, natural de Loulé, António Aleixo!
Os leitores que me conhecem há mais tempo, sabem bem desta minha paixão pelas suas quadras, quintilhas e sextilhas.  Já a ele dediquei vários posts, e, hoje, vai sair mais outro. Não é hábito dizer-se, que o que é do gosto, regala a vida?!?   




"O Beijo Mata o Desejo"
 MOTE

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»

GLOSAS
 
Porque te amo de verdade,
Estou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.

Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.

E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.

Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!   
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo."
 
***************************************
********************

sábado, 9 de março de 2013

"Só Os Burros Estão Dispostos A Sofrer Sem Protestar"


Estátua de António Aleixo em Loulé, em frente ao Bar "Calcinha",
 frequentado em vida pelo poeta.

Fonte: Wikipédia
 
 
Os Vendilhões do Templo


Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.

Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram
,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.

E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo - o bom doutrinário.




António Aleixo in "Este Livro que Vos Deixo”
 
 
Uma vez mais, aqui vos trago o meu Poeta popular preferido, e,
algumas das suas quadras soltas, ditas pela voz inconfundível de um dos nossos melhores  declamadores de sempre.