"Acreditava em tudo o que ela
me dizia. Ficou-me gravada na mente a massa informe de don Achille a correr por
passagens subterrâneas com os braços pendurados, segurando com os grandes dedos
de uma mão a cabeça de Nu e com os da outra a cabeça de Tina. Sofri muito.
Adoeci com febres pueris, melhorei, adoeci de novo. Fui atacada por uma espécie
de disfunção táctil. Às vezes tinha a impressão de que, enquanto todos os seres
animados em meu redor aceleravam os ritmos da sua vida…"
Este é o livro que pousou, mais recentemente, na minha mesa de cabeceira. E não está lá desde ontem nem de anteontem. Empanquei em algo que não me deixa avançar na leitura. Nem eu mesma sei qual a verdadeira razão. É um certo mal-estar que me invade sempre que penetro naquela dependência emocional de uma pessoa a outra. Pior - ou não - tratando-se de crianças.Uma tão vulnerável e outra tão manipuladora. Há amizades que fazem mais mal do que bem. Quem se deixa influenciar nunca se apercebe disso. Pelo contrário, nutre uma verdadeira idolatração pelo outro.
Sou levada a crer que Elena Ferrante não ganhou mais uma leitora. Eu sei...eu sei, a culpa é minha. Não sendo uma pessoa influenciável e, quiçá, demasiado dona das minha convicções, custa-me muito aceitar que haja quem se deixe manipular a ponto de ter pesadelos...
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