À força de estarmos conectados,
numa disponibilidade indistinta e sem horário, acabamos por nos desconectar das
pessoas a quem mais queremos. O resultado é este: ficamos mais próximos dos
desconhecidos e mais desconhecidos dos que nos são próximos. São muitas as
atitudes que podemos tomar para diminuir saudavelmente o nosso grau de
hiperconexão à Net,
reconquistando espaços de qualidade, de reflexão, de governo de si, de partilha
com os outros ou de necessário repouso.
A
primeira atitude, porém, é afirmar o direito a desconectar-se. Só isso fará
recuar a síndrome da «hiperconectividade» que nos condiciona a todos,
indiferentemente de idades e contextos: mensagem chama mensagem, e com uma
urgência que se sobrepõe a tudo; os pais atendem mais vezes o telemóvel do que
aos filhos pequenos que vivem com eles; os amigos não conseguem dizer uns aos
outros «gosto muito de ti, mas não vou responder a todos os
teus whatsapp»; os namorados não sabem amar-se sem a mediação das redes
sociais; gasta-se um tempo precioso a responder, replicar, retorquir tontices
por monossílabos, alimentando a ilusão de que diante de um ecrã nunca se está
sozinho. Mas aí estamos solitários mais vezes do que supomos.
José
Tolentino Mendonça, - in “O Pequeno Caminho das Grandes
Perguntas”.
Uma criança solitária e carente preferirá alimentar-se
ou alimentar o seu gatinho de estimação? Único companheiro de brincadeiras e
folguedos?
Ficou-me a dúvida ao ver o gatinho dormitar saciado, e
a criança de olhar parado…mas vivo e alegre. ( tem um amigo )
Também pensei nas crianças que têm de abandonar Calais,
dentro do espaço de um mês. (creio) Para onde irão? O que comerão?...
Gostei de ver os Duques de Cambridge, na sua visita ao
Canadá e adorei, adorei mesmo, ver como estão lindos e crescidos os seus adoráveis principezinhos.
Mas, as crianças que chapinhavam nas poças de água, em
Calais, não me saem do pensamento…
...Ainda aqui voltarei para festejar convosco a passagem para o Novo Ano, que se deseja diferente, melhor para todos nós, como é evidente!! Até lá gostaria de vos deixar com esta frase de William Shakespeare:
"Há mais coisas
entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia"
Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto,
uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora
dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela
sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida.
Viver é ter fome.
Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos
dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem
conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem
justa, e não dá para comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro
ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes
e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar,
acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos
professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma
dádiva de nós para nós mesmos.
Os milagres que nos acontecem têm sempre uma
impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se
contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é
doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as
respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas
divertidas. Joaquim Pessoa, in "Ano Comum"
Pode ser tudo isto mas, essencialmente, é Amar... Gostar de...
Tudo o que já vimos e ouvimos, tudo o que vemos e sentimos. Tudo...O que nos faz mais alegres e felizes ou, simplesmente, mais serenos e de bem com a nossa consciência.
...sou
amado, quanto mais amado
mais correspondo ao amor.
Se sou esquecido, devo esquecer também.
Pois amor é feito espelho:
Tem que ter
reflexo.
( Pablo Neruda ) Será? Só conseguiremos amar quem se reflectir no nosso amor? E se assim não for? Mandamos ou não no nosso coração? O amor pode ser um sentimento muito complicado!...