Esta foto tem mais de meio século e, para a digitalizar, tive que a pedir, hoje, à minha filha, jáque ela a guarda com muito carinho, juntamente com outras suas, de quando tinha mais ou menos a mesma idade.
A semelhança é de facto bastante notória.
Esta criança de ar interrogativo e um pouco assustada, sou eu com seis meses de idade.
É o que está escrito por detrás da foto, com a caligrafia, inconfundível, da minha saudosa Mãe.
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Esta ideia de falar das minhas memórias de infância, começou a germinar na minha mente
quando um amigo virtual, que muito estimo, publicou as suas belas e bem recheadas
recordações de menino e moço.
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Como a minha meninice decorreu sem grandes incidentes, não teria muito interesse, se as não ilustrasse com algumas imagens.
Assim, fui ao meu velho baú e lá encontrei estas.
Para mim são verdadeiras relíquias, ainda que um pouco amarrotadas.
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Aqui fui uma espécie de pagadora de promessas.
A minha tia Gertrudes, sofreu um acidente grave e prometeu à Nossa Senhora de Guadalupe
padroeira de Serpa, que se recuperasse a saúde e a genica, entre outras dádivas, alguém iria
na procissão, por altura da Páscoa, vestida de Nossa Senhora das Dores.
Ora, como eu era o membro feminino mais novo de toda a família, a escolha recaiu sobre mim.
Creio que teria uns sete anos.
Lembro-me que, tal como hoje, não gostava de acatar ordens. Por isso tudo me foi pedido com muito jeitinho. A minha tia, mulher enérgica e toda despachada, que adorava dar ordens, andou uns tempos comigo nas palmas das mãos.
Até prometeu e cumpriu, comprar-me uns sapatos novos para calçar nesse dia.
O pior é que os ditos eram tão rijos, que no final da procissão eu tinha os pés cheios de bolhas.
Mas valeu a pena!
A foto foi tirada antes, senão o meu ar não seria tão risonho, no estúdio fotográfico do "vizinho" Francisco Favinha, o único fotógrafo da terra e com um talento especial para a arte.
Foi a filha mais nova e minha melhor amiga, que lhe seguiu as pisadas e ainda hoje é ela que dirige a "Foto Favinha".
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Aqui começaram os casamentos das minhas primas.
Esta foi a primeira a casar, tinha eu onze anos.
A minha prima Maria do Carmo. Reparem no ar embevecido do noivo.
Esta é a Igreja de S. Salvador, situada no centro da Cidade, então Vila, e é daqui que parte a
procissão, que eu tinha acompanhado uns anos atrás, até ao Alto de S Gêns, onde fica a Capela da Santa Padroeira.
A jovem que está a meu lado, com um sorriso de orelha a orelha, é a minha irmã
também, chamada Maria do Carmo, seis anos mais velha do que eu.
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Esta foto só aqui está para marcar a transição da infância para a idade adulta.
Embora aqui eu tivesse, apenas, quinze anos.
Nesta altura já não vivia em Serpa e sim em Moscavide.
Isto é era o Bairro dos Olivais. Hoje, existe Olivais Sul e Norte e dos
olivais nem a sombra resta!
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Aqui estou eu, uma jovem e orgulhosa mamã, com a minha filha Ana Manuela
quando ela tinha sete meses.
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Eu, já avó, com o meu primeiro neto o João Pedroque vai fazer onze anos no dia 8 de Dezembro
dia de Nossa Senhora da Conceição.
Este menino foi uma dádiva que Deus enviou, não só para a minha filha
mas, também, para mim. Sei isso, porque ele veio ao mundo numa altura em que
eu mais precisava dele.
Senti isso no dia em que ele nasceu.
Voltar a ter um bebé nos meus braços, amá-lo e cuidar dele, foi
para mim uma Graça Divina.
O resto da minha família já conhecem, através das minhas férias em La Manga.
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