segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

RECONHECIMENTO.

Não posso dizer que me considero uma pessoa a quem a sorte bafejou mas, neste momento, sinto-me uma afortunada!
Consegui resolver os meus problemas com o computador, alguns pessoais e outros, ainda, a nível profissional.
Agora só tenho que saber gerir bem o meu tempo, de modo a poder conciliar todos os meus afazeres com aquilo que me dá alegria e prazer. Como já todos compreenderam, refiro-me ao cuidar do meu cantinho e conviver com a família maravilhosa que representam, para mim, os amigos da blogosfera.
Quero deixar expressa uma palavra especial de carinho para os seguintes amigos:
Laura, Maria Luisa Adães, Santa Cruz, Ná, Jady Alves, Fê e Edgar Neves.
A palavra é tão simples, quanto profunda e sentida:
OBRIGADA!
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Charlie Chaplin, não foi somente o grande actor que fez rir o Mundo ao encarnar o personagem de Charlot. Foi um homem culto, sensível e atento ao problema das desigualdades sociais.
Foi, ainda, um homem conhecedor dos anseios da alma e dos sentimentos contraditórios, tão comuns no ser humano.
Imagem recolhida da NET.
"Quando aprendi a gostar de mim,
compreendi que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto.
Então, pude descontrair.
Hoje sei que isso tem um nome... AUTO-ESTIMA.
Quando aprendi a gostar de mim,
pude perceber que a minha angústia,
o meu sofrimento emocional,
não passava de um sinal de que estava
indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é...AUTENTICIDADE.
Quando comecei a gostar de mim,
comecei a perceber como é ofensivo
tentar forçar alguma situação ou alguém,
apenas para realizar aquilo que desejo,
mesmo sabendo que não é o momento
ou a pessoa não está preparada,
inclusivé eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... RESPEITO.
Quando, deixei de temer o meu tempo livre
e desisti de fazer grandes planos,
abandonei os projectos megalómanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto,
quando quero e ao meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... SIMPLICIDADE.
Quando, desisti de querer ter sempre razão,
com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... HUMILDADE.
Quando aprendi a gostar de mim,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Agora, mantenho-me no presente,
que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é... PLENITUDE.
Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente pode
atormentar-me e decepcionar-me.
Mas, quando a coloco ao serviço do meu coração,
ela torna-se uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!"

Escrito por Charlie Chaplin


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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

AMORES QUE NÃO DESILUDEM.

É com enorme tristeza que venho pedir desculpa a todos os amigos/as que tiveram a gentileza de me deixar os seus preciosos comentários na postagem que tinha publicado a seguir a esta.
Lamentavelmente e por reconhecida “azelhice” da minha parte, ao tentar introduzir algumas alterações no dito post, acabei por o fazer desaparecer.
Pelo facto, que tanto me abalou, a todos peço que me perdoem.
Com profundo pesar, comunico que, por motivos alheios à minha vontade, irei ausentar-me por tempo indeterminado.

Obrigada a todos, meus amigos queridos…



25 de Fevereiro de 2011
PS: A foto é uma parte daquilo que eu pretendia fazer. De qualquer modo vou deixá-la ficar...para que não me esqueçam...até eu voltar!..
Beijinhos para todos
Janita

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Queridos amigos, como vi que gostaram do meu João, digitalizei mais estas duas fotos, tiradas naqueles anos dourados em que o tive, sempre, comigo.
Toda a minha entrega, a este menino, em tempo, dedicação e carinho, foi uma parte infinitamente menor, do bem que ele me fez!... 19/02/11





Há um legado da minha Mãe que não morrerá comigo: o amor pelas plantas de jardim!



Não o consegui transmitir aos meus filhos…gostam muito de plantas em casa, daquelas muito bonitas que se compram em vasos e é só regar e pôr à janela para apanharem luz e ar, mas meter as mãos na terra para a tornar fofa e retirar as ervas daninhas, inspirar o forte odor de terra remexida... isso não os cativa nem apaixona.
Em contrapartida, vi no meu neto mais velho o João Pedro, uma grande paixão pelas flores e o deslumbramento por assistir ao seu crescimento e desabrochar.
Como o criei desde os quatro meses até perto dos quatro anos, ele habituou-se, desde muito pequeno, a ver-me cuidar, plantar e regar o jardim.

A jardinagem chegou a ser para mim uma forma de terapia.
Ainda, hoje, durante as férias escolares o João vem para junto de mim e me incita à jardinagem. Só que a fiel jardineira arranjou outras formas de terapia e o jardim já não é o que era.
Talvez um dia, não muito distante, tudo volte a ser como dantes.



Nesta foto o meu neto tinha 8 anos.



Foi tirada em Ponte de Lima, numa Feira Temática dedicada à reciclagem. O João tem, agora, 11 anos. Continua gostar de plantas e a apreciar as belezas com que a Natureza, tão prodigamente nos contempla. Não existem no Mundo seres tão reconhecidos, como as plantas e os animais!
Se cuidarmos deles com atenção e carinho, ser-nos-ão eternamente gratos e deslumbrarão a nossa vida com lealdade, alegria, beleza e afecto...



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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DOÇURAS SEM TRAVESSURAS.....


E, agora, em plena ressaca amorosa, o post dedicado ao dia dos Namorados vai ter que ficar para trás.

O que vos peço é que aproveitem a onda e continuem a amar-se muito. Sejam tolerantes, compreensivos, gentis e não esqueçam que um pequeno agrado, como um elogio ou uma carícia, pode despertar grandes emoções e fortalecer uma relação.




E…continuem a fazer-me o favor de ser felizes! Sim... porque com amigos felizes a amizade é mais cálida e saborosa.



Para que continuem com o doce sabor do amor, a todos ofereço um chocolatinho, como prova do meu carinho.
Sirvam-se à vontade....
Acerca do dia que passou , aqui fica o meu sentir.
O São Valentim foi embora
Saudade não me deixou.
Seguirei pela vida fora
Porque a esperança… essa ficou!



Olho para trás a ver o que andei
Olho ao redor não sei onde estou.
Mas olho em frente para continuar
E continuando, sei que irei chegar.
E aí então...recomeçarei!...

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A TODOS OS ENAMORADOS....


Amanhã dia 14 de Fevereiro celebra-se o Dia do Amor, sob a protecção de São Valentim!


Antecipo-me, desejando a todos os felizes enamorados

um dia muito prazeiroso.

Amem-se muito, desfrutem ao máximo e...façam-me o favor de ser felizes!


Pensem nisto:



Amar não é estar com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos!

Não existem príncipes nem princesas.

Encarem a pessoa que amam, de forma sincera e real,

exaltando as suas qualidades

mas sabendo, também, dos seus defeitos.

O amor só é lindo, quando encontramos alguém

que nos transforme no melhor que podemos ser.


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Este soneto de Vinicius de Moraes é o meu presente para todos vós.



"Soneto do Amor Total"


Amo-te tanto, meu amor... não cante

O humano coração com mais verdade...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade

Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde


É que um dia em teu corpo de repente

Hei-de morrer de amar… mais do que pude.


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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

FILOSOFANDO....

Imagem recolhida na NET

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"Vida e morte do meu orgulho filosófico"



Ah! Como me sentia feliz,
Naquele tempo!...
Havia aprendido, com muito esforço,
A pensar filosoficamente...
Altos conceitos, sublimes ideias e ideais
Enchiam-me a cabeça e o coração...


E eu olhava com secreto menosprezo
A turba multipla dos profanos.
Da massa anónima,
Dos que não sabiam pensar


Filosoficamente.

Na cabeça e no coração era plenamente triunfante
A minha querida filosofia.
Mas, quando, um dia, tentei passar para a vida,
Para as mãos, para os pés,
Para a minha vivência quotidiana,
A minha bela filosofia
Foi tremenda a minha decepção...


Ao primeiro esbarro com o mundo profano
Lá se foi, em mil pedaços,
O meu lindo cristal filosófico!...
Humilde e cabisbaixo,
Varri para a lata do lixo
Os cacos do meu cristal partido...


Quão poéticas são as teorias mentais
E quão prosaica é a prática real!
Sou feliz quando consigo
Ser na vida
Um por cento daquilo
Que sei na cabeça.


É tão orgulhosamente doce
Esse
eu sei
É tão indizivelmente amargo
Esse eu sou.
O
eu sei
alimenta o meu velho ego
O eu sou exige a morte desse ego
Para que nascer possa o novo
Eu...


Agora, só me resta essa chama humilde
Do meu sincero querer…


Texto extraído do livro "Escalando o Himalaia"
Autor: Huberto Rohden



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ASSIM....NÃO SEI VIVER!!!




Hoje apeteceu-me falar sobre aquilo que é comum chamar de saber viver. Não foi por acaso. Constatei algo que me deixou com o travo amargo do fel, uma desilusão enorme e um profundo desencanto, que já há algum tempo me andava a rondar...

Há um ditado, nosso, muito popular que diz: “Viver não custa, o que custa é saber viver”.

Pois se neste saber viver estiver implícito o egocentrismo disfarçado de santas benfeitorias.
Estiver o não admitir que nem sempre temos razão, apenas para não dar a mão à palmatória, que é como quem diz: arcar com as consequências.
Dar a mão à palmatória, por vezes dói....mas tem de ser!
Estiver o não olhar a meios para atingir objectivos que, camuflados sob o manto das boas intenções, logram chamar a atenção sobre nós mesmos para, intencionalmente, nos lançarem em direcção à Lua. Lá bem no alto.
Estiverem atitudes subservientes, para não perder a protecção de pessoas, supostamente, influentes…
Para mim, o altruísmo sem humildade e acenado como uma bandeira é, pura e simplesmente, vaidade.

Pois, então, eu não sei, não quero e nunca irei aprender a saber viver!...


Não dessa maneira.....


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Este poema não tem nada a ver com o tema focado.


Apenas o título!




"Sabedoria"



Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte
quando Deus quiser!


Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava nas estrelas até à mais rara.
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal me confortara.


Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão o que tiver.
Se quero, é só enquanto apenas quero
Só de longe, e secreto, é que ainda posso amar.
E venha a morte quando Deus quiser.


Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas….




Poema de José Régio in "Poemas de Deus e do Diabo"

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

LOUCURA CONSCIENTE....

Imagem recolhida na NET
Álvaro de Campos:
Um dos heterónimos de Fernando Pessoa
A característica predominante nos seus poemas, é a angústia existencial, porque está relacionada com o tédio e a náusea.
Essa angústia é provocada pela dor de ser lúcido e possuído de loucura, mas consciente dessa loucura, o que intensifica o seu sofrimento.
Outro factor que contribui para essa angústia é o facto de ele se considerar um inútil, um “vaso vazio inútil” que se partiu em mil pedaços:
“Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir”.

A angústia provocou-lhe um cansaço existencial devido às suas ambições não concretizadas na medida desejada: impossibilidade de anulação de todos os limites, sensações inúteis, paixões violentas por coisa nenhuma, o viver excessivo, o correr cada momento no limite, o ter querido o finito e o possível, mas ter-se desiludido:
“O que há em mim é sobretudo cansaço”.

Concluindo, Álvaro de Campos sente um cansaço de tudo, não especialmente e concretamente de coisa alguma...
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"POEMA EM LINHA RECTA"
Álvaro de Campos


Nunca conheci quem tivesse levado pancada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda.
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras
pedido emprestado sem pagar.
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho.
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos.
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que sou vil e erróneo nesta Terra?

Poderão as mulheres não os terem amado.
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído.
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil.
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

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sábado, 29 de janeiro de 2011

O MILAGRE DA MATERNIDADE....


"INIMIGAS"
Continuação

"....Tal e qual, não tardou muito, nove meses contados, mais coisa menos coisa, tudo se compôs a contento de Faiões.
Certas como relógios, o Abril a cair, e cada uma com o seu menino.
Mas a Sofia esteve tão mal, tão doente, custou-lhe tanto o dela, que ninguém o julgava. Febres, acidentes, albuminas, que foi preciso vir o médico e mesmo assim esteve desenganada. Leite para o filho, viste-o. Sequinha como as palhas! O infeliz chupava um pano molhado em água açucarada, que a Rosa lhe chegava à boca, engolia uma pinga de leite de cabra, cortado, e era tudo! Mirradinho de todo.
A Cacilda soube do caso ainda antes do tempo de resguardo. Nas terras pequenas, as boas e as más notícias entram pelas frinchas da parede. E já com outra humanidade na alma, mãe de todos os pimpolhos do mundo e solidária com todas as mães amigas ou inimigas, mandou chamar a Rosa e pôs-lhe as fontes do peito à disposição.
Com uma condição apenas: que a Sofia não soubesse de nada. À laia de passear o menino, lho levasse lá e ela havia de ver como o pequeno arribava, que tinha leite naqueles seios que chegava para um regimento. Até lhe doíam.
Assim foi. A Sofia, a poder de remédios e mais remédios, ia tendo mão na vida. E enquanto ela dormia, desmaiava, ou estava para ali amodorrada, a Rosa era como o vento: agarrava no garoto e corria para casa da Cacilda a fartá-lo.
Até que a Sofia arribou. Levantou-se muito fraca, muito amarela e quis dar de mamar ao filho. Já podia.
Mas, quando foi abrir a blusa e pôs à mostra os dois seios secos, nem o catraio as quis, nem a Rosa consentiu que lhas metesse na boca.
- Guarda lá isso, mulher, que até o podes envenenar! Eu lhe darei de comer. Olha que à fome não morre.
Humilhada, a Sofia começou a chorar. E ainda mais desespero sentiu, pouco depois, ao ver a criança espernear nos braços da Rosa, recusar a chupeta e começar num berreiro de atroar os céus. O seu rico filho estava doente. Nem comer queria!
A Rosa é que não atribuiu grande importância à birra, como lhe chamou. A criança precisava de sair um migalho, de apanhar sol…Ia passeá-la.
A Sofia ficou só, cheia da sua mágoa. Nunca fora fortalhaça, como a Cacilda, mas sempre esperara poder criar um filho, se Deus lho desse. Afinal…E por via disso o menino tinha de beber à sobreposse leite de cabra, que se calhar lhe fazia mal.
Valha a verdade que não estava magro…Contudo, sempre era criado como os enjeitados. Que alegria para a Cacilda!
Malucava nisto, quando a Rosa entrou com o rapaz, calado e sonolento.
- Vamos experimentar outra vez?
A Rosa respondeu que sim, que ia encher a mamadeira…E nunca mais voltou.
Como o menino não chorava e se lhe ferrou a dormir no colo, a babar-se, a Sofia desconfiou. Ali andava segredo.
No meio da tarde, cansada, a doente foi-se deitar e pegou no sono. A criança lá estava no berço, rosada como um anjo.
Apesar de adormecida, a Sofia continuava na sua grande labuta. A maternidade incompleta doía-lhe na raiz do instinto. E via em sonho o pequeno mirrar-se de fome, vítima inocente de uma mãe que o não era. Ofegante, tentava libertar-se do pesadelo. Não conseguia. Cada vez mais sumido, esquelético, o infeliz acusava-a com os seus grandes olhos negros, que cintilavam da escuridão de umas órbitas fundas como poços.
Num grito de terror, acordou e deu pela falta do filho.
- Tia Rosa, o menino? - Perguntou, aflita.
Respondeu-lhe o marido, da cozinha.
- Tenho-o aqui ao colo…Vê se dormes. Cresceu-lhe a desconfiança.
E no dia seguinte, pé ante pé, ainda a cair de fraqueza, quando a Rosa foi dar um dos tais passeios ao garoto, seguiu-a. Da esquina da rua viu-a chegar à eira e entregar o miúdo à Cacilda, que estava sentada ao sol.
Aproximou-se. O pequeno parecia um bacorinho ao peito da inimiga.
E, quando as outras deram conta, estava ela de pé, maravilhada, a dizer:
- Olha lá se me engasgas o rapaz, ó Cacilda!....

FIM




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Este poema de Miguel Torga, já antes o publiquei
num post dedicado à Poesia Ibérica, em português.

Hoje, vou apresentá-lo na Língua de Miguel Cervantes, uma vez que o autor mantinha uma forte ligação com o País vizinho e era entusiasta admirador dos três grandes vultos da Literatura Espanhola, que já mencionei no post anterior.


POEMAS IBÉRICOS


"IBERIA"

Tierra.
Cuanto dé la palabra, y nada más.
Sólo así la resume
Quien la contempla desde una alta cumbre
Bien cargada de sol y de pinares.

Tierra-tumor-de-angustia de saber
Si el mar es hondo y al fin deja pasar...
Una antena de Europa que recibe
La voz de lejos que le quiere hablar...

Tierra de pan y vino
(La sed y el hambre ya vendrán después,
Cuando espuma salobre sea el camino
Donde uno anda desdoblado en dos).

Tierra desnuda y anta
Que en ella cupo el Mundo-Viejo y Nuevo...
Que en ella caben Portugal y España
Y la locura alada de su
Pue
blo.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

FICÇÃO OU REALIDADE?...

Miguel Torga, médico, poeta e dramaturgo, é o meu poeta/escritor de eleição. Desde muito jovem que sinto por este grande vulto da Literatura Portuguesa Contemporânea, uma enorme ternura e admiração, pelo seu amor às gentes rudes e genuínas da região que o viu nascer, cujas vidas difíceis tão bem retratou nesta colectânea de 23 contos, editado em 1941.
A linguagem usada é a típica das aldeias transmontanas naquela época da primeira metade do século passado.
Nascido em São Martinho de Anta, região transmontana, em Agosto de 1907, Adolfo Correia da Rocha adoptou o pseudónimo literário de Miguel Torga em homenagem aos três grandes “Migueis” espanhóis: Cervantes, Molinos e Unamuno e Torga por ser o nome de uma urze que existia em abundância naquela região de Trás-os-Montes.
Miguel Torga faleceu em Coimbra em Janeiro de 1995.


O conto que escolhi não será o mais interessante, mas é o meu preferido. Talvez porque define aquilo que entendo por verdadeira amizade. Mesmo quando parece desfeita, ela vive latente no fundo do coração e emerge no momento crucial...


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Imagem recolhida na NET
"INIMIGAS"
"Desde o arraial da Senhora da Fraga que a Cacilda e a Sofia se não podiam ver. Até ali muito amigas, sempre agarradas uma à outra, como irmãs. Mas meteu-se a ciumeira entre elas e aquela amizade foi um ar que lhe deu. Fiadas no paleio do Augusto, a prometer um tostão a uma e cinco vinténs a outra, pareciam cadelas ao mesmo osso. Não saberem que quem é homem diverte-se, e que em coisas assim o melhor é fazer das tripas coração e deixar correr! Qual o quê! Puseram-se a dar ouvidos aos vinte anos, e, não é nada, faziam lume mal se encaravam.
Na noite da tal zanga, andavam juntas no adro, felizes da vida, a comer peras e a beber limonada, quando o rapaz se aproximou, se eram servidas de qualquer coisa. Que muito obrigadas, mas que não tinham fome nem sede.
­­- E uma prenda?
Que aceitavam, já que estava tão daimoso.
Ora, o Augusto, na escolha dos ramos de rebuçados, teve tais artes, que só com a quadra que neles vinha encheu as duas da miragem dum amor sem misturas. Umas patetas!
O certo é que, mal o rapaz tirou a Sofia para dançar, a Cacilda ficou como se lhe tivessem dito que o fim do mundo era naquele instante.
Os arraiais da Senhora da Fraga são um bota-fora a noite inteira, com duas músicas a estrondar, uma de cada lado da Capela. Fogo, nem se fala. Até de Sanfins se pode ver o céu de Faiões, sem um minuto de intervalo, aberto de claridade. Coisa rica!
Pipas e pipas de vinho debaixo da carvalhada, e do melhor, que parece que todos capricham nisso. Tascas de fritos, mesas de cavacas e de refrescos, medas de regueifas, carros de melancias, um louvar a Deus. Fartura de tudo! De maneira que quem diz: vou ao arraial da Senhora da Fraga e vai, já se sabe que não arranca de lá antes do alvorecer. Por isso, até a Santa estremeceu no altar quando a Cacilda disse que se ia embora. Perguntava-lhe a Ti Constança, abismada:
- Que mosca te mordeu, rapariga? Tu estás maluca ou quê?
Felizmente que o Augusto valeu àquilo, arredondando a fala e convidando-a também.
Toda babada por dentro, que não, que não dançava. Rogasse outra vez à Sofia. O rapaz insistiu, e o que foste fazer! Agarrou-se a ele e atirou-se à cana-verde que parecia um pé-de-vento! De madrugada, comiam-se uma à outra.
E valia a pena! As palermas a adorá-lo, a quebrar lanças pelo grande adereço, e o ladrão de caçoada! Ainda o cheiro dos foguetes andava pela serra a cabo, já os banhos do casamento dele a correr em Favaios com uma de lá!
Cuidaram todos que, morto o bicho, morta a peçonha. Oh, oh! Nem assim deram o braço a torcer! Engoliram a desfeita e ficaram como dantes, senão pior. E mutuamente a atribuírem-se as culpas do Augusto bater as asas! O grande prejuízo! Que valia ele mais do que os outros? Nada. E a prova disso é que não tardou muito estavam casadas, com dois rapazes bem jeitosos, de resto, o Alberto e o Raimundo. Que queriam mais? Mas meteu-se-lhes aquela vilania no corpo, que mesmo depois de o verem arrumado e de se arrumarem também, continuavam a ferro e fogo.
Na boda de ambas ainda houve quem tentasse fazer as pazes. De nada valeu! Danadas!
Como a Sofia casou primeiro, disse-lhe a Rosa:
- Eu se fosse a ti, convidava a Cacilda…Fostes tão amigas na mocidade!
Que não a queria ver nem pintada numa parede. E logo naquele dia, de mais a mais! Uma falsa, que se lhe atravessara no caminho como uma ladra! Não. Havia ofensas que nem à hora da morte…
E a Cacilda, quando lhe chegou também a vez, mal lhe falaram em convidar a Sofia, credo, mudou de cor e perguntou muito a sério se lhe queriam estragar a festa. A raiva que tinha da outra iria com ela para a sepultura.
Com tal gente, bom dia! É não fazer caso e deixar correr. Dar tempo ao tempo que cura males e embranquece os cabelos…"

Continua...

Lamento, mas estou a transcrever directamente do livro e não tive tempo para passar tudo...

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