quarta-feira, 20 de julho de 2011

ÀS VEZES - TODOS OS DIAS!


 

Este post é uma singela, mas muito sentida homenagem que presto ao meu querido amigo Kim. 
Homem com um coração tão grande, que tem sempre espaço para mais um amigo.
Dono de um sentido de humor e de uma vontade de viver invejáveis.
Solidário e sempre predisposto a ajudar quem dele precisa.
Para completar todos estes predicados é um filho e pai exemplar.

Kim, isto não é "graxa"!  Sabem-no tão bem ou melhor do que eu, as centenas de teus amigos.

Espero que gostes deste poema de um dos heterónimos de Fernando Pessoa.
Tanto quanto eu gosto.




ÀS  VEZES

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que, a meu pesar, concebo.

Nem nunca propriamente reparei
Se na verdade sinto o que sinto.
Eu serei tal qual pareço em mim?
Serei?
Tal qual me julgo verdadeiramente?

Mesmo ante as sensações sou um pouco descrente.
Nem sei bem se sou eu que em mim se sente!


Álvaro de Campos




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Para os meus amigos que ainda não conhecem o KIM , deixo-vos o seu site.
Passem por lá, vão gostar de o conhecer.





sexta-feira, 15 de julho de 2011

PAIXÕES.



Para além de termos nascido ambas no Alentejo e ela ter vivido no norte do país, há uma afinidade entre mim e Florbela Espanca.
Não é o permanente sentimento de angústia e insatisfação com que ela sempre se debateu, mas o imenso amor pelas vastas planícies alentejanas.
Não sendo ela a minha poetisa preferida, há em muitos dos seus poemas um grito desgarrado de dor que me entristece e ao mesmo tempo me fascina.
Este soneto, sinto-o como se meu fosse.




Árvores do Alentejo

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte.

E quando, manhã alta, o sol pesponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte.

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão, remédio para tanta mágoa.

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
               Também eu ando a gritar, morta de sede
Pedindo a Deus…a minha gota de água!



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terça-feira, 12 de julho de 2011

MORTE INGLÓRIA.



"O Rouxinol e a Rosa"

- Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o estudante – mas em todo o jardim não há uma única rosa vermelha.
Do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol ouviu-o e, espiando-o através da folhagem, ficou pensativo.
 - Nem uma rosa vermelha em todo o meu jardim! – repetiu o estudante, e os seus olhos encheram-se  de  lágrimas. – Ah! De que insignificâncias depende a felicidade! Li tudo o que escreveram os sábios, conheço todos os segredos da filosofia. No entanto, a falta de uma rosa vermelha torna a minha vida intolerável.
- Eis aí, finalmente, um amante sincero! – disse  o Rouxinol. – Durante muitas e muitas noites cantei com ele, embora não o conhecesse, cantei às estrelas a sua história e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa dos seus desejos, mas a paixão pôs no seu rosto a palidez do marfim e a dor marcou-lhe a fronte.

- Amanhã à noite o Príncipe dará um baile - murmurou o estudante - e a minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe levar uma rosa vermelha, dançará comigo até ao amanhecer. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la nos meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa na minha. Mas não há uma única rosa vermelha no meu jardim... e ficarei só.
E o estudante tapou o rosto com as mãos, atirou-se para cima da relva e chorou. O amor, realmente, é uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que as esmeraldas e mais raro do que as opalas finas!
- Porque choras? – perguntou um pequeno lagarto, ao passar por ele correndo, de rabinho no ar.
- Porquê? – disse a borboleta que esvoaçava, perseguindo um raio de sol.
- Porquê? – sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.
- Chora por uma rosa vermelha – disse o Rouxinol.
- Por uma rosa vermelha? – exclamaram. – Que coisa ridícula! – E o pequeno lagarto, que era um tanto irónico, não conteve uma gargalhada.
Mas o Rouxinol compreendia o segredo da dor do estudante e ficou silencioso no carvalho, pensando no mistério do amor.
Subitamente abriu as asas trigueiras e lançou-se pelos céus. No meio da erva crescia um magnífico roseiral. O Rouxinol voou na sua direcção e pousou num dos seus ramos.
- Dá-me uma rosa vermelha – pediu - e cantar-te-ei a mais linda das minhas canções.
Mas o roseiral abanou a cabeça.
- As minhas rosas são brancas, tão brancas como a espuma do mar, e mais brancas do que a neve da montanha.
Assim o Rouxinol voou para o roseiral que crescia por baixo da varanda do estudante.
- Dá-me uma rosa vermelha – pediu.
- As minhas rosas são vermelhas – respondeu o roseiral – vermelhas como os pés das rolas, mais vermelhas do que os leques de coral que se movem nas profundezas do oceano, mas o rigor do inverno penetrou nas minha veias e a tempestade quebrou os meus ramos. Não darei rosas este ano.
- Apenas uma rosa vermelha, é tudo o que desejo – suplicou o Rouxinol – Apenas uma! Não haverá meio de a conseguir?
- Há um meio – respondeu o Roseiral – mas é tão terrível que não ouso revelar-te.
- Diz – insistiu o Rouxinol – Não tenho medo!
- Se queres uma rosa vermelha – disse o Roseiral – deves criá-la com o teu canto e tingi-la com o sangue do teu coração. Deves cantar para mim, com o peito atravessado por um espinho. Durante toda a noite deves cantar para mim, e o sangue da tua vida deve correr nas minhas veias e tornar-se meu.
- A morte é um preço muito elevado a pagar por uma rosa vermelha – exclamou o Rouxinol – e a vida é preciosa…é tão bom estar-se no bosque…suave é o perfume da madrugada e suaves são as campânulas que se escondem no vale.

- O Amor, porém, é melhor do que a vida, e o que é o coração de um pássaro comparado com o coração de um homem?
E assim falando, abriu asas, elevando-se pelos céus.
O estudante estava no mesmo lugar em que o deixara.
- Alegra-te – disse-lhe o Rouxinol – terás a tua rosa vermelha. Criá-la-ei com o meu canto quando a Lua brilhar e tingi-la-ei com o sangue do meu coração. A única recompensa que te peço é que sejas um amante fiel, pois o Amor é mais sábio o que a Filosofia, por mais sábia que esta seja.
O estudante escutou, mas nada pode entender, pois não conhecia outras coisas além das que vinham escritas nos livros.
O carvalho, porém, compreendeu e ficou triste, porque amava muito o Rouxinol que tinha construído o ninho entre os seus ramos.



O estudante foi para o seu quarto. Deitou-se e adormeceu a pensar no seu amor.
Quando a Lua brilhou no céu, o Rouxinol voou para o Roseiral e atravessou o peito com um espinho. Durante toda a noite cantou e o espinho cada vez mais profundamente penetrava no seu peito, e o sangue da sua vida abandonava-o gota a gota.
No mais alto ramo do Roseiral desabrochou, pétala a pétala, uma rosa encantadora. A princípio era pálida como a neblina sobre o rio, mas o Roseiral gritou. – Aperta mais, pequeno Rouxinol…ou o dia virá antes da rosa estar concluída!

E um ténue colorido róseo invadiu as folhas da rosa, como o rubor da noiva quando beija o noivo nos lábios.
E a rosa encantadora tornou-se carmesim como a rosa do céu Levante. Escarlate era a coloração das suas pétalas e escarlate como o rubi era o seu coração.
O Rouxinol cantou, então, a sua derradeira melodia. A rosa vermelha ouviu-a e, trémula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã.
- Olha! Olha – gritou o Roseiral – a rosa está concluída. Mas o Rouxinol não respondeu; caíra morto sobre a relva, com o espinho cravado no coração.
Ao meio-dia, o estudante apareceu à janela e olhou para o jardim.
- Que felicidade! – exclamou – Uma rosa vermelha! Nunca vi outra semelhante em toda a minha vida! É tão bela que deve ter um qualquer nome complicado em Latim! – E curvou-se para colher.
Depois, pondo o chapéu, foi a correr até à casa do professor, com a rosa na mão. A filha do professor estava sentada no alpendre, com o cachorrinho deitado aos seus pés.
- Disseste que dançarias comigo se trouxesse uma rosa vermelha – disse-lhe – Eis a rosa mais bela do mundo. Hoje á noite levá-la-ás junto ao coração e enquanto estivermos a dançar, ela te dirá quanto te amo!
Mas a jovem franziu a testa.
- Receio que não esteja em harmonia com o meu vestido – respondeu ela – pois o sobrinho do camareiro enviou-me jóias verdadeiras e todos sabem que jóias custam muito mais do que flores.
- Que coisa estúpida é o Amor – disse o estudante, afastando-se – De nada serve a lógica, porque nada prova: conta-nos sempre coisas que nunca sucederão e faz-nos acreditar em coisas que não são verdadeiras. Voltarei à Filosofia e estudarei Metafísica.
Regressou ao seu quarto e pegou num livro empoeirado, pondo-se a ler…
  
Conto de Oscar Wilde 


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quinta-feira, 7 de julho de 2011

OBRIGADA AMIGOS!

Meus Amigos.
Quero agradecer-vos as palavras de apoio e estímulo no meu post anterior, assim como a todos aqueles que em outras ocasiões que me senti menos bem me manifestaram a sua solidariedade. Na verdade, nunca fui muito apologista de dar de beber à dor, mas de vez em quando fraquejo. Um problema de saúde que me afligia e andava a influenciar negativamente o meu estado de espírito ficou hoje controlado e o meu ânimo arribou. É verdade, tenho agora comigo uma engenhoca que mais parece um telemóvel e me permite ser eu a auto examinar os níveis da diabetes. Quero agora, seguir os conselhos de Fernando Pessoa e voltar a soltar as minhas sonoras gargalhadas.
Queridos Amigos, muito obrigada a todos!



“ Felicidade”

Não te acostumes com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Inunda o teu coração de esperanças,
Mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta.

Se perceberes que precisas seguir, segue.
Se estiver tudo errado, começa novamente.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudade, mata-a!
Se perderes um amor, não te percas
Se o achares… segura-o!




Afinal, é  tão simples ser feliz! 



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quarta-feira, 6 de julho de 2011

MEMÓRIAS AMARGAS.

Paulo Coelho




Há dias, em que sem nenhuma razão válida nem aparente nos sentimos nostálgicos e tristes. À nossa memória não ocorrem momentos gratos e felizes. Apenas nos assaltam aqueles momentos que até gostaríamos de esquecer, mas que teimosamente persistem em nos perturbar e entristecer. Uma estranha melancolia à qual não conseguimos fugir e nem sequer justificar, agarra-se  como uma lapa e o único remédio é esperar que ela se desprenda de nós e vá embora. Sim, porque nada nem sequer o que sentimos dura  eternamente.
Hoje, é assim que me sinto.

Janita

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As memórias amargas não nos podem aprisionar. Elas fazem parte da vida - como o sorriso, o pôr - do - sol,
o instante de oração.

Curioso é que esquecemos rápido as nossas alegrias, embora sempre façamos com que o sofrimento dure mais do que o necessário.

A dor é uma óptima desculpa para problemas que não conseguimos resolver, passos que não tivemos coragem de dar, decisões que adiamos.

A dor faz parte da vida - como faz parte a alegria, a fome, e a vontade de sonhar. Não adianta fugir, porque ela termina nos encontrando.

Mas a sua única função é ensinar-nos algo. Aprendemos suas lições e isso basta.

Toquemos a vida para a frente.

Não nos vamos castigar com memórias amargas. Não vamos sofrer duas vezes, quando podemos sofrer apenas uma.


Texto de Paulo Coelho
Imagem recolhida na Net.


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sexta-feira, 1 de julho de 2011

AFINANDO O PORTUNHOL.

Se perguntarmos a um português se fala espanhol, a maioria responderá que consegue “enrolar” muito bem. Eu inclusivé, pois claro!
Outros dirão que dá para entender tudo, mas na hora de falar surge a confusão. Divergências à parte, o facto é que a maioria dos portugueses e brasileiros consegue sair-se muito bem. É que a semelhança entre o português e o espanhol facilita a compreensão e a comunicação.
Esta tentativa de comunicação já se tornou tão comum que foi apelidada carinhosamente de portunhol.
Com a ajuda deste guia vou tentar dar alguns exemplos de palavras semelhantes, mas com sentido diferente e que pode levar a grandes confusões.
Escusado será dizer que também eu estou a aprender.


Acordar: Não significa tirar alguém do sono. Quer dizer lembrar. Também tem o sentido de concordar, combinar.

Alborozo: Dá imediatamente a ideia de agitação, alvoroço, mas significa regozijo. Alvoroço seria, em espanhol, alboroto.

Aliñar: Se um espanhol lhe disser: “Aliña el tomate” não pense que se trata de enfileirar as rodelinhas do tomate de forma especial. Ele está a pedir-lhe para temperar o tomate.

Azar: “Por azar me encontré a Janita” . Não. Isto não quer dizer que eu seja uma pessoa mal vista, desagradável ou coisa assim. O que o meu amigo quer dizer é que me encontrou casualmente.

Berro: Não é um grito e sim agrião.

Borracha: Esta é fácil. Nem vou dizer. “La muchacha está borracha”. Quem não sabe?

Burlarse: Significa fazer troça de alguém e não burlar.

Borrar: Não quer dizer sujar com porcaria e sim apagar.

Canas: É aquilo que aos homens dá um certo charme e às mulheres…que raiva…é sinónimo de velhice. Cabelos brancos, cãs.

Cola: Não serve para unir cacos porque quer dizer rabo. Ex. Cola del caballo. Também quer dizer fila.

Coma: Não é nenhum tempo do verbo comer e sim, vírgula. Punto y coma: ponto e vírgula.

Enderezar: Não é escrever a direcção para onde vai seguir a sua carta. É endireitar o que está torto.

Enojarse: Não é sentir nojo, é zangar-se. “Perdóname, no pensé que te fueras a enojar…”

Extranãr: Se lhe disserem “ Te extraño mucho”, fique contente pois sentem a sua falta. Têm saudades de si.

Fofa: Se tiver uma namorada espanhola, jamais lhe diga isso, pois não lhe está a dizer que ela é graciosa e terna e sim que é flácida e mole. Já viu o que lhe vai acontecer?

Latir: Não é o lamento de um cachorro e sim o palpitar do seu coração: “Su corazón latía fuerte”.

Morada: Não é, de forma alguma, a sua residência. É a cor roxa!

Oficina: Quem vai para a oficina são os executivos e secretárias e não o mecânico. Esse vai para o taller mecánico. Oficina= escritório.

Pipa: Não associe esta palavra a vinho nem a quantidades. Em espanhol significa cachimbo!!

Pito: Não! Não é o que está a pensar nem sequer uma repreensão.
É simplesmente um apito.

Propina: Não é aquilo que o governo lhe saca para o seu filho vir a ser um engenheiro ou doutor. É a gorjeta que dá e depois fica a chorar... ou não.

Rato: Não é um animalzinho roedor. É um momento. Um tempinho.

Salgo e salga: Não tem nada a ver com o abuso do sal. E sim com o verbo Sair : Saio e o imperativo: saia !

Té: Não é abreviatura de Teresa, por exemplo. É somente chá.

Vaga: Mulher preguiçosa. Daquelas que não gostam nada de trabalhar.

Zurdo: Em castelhano um zurdo ouve lindamente. Apenas é esquerdino ou canhoto.


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"Amigo"

Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos,
Nem tão longe e nem tão perto,
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber,
Sem tirar-te a liberdade,
Sem jamais te sufocar,
Sem forçar tua vontade,
Sem falar quando for hora de calar,
E sem calar quando for hora de falar,
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso eu te peço paciência,
Vou encher esse teu rosto de alegrias
E lembranças!
Dê-me tempo de acertar nossas distâncias!

Fernando Pessoa

Nota: Recebi, por e-mail, e não resisti à tentação de o publicar aqui.

Obrigada Miguel.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DISFARCES.



Sorri
Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz aos teus ombros
Cansados doridos

Sorri, vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz.

by Charlie Chaplin

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

ANIVERSÁRIO COM CHEIRINHO A MANJERICO.


Manjerico da janela
Dá-me a mão, quero subir
Eu queria falar com ele
Mas à porta não posso ir…

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Como o tempo passa a correr... cá está mais um S. João e o meu filhote a celebrar  mais um aniversário...

Parabéns Luís, querido filho!

Daqui a poucas horas estaremos juntos.


Esta foto já a tinha publicado no ano passado. Mas, como só se nasce uma vez...




Já passaram trinta e nove anos? Parece que foi ontem!


Minha coisinha fofa...que saudades. 




O Luís com dois anos e a Pousada de S. Gêns, Serpa.

Alentejo da minha alma, tão longe me vais ficando



Idade difícil esta...



O Luís e o filho, o Júnior. A felicidade deles é a minha...




E porque hoje é noite de S. João, não podem faltar a sardinha assada, o manjerico e o tradicional alho porro.








MEUS QUERIDOS AMIGOS(AS)

A TODOS DESEJO UM FELIZ S. JOÃO.




domingo, 19 de junho de 2011

SABER DOSEAR.


Ao visitar, hoje, o blogue de um grande amigo de longa data, deparei-me com uma fábula que me deixou a reflectir sobre a dificuldade que tenho em recusar qualquer pedido que me façam, ainda que camuflado  sob a forma de lamento. No meio destes pensamentos ocorreu-me este poema de Guerra Junqueiro. Não tanto pelo poema em si, mas pela referência que faz a Tácito. Quero e devo acrescentar que nem a fábula nem o amigo têm nada a ver, directamente, com o rumo que os meus pensamentos tomaram. É que isto das cerejas não acontece só com as palavras.



In Pace – Finis

Declaro-me aposentado
Terminei. Ponto final.
Resta-me o céu estrelado
E as rosas do meu quintal.

Subi a montanha escura
Da vida…enorme ascensão
Uns quatro metros d’altura
Acima do rés-do-chão.

Lançando um olhar profundo
Dessa altura sobre-humana
Vi quanto é pequeno o Mundo
E grande a miséria humana.

Vi a traição e a cobiça
Fazendo festins reais
No corpo nu da Justiça
Às portas dos tribunais.

Vi que a história, um sonho breve
Na noite imensa e voraz
Se é Tácito quem a escreve
É Tibério quem a faz.

Vi que o «rei da criação»
Foi, antes de ser o que é
Lodo, esponja, tubarão
Réptil, condor, chimpanzé.

Guia-me apenas, distante
A luz ingénua da Crença
Vaga, nebulosa, errante
Nas trevas da noite imensa…

E cheio de tédio profundo
Vim enclausurar-me afinal
Longe, bem longe do Mundo
No «in pace» do meu quintal…



“A sinceridade e a generosidade se não forem temperadas com moderação conduzem infalivelmente à ruína.”
(Citação de Tácito historiador romano)
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