O título que dei a este post, pode sugerir um texto profundo e intensamente reflexivo sobre este tema. Mas não vai ser...até porque nem creio que o soubesse fazer. Não me lembro se alguma vez aqui o disse, mas tenho por norma deixar as minhas publicações ao sabor daquilo que sinto e desejo fazer no momento.
Hoje, não haveria poema que conseguisse traduzir aquilo que sinto nem imagens que conseguissem ilustrar a amálgama de emoções que me avassalam. Assim, vou deixar um vídeo em que, à guisa de MENSAGEM, gostaria de vos dizer o quanto todos vós sois especiais, cada qual à sua maneira, e, por isso, insubstituíveis.
Ver um sonho concretizado é algo que me deixa num estado de puro encantamento. Tive hoje a alegria de sentir que um sonho, fruto de muito trabalho, esforço e dedicação, se materializou! Eu já o sabia, mas ainda não tinha sentido, nas minhas mãos, a prova palpável e concreta disso. Refiro-me ao livro da autoria de Rogério Pereira, do blog "Conversa Avinagrada", que tenho, aqui, na minha frente. Acompanhei grande parte desse trajecto literário, partilhado pelo autor com tantos amigos que o acompanharam e incentivaram a seguir em frente, quando surgiam alguns - raros - momentos de desânimo. Parabéns Rogério! Pelo sonho tornado realidade.
O meu muito OBRIGADA, pela linda dedicatória e por ter incluído algumas palavras minhas no seu Prefácio.
"Almas Que Não Foram Fardadas" é o testemunho vivo, contado na primeira pessoa, de acontecimentos verdadeiramente emocionantes, vividos em Angola durante a guerra colonial, que aconselho vivamente os meus leitores e amigos a não perder.
"No Silêncio dos Olhos"
Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?
"Rara será a existência que actualmente se não deixe balouçar ao sabor das correntes, cada hora impelida a um rumo diferente pela última notícia que se leu ou pela última conversa que se teve.
Sem fim a que aponte, a alma da maioria dos homens flutua na vida com a fraca vontade e a gelatinosa consistência das medusas; um dia se sucede a outro dia sem que o viver represente uma conquista, sem que a manhã que renasce seja uma criação do nosso próprio espírito e não o fenómeno exterior que passivamente se aceita e que por hábito nos impele a um determinado número de acções."
Agostinho da Silva
Ensaísta –Poeta - Filósofo
Sr. Professor, esteja o Sr. onde estiver, garanto-lhe, neste novo ano que se avizinha, tudo será alterado. Quebro rotinas, tabus, relógios, horários... Tudo...
“Olhai os lírios do campo que não fiam nem tecem. E em verdade vos digo que nem Salomão em toda sua magnificência, se vestiu com tamanho esplendor”.
Este ensinamento foi-nos deixado há cerca de dois mil anos e, no entanto, continuamos a inquietar-nos pelo dia de amanhã...!
Entre as dores e alegrias das memórias do passado e a ansiedade e angústia quanto ao futuro, deixamos de viver em pleno o momento presente.
Todos sabemos disso e no entanto não conseguimos evitar que o nosso pensamento nos roube a felicidade que só pode ser encontrada no agora.
Não sendo este o Natal do meu descontentamento, não posso dizer que seja o mais feliz.
Hoje levantei-me com as galinhas - ou galos ! Eram seis da manhã, estava na cozinha a tomar uma boa chávena de café.
Um sentimento de nostalgia levou-me até ao Alentejo, à minha infância e ao dia de Natal.
Neste dia, de manhã cedinho, passada a Consoada, ainda com o aroma delicioso das filhós estaladiças e do chocolate quente a impregnar toda a casa, era chegada a hora de receber os presentes deixados pelo Menino Jesus durante a noite.
Eu disse presentes… ?? Eram sim! Mas não brinquedos…invariavelmente, uma cestinha com dulcíssimos figos do Algarve e um atadinho de tabletes de chocolate, embrulhado em prata colorida.
E como nós – eu e a minha irmã – ficávamos felizes!
Todos estes pensamentos me ocorreram em virtude de um certo descontentamento…e dos jogos electrónicos para a playstacion do meu neto…
Vou continuar a alimentar a minha saudade e deixar, não um vídeo de cânticos de Natal, mas uma bela voz, num magnífico hino à terra que me viu nascer, crescer e aonde fui tão feliz.
A todos os amigos/as, antigos, recentes e eventuais leitores, desejo FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO. Se mais não for possível, com saúde e alegria! A todos agradeço o carinho que me têm dispensado ao longo deste ano. Espero continuar a merecer o muito que me têm dado. Obrigada a todos!
Chove. É Dia de Natal
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal, E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar. Deixo sentir a quem quadra E o Natal a quem o fez, Pois se escrevo ainda outra quadra Fico gelado dos pés.
Pois apesar de ser esse O Natal da convenção, Quando o corpo me arrefece Tenho o frio e Natal não.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Por favor, não deixem de ouvir o vídeo.
A música e letra são tão lindas!
Visitei, um dia destes, uma Exposição de pintura em Lisboa, de trabalhos realizados pelos alunos de uma Escola de Arte que um familiar meu frequenta e fiquei totalmente deslumbrada. Aos meus olhos de leiga, qualquer esboço ou uma simples cena campestre já é uma obra de arte.
Mas não era o caso. Ali havia talento; que a aprendizagem da técnica, sob a orientação de um óptimo Mestre, aprimorou. Segundo ele, modestamente nos disse, algumas alunas já o haviam suplantado em sensibilidade, engenho e arte. Acho que foi só mesmo modéstia, apesar de eu as ver sorrir muito! Este "Nu" é da autoria daaluna Isabel Guerreiro.Que lhes parece?
Ainda alimento a esperança de um dia ir viver para perto da capital e fazer, então, o inverso do que faço agora. Aí, virei visitar o meu querido Porto, de vez em quando!
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"Como Eu não Possuo"
Olho em volta de mim. Todos possuem Um afecto, um sorriso ou um abraço. Só para mim as ânsias se diluem E não possuo, mesmo quando enlaço. Roça por mim, em longe, a teoria Dos espasmos golfados ruivamente; São êxtases da cor que eu fremiria, Mas a minh'alma pára e não os sente! Quero sentir. Não sei... perco-me todo... Não posso afeiçoar-me nem ser eu: Falta-me egoísmo para ascender ao céu, Falta-me unção para me afundar no lodo. Não sou amigo de ninguém. Para o ser Forçoso me era antes possuir Quem eu estimasse - ou homem ou mulher, E eu não logro nunca possuir!... Castrado de alma e sem saber fixar-me, Tarde a tarde na minha dor me afundo... Serei um emigrado doutro mundo Que nem na minha dor posso encontrar-me?... * * * * * Como eu desejo a que ali vai na rua, Tão ágil, tão agreste, tão de amor... Como eu quisera emaranhá-la nua, Bebê-la em espasmos d'harmonia e cor!... Desejo errado... Se a tivera um dia, Toda sem véus, a carne estilizada Sob o meu corpo arfando transbordada, Nem mesmo assim - ó ânsia! - eu a teria... Eu vibraria só agonizante Sobre o seu corpo de êxtases dourados, Se fosse aqueles seios transtornados, Se fosse aquele sexo aglutinante... De embate ao meu amor todo me ruo, E vejo-me em destroço até vencendo: É que eu teria só, sentindo e sendo Aquilo que estrebucho e não possuo.