Quando me sinto injustiçada, sobretudo,
quando me sinto alvo de julgamentos apriorísticos de quem traça, logo ali, o
meu perfil, tendo por base duas ou três palavras por mim ditas ou escritas, a
revolta consome-me a ponto de, aí sim, me fazer sentir uma pessoa má.
Aconteceu isso há uns dias atrás por parte de alguém que já antes me havia acusado de,
imaginem, plagiar a açorda alentejana por ela evocada num determinado blogue. Logo
eu, que como açorda quase desde o dia em que nasci...Vejam se pode.
A imagem de uma açorda, que suscitou tanta
indignação à senhora, publiquei-a eu numa das minhas Sextas-Feiras humorísticas. Na altura, ri do ridículo da situação, porém,
a perseguição voltou a acontecer e, de novo, encolhi os ombros. Há gente a quem
dou, efectivamente, um desconto.
Ontem, por parte de uma outra pessoa, voltei a sentir-me
incomodada. Desta vez sei de fonte segura que não houve intenção de me incomodar, mas sim, pior ainda, uma intenção feroz de me ignorar, como se eu
não fosse digna de pisar tão magnífico espaço.
Já não é primeira vez que me
sinto discriminada por ali. Como solução para o meu mal-estar, fiz aquilo que
sempre faço: recorro à leitura de quem conheceu bem a alma humana. Só assim
consigo apaziguar-me. Foi o que fiz ontem, já tarde da noite, quase madrugada.
Nas prosas dispersas, do meu escritor português favorito, li, reli e partilho, com quem me quiser ler.
Nunca fui mal procedido
Nunca fiz mal a ninguém
Se acaso fiz algum bem,
Não estou disso arrependido.
Se mau pago tenho tido,
São defeitos pessoais;
Todos seremos iguais
No reino da eternidade:
Na balança da igualdade
«Deus sabe quem pesa mais.»
E
continua Guerra Junqueiro:
Sim. Na balança
invisível da igualdade, na balança de Deus, acaso pesarão mais as tuas cantigas
de analfabeto que muitos poemas ilustres, já consagrados pela história. Maior
do que eu és tu, sem dúvida. Maior, porque és melhor. Tu foste bom
continuamente, e eu, querendo sê-lo muitas vezes, poucas o fui, na realidade.
Venero-te.
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E pronto!! Cada um de vós que tire as ilações que bem entender
desta prosa. Eu, reconhecendo a minha insignificância de ter e saber,
sinto-me em paz comigo mesma. Porém, sempre disposta a aprender!
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Ah, no meio de tudo isso, houve algo em que me aventurei e me proporcionou uma sensação enorme de paz e bem-estar. Ontem, ou melhor, já na madrugada de hoje, enquanto todos dormiam, sobrevoei, através do Google Maps, a minha bela terra Natal. Obrigada ao Remus, que me privilegiou com o seu belo e divertido desafio fotográfico. :)
A mim, a papa-desafios! Ehehehehe