quarta-feira, 8 de novembro de 2017

SÓ VOS VENHO DIZER...


… que não tenho nada de novo
 para vos dizer!

E sem nada de novo,
 não sei o que escrever.

 Mas, teimosa que sou,
quero vir e venho…

… apenas, dizer-vos
 que ainda
 por cá estou.



Para que não se zanguem,
 trago-vos 
uma estrelícia...

* _*



Adenda: A pedido...

 A Marcha: The Final Countdown!  

                      
E ainda, noutra bonita versão!!


                         



                          * _*    
                    


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Quem Sabe...Sabe!!




Um alentejano apanha um comboio para ir a Lisboa e senta-se ao lado de um senhor muito bem vestido.
O alentejano começa a olhar e pergunta:
 - Por acaso você nunca apareceu na televisão? - Ao que o sr. responde:
 - Sim, eu costumo ir a muitos concursos de cultura geral e por isso o sr. deve-me conhecer daí. Como a viagem vai ser longa, por acaso não quer fazer um jogo comigo?
 - Pode ser. - Respondeu o alentejano. - Então fazemos assim: como eu tenho mais cultura que o sr., você faz-me uma pergunta sobre um assunto qualquer e se eu não souber responder, dou-lhe 50 euros. A seguir faço-lhe eu uma pergunta e se não souber a resposta, dá-me só 5. Concorda?
 - Vamos a isso. - Respondeu o alentejano confiante.
-  Então eu faço-lhe a primeira pergunta. Diga-me o nome da pessoa que escreveu "Os Lusíadas", aquele poeta só com um olho, que dignificou Portugal?  O alentejano começa a pensar e passados alguns instantes diz:
- Nã sei. Ê nã sei leri. - A resposta era Luís de Camões, responde o outro. Dê-me os 5 euros e faça-me uma pergunta qualquer.
 - Tomi.  Bem, qual é o animali que se o encostar a um chaparro sobe-o com quatro patas e desce-o com cinco patas?
 - Olhe, essa nem eu sei. - Respondeu o homem culto, muito admirado.
 - Então passe para cá os 50 euros.
 - Tome lá.  Mas agora diga-me, que animal é esse?

 - Tamém nã sei. Tome lá os seus 5… J




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domingo, 5 de novembro de 2017

VERDE...COMO A ESPERANÇA.


Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.

Verde que te quero verde.
Sob o sol  na casa dela




Com a sombra pela cintura

Ela sonha na  janela,


Ela vai mirando as coisas

E as coisas não podem mirá-la.



Fotografias obtidas através da janela do meu quarto.

As frases, uma adaptação (tosca) a partir de um poema de
Federico Garcia Lorca.

Este post dedico-o, com carinho, à querida Catarina:




sexta-feira, 3 de novembro de 2017

MEDO...


...Sinto-me muito mal. Tusso, ardem-me os olhos, choro...dói-me o peito...custa-me respirar, sinto que o meu fim se está a aproximar, e tenho medo. Ainda há tanta coisa que não vivi...
...desespero...não quero partir, ainda nem sequer te conheci...




Desesperança


 Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio subtil das nevroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspecto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...


- Ah, como dói viver quando falta a esperança! 



Poema de Manuel Bandeira.  



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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Rapazes...Cuidado...Muito Cuidado...


...Há mulheres que de tudo são capazes!!!
Ehehehehe







                                                                         




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domingo, 29 de outubro de 2017

EM TODAS AS VIDAS HÁ UMA HORA DE DIZER ADEUS.




Não precisam guerrear
Pela escolha da banheira
Eu vou escolher a de cima
Querem a do meio ou a terceira?

São peças raras e bonitas
Bordadas com muito amor
Lindas réplicas das antigas
Do banho tomado ao sol-pôr!

Dizemos sempre um adeus
A um tempo que foi nosso
Vai um tempo e outro vem

Há quem parta e há quem chegue
Há sempre um eterno ir e vir
Mas eu que queria partir - não posso!
:)

Nota:  Cá estou de volta às minha coisas simples, ao meu versejar 
sem métrica nem técnica. Palavras soltas de quem pouco ou nada sabe. 
Mas este é o lugar do meu aconchego, o espaço em que me expresso como 
sei e gosto, que me conforta e enche a alma de alento!  

:) 





  
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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A PROPÓSITO...


BAQUE


   Parece que tenho o dever de decifrar e não mereço, por meu lado, ser entendido. Ninguém é obrigado a compreender-me a mim. Arrasto o encargo da indagação. Não é extinguível, nem comunicável, nem transmissível.
      No Luxemburgo, eu ia penando num estágio qualquer, e o marido de Madalena, emigrante de sucesso e negociante de vinhos, fartava-se de viajar, em boa hora, por Franças e Araganças.
      A recordação que me ficou mais viva, e ainda ressoa, foi aquele sobressalto, seguido de safanão: «Tire daí os dedos!». Atropelo, rudeza, pua de ferrugem a farpear em leito de rosas. Livra! Mas, então? Elucidou que sentia as minhas meiguices de mão, o meu dedilhar curioso, como a incomodidade bruta de um corpo estranho entre as pernas. Um corpo estranho? Ora! Deixasse-se disso. E seguiu-se um monumental desajeito de gestos e de posições. Se a dialéctica dos corpos, até então, não era perfeita, muito pior passou a ser. As frases e os protestos mútuos também não acertaram em termos satisfatórios.
      Orgulhava-se Madalena dos vistosos cabelos pretos, uma lisura espessa, longa, toque sedoso, a contrastar com a pele sardenta e áspera. Jazia comigo, numa imobilidade de preguiça, os redondos olhos negros parados no infinito, uma docilidade feita de inacção, espera e paciência. Como se os dedos – os dela; não vi, mas adivinhei – lhe tamborilassem no lençol, enquanto eu demorava a desunir-me. Parecia-lhe, porventura, que eu me demorava no tempo, que empatava.
      Noutra tentativa, num dos dias seguintes, quase não parou de conversar. E eu tolerei que ela tivesse sempre a boca desimpedida. O ponto era consabido: que, apesar «daquilo» não pensasse eu que…
   Alguma ingenuidade de mulher madura permitia-lhe aceitar todas as tranquilizações e garantias que eu outorgasse, enquanto procurava – mal- empregado – dar-lhe o melhor do meu esforço.
      Ela tinha assuntos do marido a tratar. Aturei filas de espera molengas, preenchimentos de formulários, leituras de regulamentos em bancos nevoentos de parques públicos, porque a minha amiga Madalena entendia que um relacionamento amoroso implicava contrapartidas de solidariedade burocrática. Padecer em conjunto. Desdenhar do mundo, ombro com ombro, coxa com coxa. E papéis debaixo do braço.
      A parte mais amena do empreendimento implicava sessões de cinema, de chatíssima e inábeis coisadas, extravagâncias a simular profundeza, com ressoos de Nouvelle Vague. A minha mão procurava a dela, por desfastio, relembrando as praxes de adolescente: «Esteja quieto», sussurrava-me. «Deixe-me ver o filme».

      Não há duas sem três, nem três sem quatro. Por duas vezes, encontrando-se ela em Lisboa, tentei reincidir para alterar. Ainda estou para saber como é que me deixei embrulhar em tanta complicação miudinha. No hotel não podia ser, que a reserva estava em nome do marido. Mesmo que não se soubesse, havia sempre aquele sentimento de traição, de se estar a aproveitar de uma assinatura, duma conta, que não a deixava à vontade.
       Telefonando, eu tinha acesso à garçonnière de um amigo. A minha própria casa pululava de presenças, três idosos e enfermeiras, de forma que muito agradecia aquele derivativo. Era um pequeno estúdio, numa cave, com um desengonço de cama e trastes em quinta mão, onde sobremaneira importava garantir a horizontalidade, não obstante rangessem e estalassem madeirames e fechos.
      Saiu Madalena do carro, intrigada, no jardim. Desceu um lance de escadas de malgrado, a olhar-me, desconfiada. Examinou-me, sobranceira, à porta, cirandou os olhos em volta do quarto e acabou por se sentar na única cadeira que ali sobrevivia, desarticulada, destinada a roupas atiradas. Ora pernas cruzadas, ora joelhos unidos, mãos sobre eles, em pose defendente, como se alguém pretendesse arrostar, o que era o caso.
      «Não!» Negativa breve e peremptória. O que eu conheço de todas as letras, todas as redondezas, todos os ínfimos recônditos desta maldita imprecação. Mas sou, desafortunadamente, compilador compulsivo e repleto.
      Afundava-me, sentado na borda da cama, e ia desistindo de justificar a indigência de tudo aquilo, as chitas ou lá o que era, os quadros de meio tostão ainda encostados à parede ( menino lacrimoso, pesca portuguesa, ou coisas assim ), a janela de vidros foscos, que parecia dar para um saguão.
      Ela explicava-me vivamente, muito digna, com os recônditos bem defendidos e segurança de voz, a transcendência dos relacionamentos. Que poderia eu fazer se não abdicar? Não sou de violações. Nem sei.
      Fui depô-la na portaria do hotel. Se calhar até pedi desculpa. Andor. Até sempre.
     
  
NOTA: Como já deu para perceber, este é mais um conto da autoria de Mário de Carvalho. Não vos inquieteis com a extensão do texto. Se não tiverem tempo para o ler, de uma assentada, vão lendo aos poucos...Depois, digam-me o que  acharam desta personagem feminina.  

  Obrigada a TODOS com votos de:

Feliz Fim-de-Semana


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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

E TUDO ERA POSSÍVEL.




Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido


Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido


E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível, era só querer.

Ruy Belo

 Homem de Palavra(s)
Lisboa, Editorial Presença, 1999 


( A fotografia é minha, o poema DAQUI )





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