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sábado, 26 de setembro de 2020

Ladainha (com rima)

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Havia no passar do tempo

um tempo que era só meu

a esse tempo entreguei

tudo o que me apeteceu.

Era franzina de corpo

nunca fui moça dotada

trazia em mim um desgosto

não poder fazer o gosto

que a minha alma ansiava.

Viajar, conhecer mundo

partir nem que fosse a pé,

à boleia, nem pensar!

 Nos homens não tinha fé.

Não era por saber por mim

por ter tido más experiências

dos mais velhos ouvia dizer

"Não te fies nas aparências".

Um dia, que dia aquele,

de frio cortante e gelado

toda vestida de branco

realizei o meu maior sonho;

- Mas, não devia ter realizado

Saiu-me gorado o sonho

ficou o caldo entornado!!








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terça-feira, 16 de abril de 2019

Nossa-Senhora de Paris....

... As chamas destruíram a emblemática Catedral da cidade-luz: Notre Dame de Paris, palco onde se desenrolou toda a história do célebre romance  de Victor Hugo, com o mesmo nome. 
É assim que a quero recordar, imaginando Quasimodo escondendo-se pelos recantos mais lúgubres,  sofrendo de amores pela bela cigana Esmeralda...



                                                  
                                      
               

segunda-feira, 4 de abril de 2016

NOSTALGIAS.

Feira da Ladra-Foto de Eduardo Gageiro- 1966


SONHOS

Teria passado a vida 
atormentado e sozinho 
se os sonhos me não viessem 
mostrar qual é o caminho 

Umas vezes são de noite 
outras em pleno  Sol 
com relâmpagos saltados 
ou vagar de caracol 

Quem os manda não sei eu 
se o nada que é tudo à vida 
ou se eu os finjo a mim mesmo 
para serem sem que decida. 

Agostinho da Silva, in 'Poemas


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Something Stupid.



Apesar de nunca o ter admirado como pessoa,  será sempre, para mim, a
 VOZ!


Como uma Voz de Fonte que Cessasse.
Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos vãos olhares
se admiraram)
P’ra além dos meus palmares
De sonho, a voz que do meu tédio nasce.

Parou...
Apareceu já sem disfarce
De música longínqua, asas nos ares,
O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma nasce...

A paisagem longínqua só existe
Para haver nela um silêncio em descida
P’ra o mistério, silêncio a que a hora assiste...

E, perto ou longe, grande lago mudo,
O mundo o informe mundo onde há a vida...
E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

RELÍQUIAS...

Ainda se lembram deles...assim? !
                 
                 
   Amor Vivo



Amar! Mas dum amor que tenha vida...

Não sejam sempre tímidos harpejos,

Não sejam só delírios e desejos
Duma douda cabeça escandecida...



Amor que viva e brilhe! Luz fundida

Que penetre o meu ser – e não só beijos
Dados no ar – delírios e desejos –
Mas amor... dos amores que têm vida...


Sim, vivo e quente! E já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...


Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?


Poema de Antero de Quental

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