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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

DESALMADO POEMA DE ANO NOVO

 



Não sou a Es-Pe-Ran-Ça
De Quintana
Também não serei
O arco-íris de 
Drummond
Nem quero roubar
A ilusão da essência
Misteriosa
De Pessoa

 Talvez eu seja tão somente alguém
Que vive desencontrada
Alguém que quis fazer caminho maior que a
Sua própria estrada
Alguém que muito quis amar e ser amada 
Mas cuja vida passou 
Sem realizar Nada em prol de si mesma
Em cada NOVO ANO
Que chegou e passou...
Passou... 
    Passando 
Não, Passarinhando.
Pois me falta engenho para tal.


 Esperança
 Arco-íris
 Essência
 Mistério

Tudo palavras vãs e fictícias que só existem em Poesia.

Por isso, porque quero assentar os pés no chão
e deixar-me de Ilusão
Vou embora p'ra  Pasárgada...
 Sou grande amiga
Do mesmo Rei 
Amigo de Bandeira...
   ...Por lá ficarei até encontrar
    A minha alma-gémea.
Se preciso for
 ficarei a vida inteira!



ADEUS, ATÉ AO MEU REGRESSO... 
     E FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES!!


 QUE 2023 VOS TRAGA O QUE MAIS DESEJAREM.

 🌻 🌺 🌼
❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

segunda-feira, 8 de julho de 2019

E, DE REPENTE...


...com a visualização inesperada de uma minha publicação com mais de cinco anos, apercebi-me de que a passagem do tempo me levou mais do que alguns anos de vida.
Levou-me o convívio de muitos outros bloggers que eu estimava e até de pessoas que me visitavam e não tinham blogue.  Pessoas com quem eu apreciava a interacção. Aliás, como ainda hoje acontece, com outros visitantes.

Trouxe-me também muito mais do que os sulcos que me marcam o rosto.…Trouxe-me gratas lembranças e experiências gratificantes.

 Neste mundo virtual vamo-nos prendendo uns aos outros pelas palavras escritas, muitas vezes sem nunca chegarmos a saber como é aquele/a com quem vamos rindo ou ficando tristes, através do conhecimento acerca do que nos vai contando da sua vida ou dos seus.
Outros há que nunca se referem directamente a algo pessoal, mas a proximidade é idêntica.

Isto para vos dizer que esta publicação a gostaria de dedicar às pessoas que me visitaram neste postal, sobretudo, àquelas que mencionaram estes dois poemas e de quem nunca mais soube se continuam pela blogosfera ou se se mudaram para outras plataformas.

Quem sabe se um dia, não muito distante, o cansaço me toma de assalto e sou eu que dou por finda a minha passagem pela blogosfera? É que isto, já começam a ser muitos anos  a navegar…Talvez a diferença seja a de que eu não irei para nenhuma outra rede social!! 

Para que se torne perceptível, tudo o que escrevi, cliquem, por favor, neste 




“O brinco da tua orelha
Sempre se vai meneando;
Gostava de dar um beijo
Onde o teu brinco o vai dando.
Tem um topázio dourado
Esse brinco de platina;
Um rubi muito encarnado,
E uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
Sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.”


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“Eu ontem passei o dia 
Ouvindo o que o mar dizia.  
Chorámos, rimos, cantámos. 
Falou-me do seu destino, 
Do seu fado... 

Depois, para se alegrar, 
Ergueu-se, e bailando, e rindo, 
Pôs-se a cantar 
Um canto molhado e lindo. 

O seu hálito perfuma, 
E o seu perfume faz mal! 

Deserto de aguas sem fim. 

Ó sepultura da minha raça 
Quando me guardas a mim?... 

Ele afastou-se calado; 
Eu afastei-me mais triste, 
Mais doente, mais cansado... 

Ao longe o Sol na agonia 
De roxo as aguas tingia. 

 «Voz do mar, misteriosa; 
Voz do amor e da verdade! 
- Ó voz moribunda e doce 
Da minha grande Saudade! 
Voz amarga de quem fica, 
Trémula voz de quem parte...» 
. . . . . . . . . . . . . . . . 

E os poetas a cantar 
São ecos da voz do mar! “

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[Ambos os poemas são de António Botto.]

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Como é óbvio, a tela de Vermeer é da Net e a foto do mar, é minha.
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terça-feira, 23 de agosto de 2016

DA BREVIDADE DA VIDA.

Amor- Tela de Gustav Klimt



Bilhete

Se me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa-em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem
devagarinho,
que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda

(Mário Quintana)




terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nem Contigo Nem Sem Ti.


 
 

A Guerra das Rosas




Partis-te sem dizer adeus nem nada
Fingiste que a culpa era toda minha
Disseste que eu tinha a vida estragada
E eu gritei-te da escada que fosses morrer sozinha
Voltaste e nem desculpa pediste
Perguntaste porque é que eu tinha chorado
Não respondi, mas quando vi que sorriste
Eu disse que estava triste porque tu tinhas voltado
Zangada esvaziaste o meu armário
E em nada ficou meu disco preferido
De raiva rasguei o teu diário, virei teu saco ao contrário,
dei-te cabo do vestido.
Queimaste o meu jantar favorito
Deixaste o meu champanhe azedar
E quando cozinhei o piriquito para abafar o teu grito, eu comecei a cantar
Fumavas e eu nem suportava o cheiro
Teimavas em me acender um cigarro
E quando tu me ofereceste um isqueiro
Atirei-te com o cinzeiro, escondi as chaves do carro
Não queria que visses televisão em dia de jogos de Portugal
Torcias contra a nossa seleção, se eu via um filme de acção tu mudavas de canal
Tu querias que eu fosse contigo ao bar
Só ias se eu não entrasse contigo
Saía pra não ter de te aturar, tu ficavas a dançar com o meu melhor amigo
Gozavas porque eu não queria beber.

Ralhavas ao ver-me de grão na asa
Eu ia à festa sem te dizer, nunca cheguei a saber, se tu ficavas em casa
 
  
Tu deste ao porteiro roupa minha
Soubeste que lhe dera o teu roupão
Eu dei o teu anel á vizinha pela estima que lhe tinha
Ofereceste-lhe o meu cão
Foste lendo o teu romance de amor
Sabendo que eu não gostava da historia
No dia de o mandares para o editor, fui ao teu computador
Apaguei-o da memoria.


Se cozinhavas eu jantava sempre fora
Juravas que eu havia de pagá-las
Aqui na rua dizias-me a toda a hora que quando eu me fui embora
Tu ficaste-me com as malas
Depois desses anos infernais
Os dois eramos caso arrumado
Achando que também era de mais
Juramos pra nunca mais, foi cada um pra seu lado.
No escuro tu insistes que eu não presto
Eu juro que falta a parte melhor
O beijo acaba com o teu protesto, amanhã conto-te o resto
 Boa noite, meu amor!
 

 


 

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