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Quis falar-te
da minha descoberta
daqueles dois pequenos míscaros
- assim são conhecidos na região beirã -
os cogumelos que tanto gosto.
Nunca comi iguais aos que comia,
carnudos e transbordantes da água
a saber ao sal da grelha.
Saborosa lembrança dos meus tempos de menina,
no meu querido Alentejo.
Gostaria tanto de contar-te,
mas não contei
não me deste oportunidade.
Não deixaste que te dissesse
do meu assombro,
do meu deslumbramento,
pela descoberta daqueles
dois pequenos e belos fungos
onde uma joaninha vermelha pousou.
Não te falei do medo que senti
temendo pela vida do pequeno e belo insecto.
Era ainda tão menina,
alguém me disse que no interior de tanta beleza,
se podia esconder a morte,
a dor e a tristeza.
Mas como? - me perguntei, então -
se era ali que viviam os
pequenos duendes,
das minhas histórias encantadas?
Ninguém me respondeu,
não havia lá ninguém a não ser eu.
Tu não me deste ouvidos.
Chamaste-me parva e partiste,
sem dizer para onde.
Deixaste-me só
com mais uma história
desse meu tempo de menina
que não te contei.
Retalhos da minha vida
que nunca soubeste e jamais te contarei.
[ A minha versão do que foi contado AQUI. ]
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