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sábado, 4 de janeiro de 2014

O Meu Baú.

Para me abrigar do temporal que assolou a localidade onde vivo e para me reconfortar do desaconchego gelado e húmido que me inundava a alma, abri o meu velho baú para  nele encontrar as preciosidades que já me fizeram feliz, numa outra vida e hoje minimizam a minha angústia nas horas mais difíceis. Espreitei lá para dentro,   vi e revi tudo, constatando ainda haver espaço suficiente para nele me aninhar. Foi o que fiz!
 
 
Deliciei-me a reler os bilhetinhos que recebi durante anos. No dia da Mãe, no meu aniversário e também quando "eles", mais amiúde o meu pequeno "ele", me sentia a precisar de um miminho.
 
 
Este é o que sempre mais me comoveu e de novo me fez verter lágrimas de dolorosa saudade...dele e de mim!
 

 
Esta carta tem sido a menos lida, não por ter sido a última - já com 20 anos - e não me ter sido entregue em mão e, sim, pelo carteiro, mas porque no final desse ano de 94, precisamente no último dia, perdi a pessoa que mais falta me fez e ainda faz. A minha Estrela benfazeja, cujo nome tem três letrinhas apenas( tal como era o seu nome próprio) mas é a maior que o mundo tem! Nesta carta recordei as grandes alterações que haviam transformado o meu menino num homem com a alma e a mente replecta  de grandes ideais, e algo mais...Mas isso vai ficar só entre nós.
 
 
Bem embrulhadinhos e mais recentes, estavam uns lindos bilhetinhos que o meu neto João se entretinha a dedicar-me, quando sabia merecer, e nunca receber, uma reprimenda ou uma palmada.
Ser considerada a Avó mais linda, tem de ter as suas compensações. Este menino foi uma dádiva de Deus, que sabia  quanto amor eu tinha para dar a um bebé e o quanto os pais  dele e eu, o desejávamos.
 
 
Saí do baú e fui procurar alguns dos livros que mais gostei de ler, não podiam ser muitos pois o espaço dentro do baú já seria exíguo, para aquilo que tinha em mente: voltar para aquele meu passado que tanta felicidade me trouxe e deixar-me embalar pelas doces recordações, até adormecer.
Peço-vos, por favor, que me deixem aqui ficar. Não tentem acordar-me...Levei também  estes três mais recentes, o do MST já o li, mas como não sei o tempo que ficarei neste bunker protector, talvez me apeteça relê-lo. "A Marcha" já comecei a ler e "O Rapaz de Olhos Azuis", vai como reserva.
 
  
 
  
Quando eu despertar e sentir necessidade de sair do baú virei, de minha livre vontade, sem este amargo e penoso sentimento de cansaço de mim!
 
-------------BEIJINHOS e ABRAÇOS--------------------