Querer-te mal, porquê? – Foste quem eras:
Um corpo gentilíssimo, perfeito,
Que se moldava ao meu e a qualquer jeito
No pântano de todas as quimeras!
Que culpa tinhas tu se ainda esperas
O lugar prometido aqui no peito
E sais da minha vida e do meu leito
Com a simplicidade que trouxeras?
A culpa tenho-a eu que fui um triste
A desejar no alto do meu sonho
Beijar a perfeição que não existe.
Fui esta coisa inútil, complicada
- Não me encontrando aonde me suponho
E encontrando-me aonde não há nada.
Soneto de António Botto
17 de Agosto de 1897 - 16 de Março de 1959
Tela - [sobejamente conhecida ]
de Renée Magritte
Pintor surrealista francês (1898-1967)
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Nota de rodapé: Dada a condição, orientação, opção - escolham o que melhor se enquadrar nas vossas crenças/opiniões - da sexualidade do autor do Soneto, e em virtude ainda, dos tempos que atravessamos, achei por bem a escolha desta tela, já que nada neste postal é de minha autoria...a não ser o pensamento! 😚
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