Mostrar mensagens com a etiqueta BEM - AVENTURANÇAS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BEM - AVENTURANÇAS. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

ANTIGO, MAS VIRGEM.

Foi assim que te vi, virgem e puro
e logo por ti me enamorei
ó doce e querido
companheiro.






"Talvez em eu morrendo a teus ouvidos
chegue a notícia, que hoje os factos voam,
e oiças então os íntimos gemidos
que exalo e não te soam."

🍀

Isto me dizias quando por entre ti olhei
ainda antes mesmo de te desfolhar
tão amarelecido, cansado, gasto
ó querido companheiro
agora que já és meu de copo inteiro
enquanto não te tiver 
possuído
até ao fim, 
não conseguirei 
serenar.






Tive-o há já tanto tempo que nem sei fazer as contas há quantos anos foi,

emprestei-o não sei a quem, perdi-lhe o rasto

mas reencontrei-o numa banca de rua 

de livros usados.

Com todas as folhas ainda por abrir.


Segundo rezam os escritos da primeira página, as 

"POESIAS  LÍRICAS  COMPLETAS

foram coordenadas sob as vistas do autor

por

TEÓFILO  BRAGA."


Que preciosidade me veio  ter às mãos sem eu contar!

Sinto que fui abençoada, por um feliz acaso.



**************************************



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Da Felicidade Com a Ventura Alheia.


“Entre tanta miséria e tantas coisas vis

Deste vil grão de areia

Ainda tenho o condão de me sentir feliz

Com a ventura alheia.”


(…)




A que propósito vem esta estrofe, transcrita do livro que a imagem mostra?
Eu explico, num resumo mui resumido:
Após uma longa conversa telefónica com uma familiar, e ainda na sequência de outra longa conversa, pessoal, versando o mesmo tema que mantivemos no sábado enquanto degustávamos um saboroso estufado de língua de vitela, tive o prazer de constatar da alegria, inopinada, e tão gratificante, por ver a sua solidão de mulher só a quem a vida madrasta fez perder dois maridos que a fizeram tão feliz, o último há pouco mais de um ano, logo agora que tanto necessitava de um pouco mais de cor que lhe colorisse o cinzento dos seus dias...Sim, apesar da universidade sénior, dos quatro filhos, dos seis netos, das duas bisnetas e da missa dominical,  fica sempre tempo por preencher.
Pois bem, essa vida madrasta, por obra do acaso, ou talvez nem tanto, colocou ao seu ouvido a voz de um namorado que não via nem ouvia há cerca de sessenta anos. 
Ah, agora sim...o reviver das velhas emoções do primeiro amor, fazem bater mais forte aquele seu velho coração. E chora e ri, qual adolescente, enamorada pela lembrança de um jovem que, actualmente, ronda ou ultrapassa os oitentas, mas que ela ainda não viu a imagem e teme ver. Apenas porque também ela se vê com dezasseis anos.
E eu, que conhecia a história antiga, digo que sim, dou o meu aval, fico feliz com esta ventura de alguém que não me é tão alheio quanto isso.
Não há dúvida que, enquanto houver vida, tudo pode acontecer!
Aos outros... Vida madrasta!!! 

-----------------------------------------------------------------