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quinta-feira, 9 de junho de 2022

AINDA A PROPÓSITO DE AMORES PROIBÍDOS...

 ...e da pintora portuguesa que ontem partiu: Paula Rego.

(Antes de ser mundialmente conhecida pelo seu talento, foi uma Mulher que viveu um grande Amor.) 

Uma História de Amor.

Fonte da Fotografia


Conheceram-se em 1953, na Slade School of Fine Art, em Londres, onde ambos estudavam. Paula Rego  tinha 18 anos, Victor Willing  25. Falaram-se pela primeira vez numa festa de estudantes muito regada a álcool, com muito sexo à mistura. Acabaram na cama.
Paula era virgem e acha, comentaria mais tarde, que se apaixonou por Victor logo naquele dia. Ele era um homem muito bonito, sedutor, um intelectual, excelente pintor e, ainda por cima, dançava bem.
Não voltaram a encontrar-se. Tiveram que tempos sem se ver.

Um dia, Paula tinha ido ao cinema, e ela que nunca saíra de um filme a meio, naquele dia teve um pressentimento e saiu.
Encontrou-o a atravessar a rua. Ele convidou-a para ir ao seu estúdio, dizendo que a queria pintar nua (o quadro haveria de fazer furor numa exposição individual de Victor, em 1955).
Pouco tempo depois, Paula engravidou. E engravidou, engravidou, engravidou… Nove vezes. E das nove vezes abortou – Victor era um homem casado, a relação estava condenada.
(Quando, nos anos noventa, realizou a série de quadros com o tema Aborto, Paula sabia do que pintava…)
Só à décima gravidez decidiu ir até ao fim.

Quando soube da decisão, assustado, Victor abandonou-a e voltou para a mulher. Em desespero, Paula contou aos pais. José Figueiroa Rego meteu-se num carro e foi busca-la a Londres.
Algumas semanas mais tardes, sem uma única mala, apenas com a roupa que trazia vestida, Victor apareceu na casa da família de Paula, na Ericeira. Decidira separar-se da mulher e assumir a relação com a amante: o amor falara mais forte que a obrigação institucional. Isto, em 1957.
Instalaram-se num celeiro convertido em estúdio e puseram-se a pintar, enquanto os filhos iam nascendo e se iam criando: três no total. Em 1959 casaram-se oficialmente.
Victor era um pintor lento, de processo demorado, muito exigente, produzia pouco, e Paula sentia-se muito presa ao que tinha aprendido na Slade, aborrecia-se, não sabia o que fazer.

Foi ele que a encorajou, que a incentivou a pintar os famosos “bonecos”, a passar para a tela os desenhos infantis que Paula tinha por hábito fazer no final das cartas que enviava à filha quando estava fora: “A Arte não existe na cama que lhe foi feita; foge a sete pés assim que lhe pronunciam o nome; adora o incógnito. Os melhores momentos são quando se esquece do próprio nome.”
A partir de 1962 começaram a dividir-se entre Londres e Portugal. Lá os invernos, cá os verões.
Em 1966, após a morte do sogro, Victor passou a ocupar-se dos negócios da família de Paula, uma fábrica de componentes eletrónicos. O negócio correu-lhes mal e, em 1976, tiveram de desfazer-se de tudo (incluindo a casa da Ericeira) e fixar residência em Londres.

Viveram períodos de grande amor, foram infiéis um ao outro, passaram ambos por fases depressivas, tiveram momentos de maior ou menor inspiração artística e passaram por grandes dificuldades económicas.
(Só no final dos anos 80 é que Paula passou a vender a sério. No início, vendia muito pouco. Na sua primeira mostra individual em Portugal, em 1965, dos 19 quadros expostos, nem um só foi comprado.)

Permaneceram juntos até 1988, o ano do falecimento de Victor, em virtude de uma doença que durante anos o destruiu: a esclerose múltipla.
Ela não mais o esquecerá.
FONTE do texto

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 Paula Rego, foi ontem juntar-se ao grande amor da sua vida!

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terça-feira, 7 de setembro de 2021

TRIBUTO A...

 ...Georges Moustaki.
O  Estrangeiro mais francês de Paris.


O Estrangeiro mais português de Lisboa...


O Estrangeiro mais italiano de Roma...


O Estrangeiro errante, aventureiro e encantador,
que não obstante o passar dos anos, cantou,  dançou ao som da balalaika e encantou com o seu charme genuíno.


❤ ❤ ❤

Serás sempre 
o meu 
Príncipe Valente
de sonhadora adolescente

o que quisesses de mim.

E viveríamos cada dia,
no Amor sentindo alegria
_Eternamente até ao fim_

Esta foi a última entrevista que  Georges Moustaki
concedeu, antes de partir.

❤  ❤  ❤  ❤  ❤  ❤  ❤  ❤


quinta-feira, 22 de abril de 2021

DIA DA TERRA.

 Mal abri,  ao início desta manhã fria, a janela que me dá acesso ao mundo,  logo Mr. Google me lembra que é Dia de celebrar a Terra. Assim:

                                                                    


Escolhi, para falar por mim, quem tão bem soube louvar, em belas palavras, o nosso solo; este nosso lindo e tão mal estimado,  Planeta Azul.


A TERRA

Também eu quero abrir-te e semear

Um grão de poesia no teu seio!

Anda tudo a lavrar,

Tudo a enterrar centeio,

E são horas de eu pôr a germinar

A semente dos versos que granjeio.


Na seara madura de amanhã

Sem fronteiras nem dono,

Há de existir a praga da milhã,

A volúpia do sono

Da papoula vermelha e temporã,

E o alegre abandono

De uma cigarra vã.


Mas das asas que agite,

O poema que cante

Será graça e limite

Do pendão que levante

A fé que a tua força ressuscite!


Casou-nos Deus, o mito!

E cada imagem que me vem

É um gomo teu, ou um grito

Que eu apenas repito

Na melodia que o poema tem.


Terra, minha aliada

Na criação!

Seja fecunda a vessada,

Seja à tona do chão,

Nada fecundas, nada,

Que eu não fermente também de inspiração!


E por isso te rasgo de magia

E te lanço nos braços a colheita

Que hás-de parir depois...

Poesia desfeita,

Fruto maduro de nós dois.


Terra, minha mulher!

Um amor é o aceno,

Outro a quentura que se quer

Dentro dum corpo nu, moreno!


A charrua das leivas não concebe

Uma bolota que não dê carvalhos;

A minha, planta orvalhos...

Água que a manhã bebe

No pudor dos atalhos.


Terra, minha canção!

Ode de pólo a pólo erguida

Pela beleza que não sabe a pão

Mas ao gosto da vida!

* * * 

Quem escolhi? Claro que só poderia ser:

Miguel Torga

                                                                 FONTE da Imagem.


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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CBO...


Cidadão do Mundo,blogger, jornalista... amado ou odiado, mas nunca, nunca, 
indiferente!

nem esquecido ]

Carlos Barbosa de Oliveira.
[ 24.10.1949 - 29.10.2018]



Onde quer que se encontre, sei que estará com 

E é para lá, e daqui, que lhe mando o meu Abraço, Carlos.





Porque, como escreveu no "on the rocks",  a sua Cidade merece.

Fotografia do "crónicas on the rocks"


Perdoe-me,  Carlos. 
Para Todo o Sempre, irei preferir lembrá-lo neste dia. Mesmo sabendo que não gostava.

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domingo, 29 de setembro de 2019

SAUDADE.





Amigo Rui, 

serás sempre e para todo o sempre, o Amigo ausente que nunca se esquece. Há dois meses que nos deixaste,  no entanto,  sente-se a tua presença em todos os blogues por onde passavas e eu passo.

Obrigada pelo carinho com que sempre me trataste.

Até um dia, meu Amigo.




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terça-feira, 23 de outubro de 2018

"HINO AO PORTO"


FOTO MINHA



Cidade em que as burguesas vão à missa
Vestidas de vermelho carmesim.
Em vão, a luz, sobre elas, se espreguiça...
(As mães, pelo caminho, ao vir da missa
Proíbem-lhes os bancos do jardim...)

Não há fidalgos hoje. Há comerciantes.
É deles todo o ar que se respira!
Noites sem flor, sem luz, sem estudantes
E sem guitarras e sem mentira!

Para sentir o mar, o rio eterno
Cava, connosco, a rocha que dormia
E deita-se connosco, na alegria
De imaginar o céu, calcando o inferno.



Palácio de Cristal,  Porto -  com vista sobre o Rio Douro


Na rua escura as lojas de oiro e pano
São pedras frias, frígidas mas quietas.
Ó frios mercadores de oiro e pano
Porto! Mercado frio e desumano...
E no entanto ali é que há Poetas!

Lutar! — é o verbo. — Não morrer — é a vida.
Mas em surgindo a morte, que na estrada
Os ombros verguem sob a urna pesada
E seja lenta a hora da partida!

Noites sem luz, sem mel, sem fantasia!
Noites sem estudantes e sem flor!
Porto! — Cidade pulmonar e fria
Que tens a força de negar ao dia
A medicina do amor!

Pedro Homem de Mello, Bodas Vermelhas






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Nota: Quero dedicar este postal ao autor do blogue Crónicas do Rochedo, que nasceu na cidade do Porto, no dia  24 de Outubro de 1949.  Um abraço, Carlos. Os amigos da blogosfera não o esquecem.
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segunda-feira, 19 de março de 2018

SONHOS.



A cerejeira do Natal

O senhor Tadeu tinha, lá na horta, uma cerejeira de que gostava muito. Quando chegava o tempo das cerejas, era uma fartura, uma doçura que não havia igual. 
Pois é, mas os pardais também diziam o mesmo. Tinham uma predilecção por aquela cerejeira, como se as cerejas fossem de mel. Eram quase. 
O senhor Tadeu enxotava-os, pendurava fitas nos ramos para assustá-los e chegou a armar um espantalho de vassoura na mão, que prendeu no alto da cerejeira. Fazia vista, mas não metia medo. 
Mal chegava o tempo das cerejas amadurarem, a pardalada vinha em excursão festiva para o meio da cerejeira. Depenicavam com tal arte que chegavam a deixar só o caroço das cerejas, preso ao pezinho suspenso da árvore. Um desespero para o senhor Tadeu. 
Há dias, encontrei-o, na loja de artigos de Natal, a carregar um enorme embrulho.

 
— Ena! — exclamei eu. — O seu pinheiro vai ficar bem enfeitado. 
— Não é para o pinheiro — emendou o senhor Tadeu. — É para a cerejeira. 


Então, explicou-me o seu plano. Quando, da Primavera para o Verão, os frutos da cerejeira começassem a engordar, ele ia enfeitar a árvore com sininhos e bolas de Natal. 


— Para os pardais julgarem que é um pinheiro — concluí eu, pouco convencido da eficácia do projecto. — Eles são mais espertos do que isso.

 
Seriam, de facto, reconheceu o senhor Tadeu, mas também são uns passarinhos alarmados. Detestam ruídos imprevistos. Ouvindo os sininhos agitados pelo vento, fogem. E as bolas de Natal, brilhando ao sol, também hão-de meter-lhes respeito. 
O senhor Tadeu lá se foi, muito contente com o seu plano.

Resulte ou não resulte, a cerejeira há-de gostar. 

Um Conto de António Torrado 


Nota: Esta história é em homenagem a uma pessoa que muito considero e que aniversaria hoje. Um sonhador... um ser humano muito especial. Alguém que conheci na blogosfera faz muito tempo.
A fotografia que encima esta publicação é de sua autoria.




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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

La Faraona.


Lola Flores, a maior bailarina de flamenco, conhecida mundial e carinhosamente, por La Faraona, é hoje homenageada pela Google.  Associo-me a esta homenagem porque sempre nutri uma enorme admiração por esta grande Mulher. Pelo seu talento, pela sua dedicação à família e até (vejam só) por ser de ascendência de etnia cigana! Faria hoje noventa e três anos. Faleceu aos setenta e dois, vítima de cancro da mama. Lembro-me das fotos que a imprensa publicou aquando da sua vinda ao Santuário de Fátima. Vê-la ajoelhada, frente à imagem da Virgem Maria, desfiando o rosário em oração, entre os dedos esguios e mãos nervosas, comoveu-me profundamente. A doença foi mais forte. Lola Flores, a Diva do flamenco, partiu pouco tempo depois.

                                           
                                         Ay pena, penita pena...
                                           Pena de mi corazón
            que me corre por las venas-pena-
         con la fuerza de un ciclón!


                                                
                                 Homenageando a Mãe:
 Lolita, Rosário e António Flores, cantam "Coraje de Vivir" .

                Hasta Siempre...Faraona!!


sábado, 26 de setembro de 2015

QUE SEJA ASSIM POR TODA A VIDA...



...E PARA TODO O SEMPRE!