Tante Mien é toda em redondos e os cinquenta e dois anos pesam-lhe por todo o corpo, com excepção talvez do rosto, cuja pele guarda certa frescura, e dos olhos que, mau grado um consumo moderado mas constante de vieux e citroentje,* brilham ainda como que a denunciar por detrás deles uma vivacidade e uma malícia a que a lentidão dos gestos, e a banalidade da sua conversa, provavelmente servem de capa.
Boa dona
de casa e péssima cozinheira, a rotina dos seus dias é invariável, quebrada
somente por duas semanas de férias no Inverno -
sozinha, em Rimini – e duas semanas no Verão com oom Bertus em Torremolinos.
A diferença
entre essas duas vilegiaturas mediterrânicas parece residir apenas no facto de
que, ao voltar da Itália, inevitavelmente se afirma revigorada (« Sinto-me
outra! »). Como ou por que razões nunca ela o disse, nem ninguém ainda lho
perguntou.
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* Citroentje é um curioso eufemismo que, à letra,
significa «limãozinho», mas designa simplesmente a genebra aromatizada com
limão e adoçada com açúcar. Permite bebedeiras genuínas, mas dá a quem a bebe
um diploma de inocência. Como cognac é
termo registado e protegido por lei, vieux
é a designação do comércio holandês para o conhaque a que não pode dar o nome
original. Sem primar pela qualidade, o seu preço é razoável. Note-se que cerca
de 80% do custo de cada garrafa de bebidas de elevado teor alcoólico reverte para
o fisco.
Nota: Texto e nota explicativa do autor, transcritos do livro que a imagem documenta. A foto do moinho - como sabe a maioria dos que me visitam - é minha, ou seja, foi-me enviada por gente minha. Bem como a de cabeçalho. :)
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A minha leitura de momento |
Nota: Texto e nota explicativa do autor, transcritos do livro que a imagem documenta. A foto do moinho - como sabe a maioria dos que me visitam - é minha, ou seja, foi-me enviada por gente minha. Bem como a de cabeçalho. :)
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