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domingo, 21 de junho de 2020

Diploma De Inocência.



Tante Mien é toda em redondos e os cinquenta e dois anos pesam-lhe por todo o corpo, com excepção talvez do rosto, cuja pele guarda certa frescura, e dos olhos que, mau grado um consumo moderado mas constante de vieux e citroentje,* brilham ainda como que a denunciar por detrás deles uma vivacidade e uma malícia a que a lentidão dos gestos, e a banalidade da sua conversa, provavelmente servem de capa.

Boa dona de casa e péssima cozinheira, a rotina dos seus dias é invariável, quebrada somente por duas semanas de férias no Inverno  -  sozinha, em Rimini – e duas semanas no Verão com oom Bertus em Torremolinos.

A diferença entre essas duas vilegiaturas mediterrânicas parece residir apenas no facto de que, ao voltar da Itália, inevitavelmente se afirma revigorada (« Sinto-me outra! »). Como ou por que razões nunca ela o disse, nem ninguém ainda lho perguntou.

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 * Citroentje é um curioso eufemismo que, à letra, significa «limãozinho», mas designa simplesmente a genebra aromatizada com limão e adoçada com açúcar. Permite bebedeiras genuínas, mas dá a quem a bebe um diploma de inocência. Como cognac é termo registado e protegido por lei, vieux é a designação do comércio holandês para o conhaque a que não pode dar o nome original. Sem primar pela qualidade, o seu preço é razoável. Note-se que cerca de 80% do custo de cada garrafa de bebidas de elevado teor alcoólico reverte para o fisco.


A minha leitura de momento


Nota: Texto e nota explicativa do autor, transcritos do livro que a imagem documenta. A foto do moinho - como sabe a maioria dos que me visitam - é minha, ou seja, foi-me enviada por gente minha. Bem como a de cabeçalho. :)



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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Amizades Geniais.





"Acreditava em tudo o que ela me dizia. Ficou-me gravada na mente a massa informe de don Achille a correr por passagens subterrâneas com os braços pendurados, segurando com os grandes dedos de uma mão a cabeça de Nu e com os da outra a cabeça de Tina. Sofri muito. Adoeci com febres pueris, melhorei, adoeci de novo. Fui atacada por uma espécie de disfunção táctil. Às vezes tinha a impressão de que, enquanto todos os seres animados em meu redor aceleravam os ritmos da sua vida…"

Este é o livro que pousou, mais recentemente, na minha mesa de cabeceira. E não está lá desde ontem nem de anteontem. Empanquei em algo que não me deixa avançar na leitura. Nem eu mesma sei qual a verdadeira razão. É um certo mal-estar que me invade sempre que penetro naquela dependência emocional de uma pessoa a outra. Pior - ou não -  tratando-se de crianças.Uma tão vulnerável e outra tão manipuladora. Há amizades que fazem mais mal do que bem. Quem se deixa influenciar nunca se apercebe disso. Pelo contrário, nutre uma verdadeira idolatração pelo outro.
Sou levada a crer que Elena Ferrante não ganhou mais uma leitora. Eu sei...eu sei, a culpa é minha. Não sendo uma pessoa influenciável e, quiçá, demasiado dona das minha convicções, custa-me muito aceitar que haja quem se deixe manipular a ponto de ter pesadelos... 

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domingo, 27 de agosto de 2017

"MONTEDOR"



Foi um feliz acaso, que me fez deparar com o primeiro livro deste escritor, agora em nova edição, o que lhe confere uma bonita apresentação e nos dá uma ideia muito janota da personagem principal. Se clicarem AQUI ficarão a saber da principal razão porque o adquiri. Logo de início, a sua escrita me cativou e prendeu. Li-o, com a velha sofreguidão dos meus tempos de adolescente. Tão simples é a vida destas personagens e, simultâneamente, tão interessantes quanto reais.
Conta-nos a história de um jovem sonhador, que não se enquadra no seio da família onde nasceu, nem no ambiente em que se desenrola a sua vida.

“Esta cinza à minha volta! Não temos fome, temos necessidades. O nosso fato nem é bom, nem novo –  é limpinho. Não somos pobres, remediamos. Vontade de vomitar”
Pág. 96


Sonha, querendo sempre ir mais além, mas  sem nada fazer para o conseguir. Como que preso por amarras invisíveis e poderosas. O seu espírito aventureiro e destemido, vivia apenas no seu pensamento, sem a força suficiente para o transportar para a concretização do sonho. Simplesmente, porque nem ele mesmo sabia onde procurar, o que procurar e como o fazer.

“Por instantes vai-se-me a coragem, onda que foge da praia, bem melhor era a lotaria, ir pelo seguro, sem mentiras. Quebro. Dá-me para chorar, assusto-me da data, três dias e aí vou eu! É lindo ser homem, falar grosso, mas nas entaladelas se mede a firmeza, e a minha, se a tive, sumiu”
Pág.114


Não me interessa o que o editor deixou expresso na contracapa sobre a opinião de Saramago, não me me importo se aos olhos de leitores de grandes obras de escritores afamados, esta é uma história simples de gente simples, que não acrescenta saber nem mais-valias literárias a ninguém, se foi a estreia do escritor luso que  se mandou para os Países Baixos...importa-me, e muito, o quanto aumentou o meu apreço pelo  já meu/nosso conhecido Patrão desta Barca.  

Navegante dos mesmos mares do meu blogobairro!!






sábado, 2 de janeiro de 2016

"INOCÊNCIA PERVERSA"


Voltando a outros temas que não sejam comes e bebes próprios da época natalícia, festas, champanhe e fogo de artifício... trago-vos, hoje, um dos meus pequenos prazeres: Livros!
Para não variar, a foto deixa muito a desejar no que respeita a perfeição, mas não se pode exigir mais de um telemóvel que está a dar as últimas!!
Ficam aqui algumas informações para vos abrir o apetite caso sejam apreciadores deste género literário: policial, mistério e muito suspense.

Melchior Kimmel planeou cuidadosamente o assassínio. 
E executou-o com a perícia de um verdadeiro profissional, sem deixar qualquer indício que pudesse incriminá-lo.
Para Walter Stackhouse, a morte da mulher seria, sem dúvida, muito conveniente.
E ela apareceu morta…perto de uma garagem de autocarros, Tratou-se, aparentemente, de um suicídio…
Dois homens - um o assassino; o outro, dominado pelo desejo de matar…
Assassínio, suicídio, culpa, inocência; um jogo perturbador de Patrícia Highsmith.


- Quando é que tem os óculos prontos? – perguntou Corby com indiferença.
Kimmel ficou mudo. A despesa dos óculos que Corby partira já ia em 260 dólares.
Corby levantou-se.- Vê-lo-ei em breve, Kimmel. 
Se calhar, é já amanhã. – Corby saiu da sala.
- A minha navalha!- exclamou Kimmel seguindo-o.
Já à porta, Corby voltou-se e entregou-lha. – Que seria de si sem isto?...

Para quem possa, eventualmente, ter ficado interessado é só procurar  numa Livraria perto de si...:)

Continuação de BOAS FESTAS!!


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sexta-feira, 24 de julho de 2015

"VINHO MÁGICO"

Esta deliciosa história é-nos contada por uma garrafa de “Fleurie 1962”, um vinho vivo e tagarela, alegre e um pouco impertinente, com um acentuado sabor a amoras.

Livro e foto minha! 


Jay  Mackintosh, em tempos um escritor de sucesso, encontra-se em crise, leva uma vida sem sentido e entrega-se à bebida.

Até ao dia em que abandona Londres e se instala em França, na aldeia de Lansquenet ( a mesma aldeia que serviu de cenário a “Chocolate”, o primeiro romance de Joanne Harris ).

A partir daí a sua vida vai modificar-se, por acção da solitária Marise – que esconde um terrível segredo por detrás das persianas sempre fechadas - e das recordações que guarda de Joe, um velho muito especial, que lhe ofereceu essa garrafa de propriedades invulgares e misteriosas…


Ainda não leram? Então, leiam! Será mais uma excelente companhia durante as vossas férias deste verão… J