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As coisas devem ser grandes
Pra formiga pequenina
A rosa, um lindo palácio
E o espinho, uma espada fina
A gota d'água, um manso lago
O pingo de chuva, um mar
Onde um pauzinho boiando
É navio a navegar
O bico de pão, o corcovado
O grilo, um rinoceronte
Uns grãos de sal derramados,
Ovelhinhas pelo monte
[ Disse-o Vinícius de Moraes ]
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Já eu, digo:
Sinto-me tão pequeninatão sem força e alquebradaque até uma formiga rabigaé mais forte do que euperto dela não sou nada
Com todo o entusiasmotudo grande lhe parecepois eu que sou bem maiornão saio deste marasmonada me aquece ou arrefece
Queixo-me quando o sol queimamas se chove o mesmo façosó estou bem onde não estounão sei o que hei-de fazerminha vida é um nó laço.
Já nem chego a ser cigarra
porque até o cantar me aborrece...
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