Estes, são os mais ricos, famosos e poderosos do mundo.
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Mas, nós, apesar de sermos pobrezinhos, também temos amigos que alinham em tudo formando um trio.
Estes sãos os nossos 3 da vida airada, de antigamente.
Cocó, Ranheta e Facadas, amigos inseparáveis e cúmplices, num desenho de Rafael Bordalo Pinheiro, inserido na revista mensal ilustrada "Branco e Negro" de Dezembro 1897. Confio na Fonte, mas eu não sei de nada...
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Ah, mas estes (três da vida airada) eu conheço. Garanto que existem e, sendo meus conterrâneos, são confiáveis, cantam bem e a sua cumplicidade resume-se a fazer e a cantar boa música... 👏👏👏 Aplausos para o que é nosso!
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Adenda: Por sugestão do amigo Kok deixo-vos com este delicioso vídeo, com o título :
“A essa hora, meia-noite seria, Dom
Alexandre de Aguilar, infamado, desprezado, e solitário na sua angústia,
esvaziava garrafas de conhaque, no intento de aturdir-se e responder com a
gargalhada do ébrio ao grito da vergonha. Os deploráveis perdidos, que se valem
desta triaga, parece que a si propriamente se estão castigando com mais crueza
do que poderia castigá-los a justiça humana.”
Ah, Camilo, Camilo, para fugir
da vergonha, apetecia, a muito boa gente, alhear-se da realidade nem que para
tal tivesse que se refugiar no álcool. No entanto, a noção d’O Bem e o Mal – e a vergonha - ficaram perdidas, algures, pelos caminhos da
vida, por terceiros, que jamais se auto-castigaram ou sequer se reconheceram culpados....Ou, então, pior ainda, nunca vergonha tiveram.
Penso
que a Sabedoria se vai adquirindo ao longo da vida através de experiências, sobretudo,
quando erramos e temos a humildade de o reconhecer e tentamos acertar.
Mas, não
é por se levar uma vida intensa, nem por se viver durante muitos e muitos anos,
que alguém se pode considerar sábio. Por muitos conhecimentos que se tenha há
sempre algo novo a aprender.
Sábio, é aquele que tem a capacidade de
compreender que existe mais do que um ponto de vista, um outro modo de encarar
qualquer situação, porque a nossa vida a moldamos nós, de acordo com o que
consideramos ser certo ou errado. Porém, sem que se melindre ou prejudique seja
quem for, só porque tem um outro modo de encarar determinada situação.
Vem
isto a propósito de vos dizer que, Sabedoria é coisa séria, sim, mas que também pode
ser encarada com sentido de humor…
Peço um pouco de paciência aos mais apressados, aos que passam sempre a correr, parem por aqui uns minutinhos, sentem-se, ouçam, reflictam e não deixem de sorrir. A vida sabe sempre melhor se a levarmos com Sabedoria, sentido de humor e amor...
...Sinto-me muito mal. Tusso, ardem-me os olhos, choro...dói-me o peito...custa-me respirar, sinto que o meu fim se está a aproximar, e tenho medo. Ainda há tanta coisa que não vivi... ...desespero...não quero partir, ainda nem sequer te conheci...
Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto,
uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora
dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela
sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida.
Viver é ter fome.
Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos
dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem
conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem
justa, e não dá para comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro
ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes
e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar,
acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos
professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma
dádiva de nós para nós mesmos.
Os milagres que nos acontecem têm sempre uma
impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se
contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é
doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as
respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas
divertidas. Joaquim Pessoa, in "Ano Comum"
Pode ser tudo isto mas, essencialmente, é Amar... Gostar de...
Tudo o que já vimos e ouvimos, tudo o que vemos e sentimos. Tudo...O que nos faz mais alegres e felizes ou, simplesmente, mais serenos e de bem com a nossa consciência.
Ao ler, hoje, que FRIDA KAHLO, iria ser homenageada numa Galeria de uma cidade do Brasil, com uma exposição de dez das suas pinturas, lembrei-me da forte impressão que me causou quando li a sua biografia, há uns largos anos atrás. Infelizmente, o livro foi-me emprestado e não pude recorrer agora, à sua fabulosa história de vida. Uma vida plena de sofrimento, amor e infidelidade que a deixaram na História da Arte, como uma mártir. Esta pintora mexicana, nascida no início do século passado, dedicou grande parte da sua vida a pintar auto retratos, e, em cada quadro, expressou as suas mais profundas emoções. A poliomielite que padeceu em criança, o acidente que sofreu na juventude e a deixou imobilizada durante largos anos, o casamento atribulado com Diego Rivera, levaram-na a escrever frases memoráveis. Actualmente, uma referência para algumas pessoas, que possam ver-se reflectidas em cada uma delas.
"Nunca pinto sonhos ou pesadelos. Pinto a minha própria realidade"
"Pés, para que vos quero, se tenho asas para voar?"
"Há pessoas que nascem com uma estrela e outras estreladas, ainda que não acreditem, eu sou das estreladíssimas!"
(Que enorme força interior a desta mulher!)
"Tentei afogar as minhas dores, mas elas aprenderam a nadar!"
Muito fica por dizer acerca de Frida Kahlo, talvez um dia ainda volte a falar desta mulher, dona de uma força interior e uma coragem fora de série.
Vá-se lá saber porquê, hoje lembrei-me do meu tempo de juventude, e de Mireille Mathieu.
Creio que foi nela que me inspirei e passei usar franja...até aos dias d'hoje! :)
(...)
Sob a ponte de Bercy
Um filósofo sentado,
Dois músicos, alguns curiosos,
e também milhares de pessoas.
Sob o céu de Paris
Vão cantar até de noite
O hino de um povo apaixonado
Pela sua velha cidade…
Lembrei-me de Mercedes Sosa, "La Negra" mestiça, de nacionalidade argentina, que muito admiro, pela grande activista que foi em prol dos direitos dos mais desfavorecidos, conhecida como A Voz dos sem voz, nesta gravação, prestando tributo à cantora e compositora chilena Violeta Parra. Tal como ela canta, também eu celebro e dou Graças à Vida, não por me ter dado tanto, mas porque, apesar de tudo: Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, sinto que valeu a pena ter nascido! Sejamos positivos, e demos graças pelas coisas boas com que a vida ainda nos vai contemplando. Assim:
"Com a idade, como castigo
dos excessos da juventude, mas também como consolação, começa-se a provar as
coisas que dantes se consumiam sem pensar.
Até quase morrer de uma hepatite alcoólica
eu bebia «whiskey» como se fosse água: o «uisce beatha» gaélico; a água da
vida. Agora, com o fígado restaurado por anos de abstinência, apenas provo. Suspeito que seja assim com todos
os prazeres - até o de acordar bem-disposto ou passar um dia sem dores ou
respirar como se quer ou não precisar de mais ninguém para funcionar.
Parecem
prazeres pequenos quando ainda temos prazeres maiores com os quais podemos
compará-los. Mas tornam-se prazeres enormes quando são os únicos de que somos
capazes. Sei que a última felicidade de
todos nós será repararmos no último momento em que conseguimosprovar a vida que vivemos e
achá-la - não tanto apesar de, como por causa de tudo - boa." Miguel Esteves
Cardoso, in “Jornal Público”
Só há poucos anos comecei a gostar do Miguel Esteves Cardoso! Na sua e minha juventude, sempre o considerei um bon vivant. Um menino bem que não sabia o que custava a vida e só escrevia e dizia disparates na sua condição de jovem irreverente que pensava tudo lhe ser permitido.
Com o passar dos anos, o amor e o sofrimento pela doença da esposa, fizeram-no crescer e amadurecer - isto na minha perspectiva - . Pela minha parte também amadureci e passei a compreendê-lo melhor. Hoje, não dispenso as suas crónicas diárias no Jornal Público. Foi pai de duas meninas gémeas muito cedo, porém, não foi esse facto que o modificou...foi o seu grande Amor por uma mulher!
Num livro do autor Ruediger Schache, que ando a ler, há uma passagem que achei muito interessante e resolvi partilhar convosco. À primeira vista poderá parecer-nos que tudo isto é bastante óbvio, mas provavelmente não será tanto assim. Tanto mais que assumir medos não é fácil, por pensarmos ser uma fraqueza ou consequência de algo que nos marcou e não queremos sequer recordar.
Deixo à vossa apreciação...
A força que busca a proximidade.
"No fundo, todos desejamos proximidade. Como seres humanos, queremos ter a sensação de não estarmos sós e de sermos compreendidos. Como mamíferos que somos, o nosso corpo procura a proximidade e o contacto com outros. A criança dentro de todos nós procura segurança, protecção e um jogo em conjunto. Todas estas forças dentro de nós clamam por uma ligação e por um encontro com outras pessoas. Este é o nosso desejo profundo.
A força que rejeita a proximidade.
Essa força é sempre o medo! Os dois maiores medos são o medo de ser magoado e o medo de ser abandonado.
Pensamos que ser magoado só é possível quando mostramos o nosso lado sensível ao outro. Por isso, muitas vezes, são construídas várias fachadas como muros de protecção, umas a seguir às outras. Sempre que uma cai, a ameaça torna-se um pouco maior do que era.
Ser abandonado…só é possível se nos tivermos ligado antes. Quando nos abrimos e nos entregamos ao outro. O intelecto inconsciente, para realizar a sua missão de protecção, tenta evitá-lo. Inventa motivos, como por exemplo, o de não ter necessidade nem tempo para um relacionamento realmente íntimo."
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E agora a pergunta que se impõe: e quando estas duas forças entram em conflito...que fazer? Pois é...dessa parte o livro não fala! Alguém sabe?
...pois, também costumo cantar o Fado! Mas hoje não fui de modas! Vai daí, agarrei no livro de inéditos, do meu poeta popular preferido, o grande ANTÓNIO ALEIXO e fui direitinha às páginas "eróticas, burlescas e satíricas". Se bem que de erotismo não veja aqui nada de especial. Mas para a época, se calhar até seria. De vez em quando, sabe bem fazer algo diferente...e, como para tristezas já basta a vida...
"Fazendo inveja aos pintores
Que pintam qualquer boneco
Meu avô tinha um caneco
Com tinta de várias cores
Pintou filhos cantadores
Como eu – que já canto o fado,
Pintou um muito engraçado
Que era o meu tio Manuel
E com o mesmo pincel
O meu pai já foi pintado.
O Aleixo para pintar
Só pinta grandes programas Pinta leitos, pinta camas Coisinhas de se admirar… A gente tem de levar O pincel p`ra onde vai E da algibeira não sai P`ra não lhe pôrem defeito. Eu trago um que foi feito Com o pincel do meu pai.
Eu comecei com jeitinho
A cômpor o ramalhete
Primeiro foi com azeite
E depois foi com cuspinho
No começo era estreitinho
Custava o pincel a entrar…
Começa a dona a gritar:
«Não me parta a tigelinha»
Mas que coisa engraçadinha
Fui uma noite pintar…"
Ahh, grande ANTÓNIO ALEIXO...! Este já é o terceiro post que te dedico, embora sempre transcrevesse as tuas quadras tristes e revoltadas com a vida. Pouca gente haverá que saiba rir de si mesma e, sobretudo, rir da própria desgraça, como tu o fizeste. E como eu te compreendo!