![]() |
| FOTO MINHA |
Cidade em que as burguesas vão à missa
Vestidas de vermelho carmesim.
Em vão, a luz, sobre elas, se espreguiça...
(As mães, pelo caminho, ao vir da missa
Proíbem-lhes os bancos do jardim...)
Não há fidalgos hoje. Há comerciantes.
É deles todo o ar que se respira!
Noites sem flor, sem luz, sem estudantes
E sem guitarras e sem mentira!
Para sentir o mar, o rio eterno
Cava, connosco, a rocha que dormia
E deita-se connosco, na alegria
De imaginar o céu, calcando o inferno.
![]() |
| Palácio de Cristal, Porto - com vista sobre o Rio Douro |
Na
rua escura as lojas de oiro e pano
São pedras frias, frígidas mas quietas.
Ó frios mercadores de oiro e pano
Porto! Mercado frio e desumano...
E no entanto ali é que há Poetas!
Lutar! — é o verbo. — Não morrer — é a vida.
Mas em surgindo a morte, que na estrada
Os ombros verguem sob a urna pesada
E seja lenta a hora da partida!
Noites sem luz, sem mel, sem fantasia!
Noites sem estudantes e sem flor!
Porto! — Cidade pulmonar e fria
Que tens a força de negar ao dia
A medicina do amor!
São pedras frias, frígidas mas quietas.
Ó frios mercadores de oiro e pano
Porto! Mercado frio e desumano...
E no entanto ali é que há Poetas!
Lutar! — é o verbo. — Não morrer — é a vida.
Mas em surgindo a morte, que na estrada
Os ombros verguem sob a urna pesada
E seja lenta a hora da partida!
Noites sem luz, sem mel, sem fantasia!
Noites sem estudantes e sem flor!
Porto! — Cidade pulmonar e fria
Que tens a força de negar ao dia
A medicina do amor!
|
Pedro
Homem de Mello, Bodas Vermelhas
|
--------------------------------------------------------
Nota: Quero dedicar este postal ao autor do blogue Crónicas do Rochedo, que nasceu na cidade do Porto, no dia 24 de Outubro de 1949. Um abraço, Carlos. Os amigos da blogosfera não o esquecem.
__________________________

