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Muito se tem falado e escrito ultimamente, aqui, pelo meu Cantinho, sobre poemas, poesia, o que são ou não são poemas considerados sonetos e o diabo a quatro. Também de um enorme poeta popular de quem muito gosto: António Aleixo. Figura do povo, a quem se negou - no conceito alheio - a importância de escrever poesia. Pois se o homem, cauteleiro de profissão, nem de métrica sabia!...
Mas aonde eu quero chegar, é que há muito o não trago aqui. A ocasião não poderia ser melhor. Ei-lo, pois, a rir, que é como eu gosto e me faz bem.
Mote
- Primo, que medo, que horror!...
Que bicho é que tem na mão?
- Oh! Prima eu sou caçador,
Este bicho é um furão!...
Glosas
...Ande cá, pegue-lhe aqui
Co’a sua mãozinha linda;
Talvez ele cace ainda
Um coelhinho para si
- Quando os seus olhos eu vi,
Seu rosto mudou de cor,
E não perdeu o rubor
Ao tocar-lhe só c’um dedo...
- Então já não diz com medo:
"Primo, que medo, que horror!?..."
*
- Mas o bicho há-de morder...
- Não, não morde em moças novas,
Isto é p’ra meter nas covas
Onde caça grossa houver;
Talvez me saiba dizer
Onde alguns coelhos estão...
Disfarce a má impressão,
Venha-me já ensinar,
E não torne a perguntar:
“Que bicho é que tem na mão?”
*
- Eu cá sei onde estão três
Metidos num só buraco...
- Este bicho é tão velhaco
Que os tira só de uma vez...
Ainda há bem pouco ele fez
Coisa pior, o estupor:
Tirou-os com tal furor
Que, prima, chorei com pena,
E, se por tal me condena...
Oh! Prima, eu sou caçador!
(...)
Se ficaram com curiosidade para saber como acaba a história que António Aleixo contou, façam o favor de clicar AQUI, e divirtam-se.



