"Pouco no mundo teremos visto se não tivermos olhado os pássaros"
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| Fotografia da Luísa. Abusivamente tomada de empréstimo AQUI |
Escreveu a frase que encabeça o postal, um escritor moçambicano por cuja escrita me apaixonei há largos anos.
Dito assim, nesta forma algo poética, até parece poesia isto que escrevo. Mas não é.
Penso, repenso e medito longamente, cada vez mais, no voo que me aguarda. Pensamento que dantes me apavorava e hoje encaro com uma paz interior que me apazigua e me faz bem.
Este meu voo interior, feito de momentos fugazes, é quase sempre interrompido quando sinto esta dor física atroz que me prende, não uma asa, não as duas, mas ambas as pernas. Ora uma, ora outra, mais a esquerda.
Pergunto-me e pergunto-vos: Será que os pássaros conseguem voar sem pernas? É que receio, na hora do meu voo derradeiro, perder o sentido de direcção, me enganar no destino e ficar pairando no ar, ou voando em círculos, qual alma penada. (Ou nem sequer conseguir levantar voo, o que seria bem pior.)
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| Pavão e pavoa, vieram do Alentejo.
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