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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

PASSEIO PELO RIO DOURO.

 


À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando 
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.




 
Lá não terá socalcos

Nem vinhedos

Na menina dos olhos deslumbrados;

Doiros desaguados

Serão charcos de luz

Envelhecida;

Rasos, todos os montes

Deixarão prolongar os horizontes

Até onde se extinga a cor da vida.




 


Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança

Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

S. Leonardo de Galafura

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[ Fotografias minhas - Poema de Miguel Torga ]


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sábado, 6 de abril de 2024

QUANDO OS POEMAS TÊM COR...

 ...e emoção e sentimento e saudade, trazem com eles a força da Amizade.
Amizade que damos e recebemos, numa permuta que solidifica os elos que se formam entre as pessoas de quem se  gosta e se admiram.


 Para tão grata dedicatória 
somente outra dedicatória!



Amiga Elvira, 
peço-lhe que me desculpe
 a rouquidão 
A má dicção e o pranto escondido
 por entre tanta emoção.


❤❤❤❤❤ 🤗  🤗  🤗 ❤❤❤❤❤

quinta-feira, 4 de abril de 2024

______________TERRA, MAR E PINHAIS.

 

Praia de Moledo - Caminha
Como seu fiel guardião; o Monte de Santa Tecla - Galiza
(Foto minha)

     Ibéria

Terra.
Quanto a palavra der e nada mais.
Só assim a resume
Quem a contempla do mais alto cume,
Carregada de sol e de pinhais.
 
Terra-tumor-de-angústia de saber
Se o mar é fundo e ao fim deixa passar...
Uma antena da Europa a receber
A voz do longe que lhe quer falar...

Terra de pão e vinho
( A fome e a sede só virão depois,
Quando a espuma salgada for caminho
Onde um caminha desdobrado em dois).
 
Terra nua e tamanha
Que nela coube o Velho-Mundo e o Novo...
Que nela cabem Portugal e Espanha
E a loucura com asas do seu Povo.

Miguel Torga 'in' Poemas Ibéricos

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O MAR QUE EMBALA SEREIAS E SOPRA BONS VENTOS.

 

Oil Paintings by Victor Nizovtsev


  Sereia do Mar

Vi uma sereia
Tão comprometida
Descobrindo o seu destino
Na imensidão do mar
Como representação
Dos seus sonhos de menina
Que divide
Com as estrelas
E a luz do luar
Nesse travesseiro
Se deixou embalar
Pelas ondas do mar
Ao longe um veleiro
Deste adormecer
A fez despertar
Implorando-lhe para
Pelo mundo inteiro
Acompanhar
A sereia assustada
Ao caminho se fez
Porque aquele veleiro
Quase a naufragar
Também partilhava
Do sonho talvez
De um amor primeiro
Que nasceu no mar...

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Vento

Queria sonhar com o vento
Numa noite de luar
Ouvir esse seu lamento
A tempo e a contratempo
P’ra me encontrar com o vento
Que vem dos lados do mar...



 Poemas da Poetisa Maria Noémia Ribeiro da Cunha

'in'  "A Densidade do Silêncio"


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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

DA SAUDÁVEL LOUCURA.

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Gente Com Raça

Que gente louca
Que anda por aí à solta
Matando e morrendo
Por um pedaço de terra!
Que loucura é esta
De gente que coabita
Com seu irmão apátrida
Sem eira nem beira
Dormindo ao relento
Tendo como companheira
A lua cheia
E a berma da estrada
Como travesseira!
Gente cigana
Gente com raça
Que recomeça
Dia após dia
Nova caminhada
E se faz à estrada
Ao romper da aurora
Despido de tudo
Vestido de nada!
Gente cigana
Que parte contente
E que alegra a gente
Da minha cidade
Ao som da guitarra
Seu modo de vida
Gente excluída
Mas que não é diferente
De ti, meu irmão!...


 Poema da Poetisa Maria Noémia Ribeiro da Cunha 'in' "A Densidade do Silêncio"








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segunda-feira, 25 de setembro de 2023

RECONSTRUÇÕES - Reedições.

 
Imagem da Net - Lavadouro Municipal de um Bairro de Lisboa.



CONSTRUÇÕES.


É nas noites longas

e quase eternas

Que procuro construir-te

à medida do meu Sonho.

Faço-te, desfaço-te

foge-me o traço.

Escovo, raspo,

encho de água fresca o tanque.


Lavo, esfrego com água e sabão o meu cansaço,

e adormeço sem te saber.


Mas é logo de manhã, ao acordar,

que sempre te reconheço

                   mesmo sem te conhecer...



VALSA DOS POETAS




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domingo, 25 de junho de 2023

MAR!

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À minha Alma inquieta e melancólica fez-lhe muito bem ter passado a manhã, do dia de São João, a respirar o ar do mar e sentir o cheiro fresco da maresia.


Não posso dizer que fui desabafar com o confidente de tanta e tanta gente. Não, não tenho o hábito de lhe falar. Fui para lhe admirar a grandiosidade, para meditar nesta minha sensação de dúvida e desagrado que desde há um tempo se instalou em mim, e, para me molhar nas suas águas salgadas como que para me purificar. Se regressei mais pura e de mente limpa de ressentimentos, ainda não sei, mas sem dúvida que voltei mais leve e fresca.
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Como já habituei os meus leitores e eu própria não passo sem Ela, a Poesia, pedi este belo poema emprestado ao homem da terra agreste. Lembra-nos o Mar da Era dos Descobrimentos, tal como eu tento descobrir-me a mim.

Mar!
Tinhas um nome que ninguém temia:
Eras um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia...

Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto...

Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!

Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!

Mar!
E quando terá fim o sofrimento?
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento?!

 Miguel Torga - 'in' Poemas Ibéricos



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segunda-feira, 6 de março de 2023

"POEMA DOS BRAÇOS NUS DAS MULHERES"

 

Foto que elaborei a partir de um Bilhete-Postal, para participar num passatempo
do blog "Crónicas do Rochedo", justamente com o título:
Bilhetes-Postais Ilustrados. Infelizmente, não é possível encaminhamento, pois
o dito blog já partiu, bem como o seu Autor.

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Como o dia estivesse muito quente
as mulheres saíram de casa e foram à sua vida
com blusas sem mangas.
A carne dos seus braços
erguidos ao alto para alcançarem as argolas do autocarro
eram veios de luz voluptuosa e cálida.
Apelo de escultor
que esculpe trauteando melodias.
Iam todas afogueadas de calor,
de calor feminino,
e por isso eram largas as cavas das suas blusas
e delas emergiam os braços levantados
para alcançarem no alto as argolas do autocarro.
Era com aqueles braços nus,
desprendidos das argolas do autocarro,
que aquelas mulheres na hora permitida,
cingiam e apertavam
os corpos horizontais dos seus companheiros.
Mas não era nisso que elas iam a pensar.
Elas iam a pensar no seu trabalho quotidiano,
no ir e vir,
no andar a correr,
no cozinhar,
nas compras,
no emprego,
no dinheiro que não chega,
e pensavam, com os olhos parados e distantes,
enquanto se agarravam às argolas do autocarro, noutra vida melhor,
sem ir e vir,
sem andar a correr,
sem horas para isto e para aquilo,
livres,
livres,
livres e independentes,
para então cingirem e apertarem nos seus braços nus
os corpos horizontais dos seus companheiros.


 António Gedeão, in "Novos Poemas Póstumos"





quinta-feira, 14 de abril de 2022

DAS ESPERAS POSSÍVEIS E ATÉ DAS QUE PARECEM IMPOSSÍVEIS.

Fonte da foto

[Pequeno apontamento sobre o autor]

Mia Couto é o pseudónimo de António Emílio Leite Couto, um apaixonado por gatos que nasceu no dia 05 de Julho de 1955, na cidade da Beira -  Moçambique. 
Além da prosa, poesia e jornalismo, também a Biologia está entre as paixões de Mia Couto. Ainda hoje concilia a direcção de uma empresa de consultoria ambiental com a literatura, afirmando que, assim como a escrita, a Biologia não é uma profissão, mas sim uma paixão. 

A ESPERA

Aguardo-te
Como o barro espera a mão.

Com a mesma saudade
que a semente sente do chão.

O tempo perde a fonte
e a manhã
nasce tão exausta
que a luz chega apenas pela noite.

O relógio tomba
E o ponteiro crava-se
No centro do meu peito

Fui morto pelo tempo
No dia em que te esperei.

Mia Couto in "Poemas Escolhidos"

💙💛

Já Vinícius de Moraes, falava assim d'A Espera, neste soneto:

Aguardando-te, amor, revejo os dias
Da minha infância já distante, quando
Eu ficava, como hoje, te esperando
Mas sem saber ao certo se virias.

E é bom ficar assim, quieto, lembrando
Ao longo de milhares de poesias
Que te estás sempre e sempre renovando
Para me dar maiores alegrias.

Dentro em pouco entrarás, ardente e loura
Como uma jovem chama precursora
Do fogo a se atear entre nós dois

E da cama, onde em ti me dessedento
Tu te erguerás como o pressentimento
De uma mulher morena a vir depois.

Rio de Janeiro, Abril de 1963

💙💛


D'A Espera, a sua, também Adalgisa Nery, poetisa modernista e jornalista brasileira falou, e bem, como se poderá ler. AQUI. 

💙💛



Neste momento de incertezas, de angústia e desassossego, em que o mundo mergulhou, eis chegada a minha vez de perguntar aos meus estimados leitores:
Quem, de nós,  não vive à espera que aconteça algo que fortaleça a nossa Esperança, melhore a nossa Fé, deseje no mais fundo do seu ser que aconteça o Milagre que devolva a Paz ao Mundo?
Aguardemos. Talvez que, nesta quadra de Amor e Piedade, de Injustiça e Sofrimento, de Fé e Redenção, o milagre aconteça.
Quando chegar essa hora, que seja feita justiça aos Povos e às gentes injustiçadas.

DESEJO  A TODOS UMA PÁSCOA  FELIZ ! !


💙💚💛💜



quinta-feira, 24 de março de 2022

DAR ABRIGO AO ABANDONO.

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Ruína

 “Um monge descabelado me disse no caminho: Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: Digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”. 

E o monge calou-se descabelado”.

***

Poema de Manoel de Barros.
Poeta brasileiro.
Nasceu a 19 de Dezembro de 1916,
em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
Faleceu a 13 de Novembro de 2014,
em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Estas casas não são ruínas que o tempo e o abandono degradaram.
São casa destruídas por militares russos durante um 
bombardeamento em Mariupol, na Ucrânia.
Não sei se algum dia poderá nascer entre os seus escombros,
a palavra AMOR, um lírio ou qualquer outra flor.
Tenho esperança que algo de bom renasça, sim!

*****




💙💛




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

O DESESPERO DO POETA.

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O desespero do Poeta

são "Os Dias". *

Esse somatório de 24 horas

de que nunca sabemos 

quais são as horas 

da noite ou do dia.

Alimenta-se de Luz, Música,

de Fantasia, 

e de Palavras .

Suas 

e

dos outros que até 

ele chegam.

Raramente entendo

 o que me diz,

numa primeira leitura,

mas, 

volto sempre.


Enquanto não apreendo

a crueza dos seus sentimentos,

cobertos pela luz diáfana

dos seus versos,

não desisto,

não o abandono sozinho,

às suas lembranças tristes

de MENINO...

Será a isto  que chamam de: 

SOLIDARIEDADE

AMIZADE

[ou será]

MASOQUISMO?


 Alusão a ESTA publicação.

Aguarelas da autoria do Autor em destaque.
Mas... pertença minha!! 
😊 

  

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sábado, 29 de janeiro de 2022

A VIDA.

Recebi este vídeo recentemente. Achei-o tão verdadeiro, tão profundamente belo, que não resisto a partilhá-lo com os amigos e visitantes destes cantinho. A Vida é tudo isto! Saibamos dar-lhe a importância que ela tem, valorizando o que temos e desfrutando-a,  - porque ela é breve - com Saúde e Amor no coração.



Não pude deixar de lhe associar, o igualmente belo poema de João de Deus, do qual transcrevo a última parte.

(...)

"A vida é flor na corrente,

  a vida é sopro suave.

    A vida é estrela cadente,

    voa mais leve que a ave:

    Nuvem que o vento nos ares,

    onda que o vento nos mares

    uma após outra lançou.

    A vida__ pena caída

    da asa de ave ferida __

    de vale em vale impelida,

    a vida o vento a levou..."

***


A Todos quantos, generosamente, me  oferecem a sua companhia 

desejo:

 FELIZ  FIM-DE-SEMANA