Um dos locais da Cidade do Porto de que mais gosto para desfrutar de uma tarde soalheira, de sábado, em amena cavaqueira com familiares que me acompanham e amigos que sempre vão aparecendo, é o Cais da Ribeira.
Nestes dias, em que o sol aquece as almas e seca as gargantas, vemos as esplanadas ribeirinhas replectas de turistas a deliciarem-se com os petiscos e a cerveja geladinha, que os restaurantes regionais têm para oferecer.
As passeatas, ao longo do cais, são um vai-vem constante.
Apreciar a beleza do Rio Douro e ver todo aquele movimento, é algo de que nunca me canso, apesar de há longos anos ser aquele o meu espaço predilecto.
Ultimamente, dois músicos de rua têm animado o ambiente com as suas canções latino-americanas de que tanto gosto. Uma maravilha!
O pior é quando chega o pôr-do-sol e o Porto começa a ficar com aquele ar cinzento, triste e tão deprimente. Por mais que tente ver nisso alguma beleza, não consigo. Tem sido sempre assim.
Ontem, nessa hora, lembrei-me do "Porto Sentido" de Rui Veloso.
Foi a cantar, mentalmente, com alguma nostalgia, que regressei a casa.
"Ver-te assim abandonada
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói um sentimento..."
