Ontem, olhei para a minha fruteira de balcão* e pensei:
"O que irei comer de sobremesa?"
Um maracujá de bom aspecto e ar apresentável,
um maduro, encorrilhado e todo enrugado,
uma laranja de casca fina e de aspecto sumarento,
ou uma maçã gala que,
sendo das pequeninas
tem ar de ser rijinha,
tem a pele lisa, coradinha, e,
tal como tudo o que é vermelhinho e saudável
deve ser bem docinha?
*...de balcão, porque tenho outra na mesa.
Vejam só o que aconteceu...
...Escolhi o maracujá com a casca mais lisa e de melhor aparência...
...cortei-o a meio e gostei do seu aspecto fresco e apetitoso.
Com a ajuda de uma colherzinha separei a polpa das cascas. Provei um bocadinho e achei o sabor ligeiramente ácido. Então, decidi fazer a experiência de comparar a polpa do maracujá enrugado que à partida rejeitei.
O seu aspecto interior era semelhante ao exterior, ou seja, pouco ou nada apetecível. Repeti o procedimento anterior, retirando toda a polpa sem a misturar com a outra....
....que, no meio desta delicada operação, fui saboreando entre uma careta e outra. Quando meti à boca a primeira colher da polpa do segundo fruto, seco e enrugado...hummmm, que sabor, que doçura. Uma delícia!
Lentamente, pouco a pouco, deixei-me inundar por uma sensação de tão grande prazer que, creio bem, quem estendesse do assunto diria tratar-se da tal sensualidade atribuída à boa fruta.
Só depois de digerir as emoções e degustar os sabores, até ao fim, me apercebi que o meu velho tabuleiro de plástico merecia estar enfeitado com um paninho bordado.
Moral desta história: nunca menospreze a fruta de aparência enrugada. Ela pode proporcionar-lhe a deliciosa surpresa de prazeres nunca antes sentidos.
😍😍😍😍😍😍😍





