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quarta-feira, 13 de julho de 2016

"DESTINO"...UMA INICIATIVA DE LOUVAR!

Foto de Duarte Sol

Aquele corpo tão falsamente provocante que caminhava para o abismo, era o seu, e ela por mais que tentasse não conseguia aliená-lo.
Detestara-o naquela noite e em todas as outras noites em que o usava. Queria que ele não lhe pertencesse, sentia a maldição que pesava sobre si e desejava ser uma pessoa normal, que se entrega, que recebe, que aceita e nada receia.
Só via falência na sua vida. Não existia nenhuma razão no mundo que a pudesse impedir.
A quem poderia interessar que ela vivesse, que trabalhasse, que amasse. Para quê? Para quem?
A desculpa da euforia permanente produzida pelo álcool era mais razoável, pois conseguia afastar a falta do amor que não conheceu, dos beijos que não deu, dos livros que não leu e da vida que não viveu.
Mas hoje estava sóbria!
Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.



Janita

Naquele preciso momento, seis horas e dezoito minutos, quando procurava de dentro da bolsa, a chave de casa, ansiosa para se estender na cama, após um percurso solitário, de uma noite inteira vagueando sem destino, toda a sua vida lhe passou pela mente, como se estivesse a assistir a um filme.
Sentou-se num degrau das escadas, olhou para o céu. Viu um clarão de luz intensa e, maravilhada, assistiu ao primeiro nascer do Sol em toda a sua vida.
Não! Os beijos que nunca lhe deram, o amor que nunca lhe dedicaram, os livros que não leu, enfim, a vida que nunca teve…Nada, nada mesmo, se poderia comparar à dádiva de estar viva e ver nascer um novo dia… 
Voltou a descer as escadas e caminhou serena e confiante pelo passeio da rua, deserto àquela hora matinal. Havia despertado dentro de si a certeza de que o mais importante na vida, não é aquilo que se recebe e sim o que nos damos a nós mesmos.
Dali em diante iria olhar-se com mais carinho, gostar mais de si…Abandonar o cigarro, o álcool, os falsos amigos…Quem sabe aquela promessa de emprego na Livraria do Shopping não se concretizaria e os livros que nunca leu, ela, finalmente os leria? Ergueu a cabeça, sorriu e trauteando aquela velha canção aprendida na sua meninice, ensaiou uns passos de dança e seguiu em direcção ao seu novo Destino…

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 Obrigada, Amiga Fê! Pelo muito que fazes em prol da união e interacção entre os Bloggers do nosso Blogobairro!!