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És tu quem me conduz, és tu quem me alumia
Para mim não desponta a aurora, não é dia
Se não vejo os dois sóis azuis do teu olhar
Deixei-te há pouco mais dum mês - mês secular,
E nessa noite imensa, ah, digo-te a verdade,
Iluminou-me sempre o luar da saudade.
E nesses montes nus por onde eu tenho andado
Trágicos vagalhões de um mar petrificado
Sempre diante de mim, dentre a aridez selvagem
Vi como um lírio branco erguer-se a tua imagem.
Nunca te abandonei! Nunca me abandonaste!
És o sol e eu a sombra. És a flor e eu a haste.
Na hora em que parti meu coração deixei-o
Na urna virginal desse divino seio,
E o teu sinto-o eu aqui a bater de mansinho
dentro do meu peito, como uma rola em seu ninho!
Carta a F.
Trás-os- Montes, 1883.
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Transcrito do livro "Poesias Dispersas"
de Guerra Junqueiro.
[Escritor em cujos escritos me refugio, nas horas em que a alma me fica à deriva e necessita encontrar um porto de abrigo.]
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