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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

AINDA NAVEGANDO....

 ....enquanto o vento me soprar de feição!




Não é feito para mim

batel algum em que reme.

Mais ao vento solto a vela

e não ponho a mão no leme.


Navegarei confiado

num piloto que nem vejo.

Dentro de mim ou de fora

há seu saber e manejo.


Seja o esquife o de voar

de onda a onda e haja sorte.

Seja o de me abrir em terra

a porta viva da morte.


* * * 


As palavras poéticas são de uma das personalidades mais extraordinárias do século XX.   O filósofo / poeta / ensaísta / professor e pedagogo: 


Agostinho da Silva
13/02/1906 - 03/04/1994

 

As fotos são minhas.


domingo, 23 de agosto de 2020

Palavra de Ordem!

     R E S I S T I R!




Assim, resistindo às adversidades, aos contratempos que a vida me impuser, à incompreensão e intolerância dos demais, a todas as maleitas que assolem o mundo, à solidão e tristeza...

...e até, contra aquilo que sei estar errado em mim...

 também eu...


RESISTIREI! 



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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

SOL E SOMBRAS.


Nas minhas caminhadas quase diárias, seja o percurso feito num sentido ou noutro, é sempre o mesmo, por ser o melhor e de piso mais plano e regular. Mais ou menos a meio do trajecto, passo por uma casa desabitada onde dantes vivia, sozinha, uma velha senhora. 
Por motivos que não conheço bem, mas o diz-que-diz fez saber que os desentendimentos entre os dois irmãos, quanto à partilha dos bens, estarão na base da lenta degradação e abandono em que a casa se encontra.
Hoje, reparei que o matagal em que se havia transformado o pequeno jardim foi retirado deixando a descoberto vestígios de vidas já extintas. Interrompi a caminhada e parei junto ao portão preso com arames.



O poço lá está junto à casa...e a corola avermelhada, de uma roseira morta, empresta algum pálido colorido ao verde dos fetos e das ervas.



Porém, a natureza, alheia e indiferente ao desleixo humano, lá vai cumprindo a sua missão de fazer renascer o ciclo de vida que tem a seu cargo.  Pequenos rebentos começam a brotar dos ramos que ainda há pouco, num olhar rápido, eu via secos e imaginava mortos.


Mas o mais belo e surpreendente, foi ver a resistente cameleira que, sem mimo nem cuidados, se encheu de lindas camélias incentivada pelo cálido sol primaveril neste Inverno vestido de Primavera.




Registei o momento e segui em passo mais vagaroso até casa. A imagem da velha senhora, sempre diligente e apressada, seguiu comigo. Quando abri o meu portão e entrei no jardinzito, olhei à minha  volta.
Um pensamento ensombrou o meu olhar.
Tomara que um dia os meus não se desentendam…

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

A Alegria E O Canto Da Cigarra....

É um direito adquirido. :) Não um erro nem um defeito.



Cega-Rega


É difícil.  Isto de começar num montouro, e só parar na crista dum castanheiro, tem que se lhe diga. É preciso percorrer um longo caminho. Embrião, larva, crisálida...
Todas as estações do íngreme calvário da organização. Animada pelo sopro da vida, a matéria necessita do calor dum ventre. Antes dessa íntima comunhão, desse limbo purificador, não poderá ter forma definitiva. Custa. Mas a lei natural é inexorável.
Exige consciência de cosmos antes da consciência de ser. O calor dá no ovo. Aquece-o e amadurece-o. A casca quebra. Depois... Ah, depois é essa descida ao húmus, essa existência amorfa, nem germe, nem bicho, nem coisa configurada.

IMAGEM  DAQUI

Largos dias assim. Até que finalmente em cada esperança de perna nasce uma perna, e cada ânsia de claridade é premiada com dois olhos iluminados. Cresce também uma boca onde a fome a reclama, e surgem as asas que o sonho deseja...
É difícil, mas vai. Desde que haja coragem dentro de nós, tudo se consegue. Até fazer parte do coro universal.

(…)


   -  Muita alegria tem tal bicho!

   - A alegria passa-lhe... É deixar vir o Inverno...
A pressurosa formiga! A coitada! Como se trabalhar fosse um destino!

   - E temo-lo aí, não tarda muito.

Evidentemente. Mas que lhe importava? A escolha estava feita. Que as folhas do calendário, como as das árvores, fossem caindo, e que os ceifeiros lançassem as gadanhas ao trigo maduro, numa condenação de galerianos. Que nas tulhas se acumulassem toneladas de grão. Ao lado dos celeiros atestados, ficaria um celeiro vazio. Um símbolo de inquebrantável confiança.
  - Mas em quê? - Perguntava um pardal suspicaz.
Outro que não compreendia. Outro que só concebia a existência a saltar de migalha em migalha.

  - Chega-lhe, Cega-Rega!

O Poeta!…Louvado seja Deus!  Até que enfim lhe aparecia um irmão!... Um irmão que sabia também que cantar era acreditar na vida e vencer a morte…

A morte que a espreitava já, com os olhos frios do Inverno...




Da página 85 à 89.

(Excerto do conto «Cega-Rega» de Miguel Torga)

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Liberdade

— Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

AS CEREJAS...

...e  "O Valioso Tempo dos Maduros"





Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

(…)


Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Porque me identifico, completamente, com esta forma de ser e estar, roubei este texto

Deixo o link, não só para que possam ler o texto na íntegra, como pela dúvida suscitada no que à sua autoria respeita. Ficando, assim, ao critério de quem o ler, ou de quem souber, com certezas, o nome do autor.

A TODOS desejo uma óptima semana! :)




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quarta-feira, 27 de julho de 2016

DAS DESCOBERTAS.


Fotografia de Robert  Doisneau

poderão ver mais fotos, do mesmo autor,que ficaram famosas
desde meados do século passado.

Descobrir é a única maneira activa

de conhecer; correlativamente,

fazer descobrir

é o único método de ensinar.


   ( Gaston Bachelard -Filósofo francês )


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