...com a visualização inesperada de uma minha publicação com mais
de cinco anos, apercebi-me de que a passagem do tempo me levou mais do que alguns
anos de vida.
Levou-me o convívio de muitos outros bloggers que eu estimava e
até de pessoas que me visitavam e não tinham blogue. Pessoas com quem eu apreciava a interacção. Aliás,
como ainda hoje acontece, com outros visitantes.
Trouxe-me também muito mais do que os sulcos que me marcam o
rosto.…Trouxe-me gratas lembranças e experiências gratificantes.
Neste mundo virtual
vamo-nos prendendo uns aos outros pelas palavras escritas, muitas vezes sem
nunca chegarmos a saber como é aquele/a com quem vamos rindo ou ficando
tristes, através do conhecimento acerca do que nos vai contando da sua vida ou
dos seus.
Outros há que nunca se referem directamente a algo pessoal, mas a
proximidade é idêntica.
Isto para vos dizer que esta publicação a gostaria de dedicar às
pessoas que me visitaram neste postal, sobretudo, àquelas que mencionaram estes
dois poemas e de quem nunca mais soube se continuam pela blogosfera ou se se mudaram
para outras plataformas.
Quem sabe se um dia, não muito distante, o cansaço me toma de assalto
e sou eu que dou por finda a minha passagem pela blogosfera? É que isto, já
começam a ser muitos anos a navegar…Talvez a diferença seja a de que eu não irei para nenhuma outra rede social!!
Para que se torne perceptível, tudo o que escrevi, cliquem, por favor, neste
“O brinco da tua orelha
Sempre se vai meneando;
Gostava de dar um beijo
Onde o teu brinco o vai dando.
Tem um topázio dourado
Esse brinco de platina;
Um rubi muito encarnado,
E uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
Sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.”
Sempre se vai meneando;
Gostava de dar um beijo
Onde o teu brinco o vai dando.
Tem um topázio dourado
Esse brinco de platina;
Um rubi muito encarnado,
E uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
Sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
Onde o teu brinco os vai dando.”
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“Eu ontem passei o
dia
Ouvindo o que o mar
dizia.
Chorámos, rimos,
cantámos.
Falou-me do seu destino,
Do seu fado...
Depois, para se
alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e
rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e
lindo.
O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz
mal!
Deserto de aguas sem
fim.
Ó sepultura da minha
raça
Quando me guardas a
mim?...
Ele afastou-se
calado;
Eu afastei-me mais
triste,
Mais doente, mais
cansado...
Ao longe o Sol na
agonia
De roxo as aguas
tingia.
«Voz do mar,
misteriosa;
Voz do amor e da
verdade!
- Ó voz moribunda e
doce
Da minha grande
Saudade!
Voz amarga de quem
fica,
Trémula voz de quem
parte...»
. . . . . . . . . . . . . .
. .
E os poetas a cantar
São ecos da voz do
mar! “
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[Ambos os poemas são de António
Botto.]
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