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sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Amor é a Nossa Alma!

Li hoje um texto, na blogosfera, que me deixou  pensativa:
Perante a iminência de um desenlace fatal, a curto ou longo prazo
 - e quem não tem os dias contados? - o que será mais importante? Viver intensamente
 - seja lá isso o que for- ou, de uma forma mais concreta, aproveitar todos os momentos possíveis para desfrutar do amor,  amizade, tolerância e compreensão, daqueles que nos rodeiam? 
Amar, enfim!
Na sequência destes pensamentos, ocorreu-me um texto que li há já algum tempo. de Miguel Esteves Cardoso e, na altura, não  atribui grande importância, mas agora, perante a amálgama de sentimentos que  me invadiu, fez todo o sentido! 


"O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que se quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.!"

Grande verdade! De que adianta ter uma vida longa, se não se amar e tiver o amor de alguém?


Com idêntico abraço ao do Cascão e do Cebolinha,
desejo a todos um excelente 

FIM - DE - SEMANA



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sexta-feira, 2 de maio de 2014

"POEMA DOS PASSARINHOS ANTIGOS".



UM MIMINHO DA QUERIDA AMIGA FÊ BLUE BIRD.
O PASSARINHO AZUL MAIS ENCANTADOR
DE TODA A BLOGOSFERA!
A ELA, DEDICO ESTE POEMA.



                 
Era um par de jovens. Ela e ele. Ambos jovens.
Alegremente cantavam as canções dos jovens
e tinham orgulho em dançar as danças ruidosas dos jovens.
Como jovens que eram riam-se das pessoas antigas
por já não serem jovens,
por não saberem dançar as suas danças de jovens,
por não saberem cantar as suas canções de jovens.
Mas num dia em que os seus olhos se encontraram de certo modo,
sentiram nos seus corpos um estremecimento antigo.
As células antigas dos seus corpos jovens
estremeceram.
As palavras de amor saíram-lhes da boca
pressurosas e múltiplas,
como as pequenas bolas de sabão
quando num tubo estreito são sopradas.
E juntamente com elas saíam passarinhos leves,
passarinhos antigos,
tão leves como as bolas de sabão,
e os passarinhos iam debicar nos lábios de ambos,
e os lábios intumesciam-se, vermelhos e macios como polpas,
e os passarinhos roçavam a penugem do peito pelas pálpebras deles
com os bicos alisando as sobrancelhas,
e aninhavam-se entre a carne e a roupa
batendo as asas num saber antigo.
Quando acordaram e quiseram sacudir o pó do tempo
ouviram o riso dos jovens que se riam das pessoas antigas,
e alegremente cantavam as suas canções de jovens
e tinham orgulho em dançar as danças ruidosas dos jovens.

António Gedeão, in Obra Poética, 2001
 
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Doce Vingança....




 Corpo de mulher, brancas colinas, coxas
                                                          [brancas,
pareces-te com o mundo na tua atitude de
                                                          [entrega.
O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti
e faz saltar o filho do mais fundo da terra.

Fui só como um túnel. De mim fugiam os
                                                          [pássaros,

e em mim a noite forçava a sua invasão
                                                          [poderosa.
Para sobreviver forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra
                                                 na minha funda.
Mas desce a hora da vingança, e eu amo-te.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme.
Ah os copos do peito! Ah os olhos de ausência

Ah as rosas do púbis! Ah a tua voz lenta e
                                                          [triste!

Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limite, meu
                                                          [caminho indeciso!
Escuros regos onde a sede eterna continua,
e a fadiga continua, e a dor infinita.



(Pablo Neruda, in "Vinte Poemas de Amor
e uma Canção Desesperada" )

 
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