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domingo, 14 de janeiro de 2024

POEMINHAS NAIFS #1

 

Este pucarinho de barro, com bochechas encarnadas
e faces afogueadas, é meu!



 Levava  eu  um  Jarrinho

 

Levava eu um jarrinho

Pra ir buscar vinho

E levava um tostão

Pra comprar pão;

E levava uma fita

Para ir bonita.


Correu atrás 

De mim um rapaz:

Foi o jarro pró chão,

Perdi o tostão,

Rasgou-se-me a fita...

Vejam que desdita!


Se eu não levasse um jarrinho,

Nem fosse buscar vinho,

Nem trouxesse uma fita

Para ir bonita,

Nem corresse atrás

De mim um rapaz

Para ver o que eu fazia,

Nada disto acontecia.


[Fernando Pessoa]


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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

1º de Dezembro.

 Após sessenta anos sob a ditadura filipina, conseguiu Portugal restaurar a sua Independência, num dia 1º de Dezembro. Corria o ano da graça de mil seiscentos e quarenta.

E, agora, que já dei o ar da minha graça, sem entrar em pormenores e dizendo o que toda a gente já sabia, é hora de dar voz à poesia metafórica e surrealista de Mário Cesariny.

Só porque sim, porque me apeteceu, é Feriado e o dia está convidativo a tudo o que é surreal...

Fonte da Pintura.


Rua 1º de Dezembro


À hora X, no café Portugal

À mesa Z, é sempre a mesma cena:

Uma toupeira ergue a mãozinha e acena…

Dois pica-paus querelam, muito entusiasmados:

Que a dita dura dura que não dura

A dita dita ditadura – dura desdita!

Um pássaro canta diz isto assim é pena

E um senhor avestruz engole ovos estrelados.

 

Mário Cesariny 


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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

AVANTE, POETAS.

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"Meu Quintana"


Meu Quintana, os teus cantares

Não são, Quintana, cantares:

São, Quintana, quintanares.


Quinta-essência de cantares...

Insólitos, singulares...

Cantares? Não! Quintanares!


Quer livres, quer regulares,

Abrem sempre os teus cantares

Como flor de quintanares.


São cantigas sem esgares.

Onde as lágrimas são mares

De amor, os teus quintanares.


São feitos esses cantares

De um tudo-nada: ao falares,

Luzem estrelas luares.


São para dizer em bares

Como em mansões seculares

Quintana, os teus quintanares.


Sim, em bares, onde os pares

Se beijam sem que repares

Que são casais exemplares.


E quer no pudor dos lares.

Quer no horror dos lupanares.

Cheiram sempre os teus cantares


Ao ar dos melhores ares,

Pois são simples, invulgares.

Quintana, os teus quintanares.


Por isso peço não pares,

Quintana, nos teus cantares...

Perdão! digo quintanares.

* * * 

Manuel Bandeira

(Numa homenagem a Mário Quintana)


Na foto,  que roubei  AQUI   podem ver, da esquerda para a direita,  os Poetas e Amigos: 

Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mário Quintana e Paulo Mendes Campos. 

Peço a TODOS que não deixem de clicar no link que indica a proveniência da imagem.

 Ficarão a conhecer o porquê deste Poema  Dedicatória/Homenagem, de Manuel Bandeira a Mário Quintana.

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Por mim, aproveitando a onda, dedico este postal a

 TODOS  os Poetas 

do meu blogobairro, que é como quem diz:

aos blogues que figuram na lateral direita deste meu espaço.

Obrigada!

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domingo, 27 de janeiro de 2019

"O Senhor Doutor Sabe Ler"? *

Quis trazer comigo alguém que muito admiro, desde há muito, e  que considero um dos maiores, se não o maior, de todos os intelectuais portugueses. Alguém que foi  tão grande em sabedoria quanto em valores humanos e cívicos.O seu senso de humor nunca o abandonou em circunstância alguma. Quem não teve o prazer de se deliciar - vendo-o e ouvindo-o, na TV -  com as suas "Conversas Vadias"?

Ei-lo: O Professor/Filósofo Agostinho da Silva, um portuense que falava à moda do Porto e que dava gosto ouvir!



Imagem DAQUI

Queria Que Os Portugueses

Queria que os portugueses 
tivessem senso de humor 
e não vissem como génio 
todo aquele que é doutor
sobretudo se é o próprio 
que se afirma como tal 
só porque sabendo ler 
o que lê entende mal.

 

Todos os que são formados 
deviam ter que fazer 
exame de analfabeto 
para provar que sem ler 
teriam sido capazes 
de constituir cultura 
por tudo que a vida ensina 
e mais do que o livro dura. 


E tem certeza de sol 
mesmo que a noite se instale 
visto que ser-se o que se é 
muito mais que saber vale 
até para aproveitar-se 
das dúvidas da razão 
que a si própria se devia 
olhar pura opinião. 


Que hoje é uma manhã outra 
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira 
alfabetizar cuidado 
não me ponham tudo em culto 
dos que não citar francês 
consideram puro insulto.


Se a nação analfabeta 
derrubou filosofia 
e no jeito aristotélico 
o que certo parecia
deixem-na ser o que seja 
em todo o tempo futuro 
talvez encontre sozinha 
o mais além que procuro. 



Professor Agostinho da Silva - 1906-1994



                                                                               

*  O título deste postal é uma frase a que o Professor é totalmente alheio. Faz parte de um chiste que circula cá pelos meus lados e  me ocorreu em virtude da ironia implícita neste poema.


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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Porque Hoje É Sexta-Feira. # 33



EL POEMA DEL PEDO ALEGRE!

Alguien me preguntó un dia
¿Qué es un pedo?
y yo le contesté muy serio... el pedo es un pedo
Con cuerpo de aire y corazón de viento
El pedo es como un alma en pena
que a veces sopla,
Que a veces truena.

Es como el agua que se desliza
con mucha fuerza, con mucha prisa.

El pedo es como la nube que va volando
y por donde pasa va fumigando.
El pedo es vida, el pedo es muerte


y tiene algo que nos divierte.

El pedo gime, el pedo llora;
el pedo es aire, el pedo es ruido
y a veces sale por un descuido.






El pedo es fuerte, es imponente
pues se los tira toda la gente..
En este mundo un pedo es vida
porque hasta el papa bien se lo tira;
hay pedos cultos e ignorantes
los hay adultos, también infantes,
hay pedos gordos, hay pedos flacos,
según el diámetro de lo tragado.
Hay pedos tristes, los hay risueños
según el gusto que tiene el dueño.
Si un día algún pedo toca tu puerta
no se la cierres, déjala abierta
deja que sople, deja que gire
a ver si hay alguien que lo respire.
También los pedos son educados
pues se los tiran los licenciados,
el pedo tiene algo espantoso
pues si lo aguantas te lleva al pozo.
El pedo tiene algo monstruoso
que a veces sale con él un trozo
Este poema se ha terminado
con tanto pedo que me he tirado
mientras escribo, mientras lo mando...
No aguanto más, me estoy cagando!!!

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